NESTA EDIÇÃO. PPSA faz hoje o primeiro leilão de gás natural da União.
As empresas que estão de olho no gas release que a Petrobras tenta derrubar.
Diesel puxou a alta das emissões do setor de energia em 2025, aponta o Seeg.
El Niño pode tirar vento das eólicas no começo de 2027.
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Gás da União vai a leilão e mede quanto a indústria paga por desconto
A Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) realiza nesta quinta (22/10) o primeiro leilão de gás natural da União, que funcionará como um teste de quanto a indústria está disposta a pagar em busca de competitividade, sobretudo nos setores em que o insumo pesa mais no custo de produção.
É a primeira vez que a PPSA oferece o gás da União diretamente aos consumidores. Até então, a estatal do pré-sal vendia à Petrobras a molécula da União produzida nos campos do regime de partilha.
Estão em disputa 1,1 milhão de m³/dia. São 110 lotes de 10 mil m³/dia, que foram divididos em cotas entre cinco setores:
- químico e petroquímico, com 35 lotes (350 mil m³/dia);
- siderúrgico, metalúrgico e mineração, 32 lotes (320 mil m³/dia);
- ceramista, 20 lotes (200 mil m³/dia);
- fertilizantes, 13 lotes (130 mil m³/dia);
- e vidreiro, 10 lotes (100 mil m³/dia).
Relembre: Setores químico e petroquímico ficarão com maiores volumes no leilão de gás da União.
Como será a disputa? O preço do gás será negociado a 115% do índice Henry Hub, mais um prêmio ofertado pelo comprador, que parte de US$ 1,82 por milhão de BTU. Vence quem oferecer o maior prêmio.
- O ponto de partida fica abaixo de US$ 6 o milhão de BTU, um desconto de mais de US$ 2 o milhão de BTU frente aos preços mais competitivos do mercado brasileiro, como mostramos na gas week.
- O contrato cobre dez meses, de março a dezembro de 2027, e obriga o comprador a buscar outro fornecedor para o começo do ano. O take-or-pay é de 95%, apurado mês a mês. As duas regras podem reduzir, ao fim, o efeito prático do desconto.
O leilão começa às 9h, na plataforma da CCEE, em cinco etapas sequenciais, uma por setor. Ao fim de cada uma, a CCEE divulga os vencedores e o preço médio, segundo a PPSA.
- 9h: vidreiro
- 9h50: ceramista
- 10h40: siderúrgico, metalúrgico e mineração
- 11h30: químico e petroquímico
- 12h20: fertilizantes nitrogenados
- 13h10: última rodada, caso sobrem volumes
Fique ligado. A eixos faz uma live depois do leilão para analisar o resultado com um time de comentaristas. Acompanhe!
Desconcentração do mercado. Mapeamos quem é quem no debate sobre o gas release, que foi prorrogado depois que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) adiou a audiência pública para depois das eleições, em meio à escalada da pressão política da Petrobras contra o avanço da agenda regulatória do gás natural.
Gás argentino no radar. O gás de Vaca Muerta pode chegar ao Brasil em 2029, com até 10 milhões de m³/dia via Bolívia, projetou ao estúdio eixos Guido Maiulini, da Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (Olacde).
- Ele vê contratos firmes de 8 a 10 milhões de m³/dia, a US$ 6 a US$ 6,5 por milhão de BTU, pouco acima do piso do leilão de hoje.
Preço do barril. O Brent era negociado em alta, a US$ 112,50, às 6h de quinta (22/10) no horário de Brasília, depois de fechar a quarta (21/10) praticamente estável, em alta de 0,03%, a US$ 108,82.
- Os preços iniciaram a quarta em alta, após o anúncio da redução de 3,06 milhões de barris nos estoques americanos e com ataques a petroleiros perto do Iraque e de Omã. Mas recuaram ao longo da tarde de ontem, com a notícia de que Rússia e Ucrânia aceitaram retomar as negociações com os EUA para encerrar a guerra.
Você lembra? Em clima de leilão: há um ano, em 22 de outubro de 2025, o 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha arrematou cinco dos sete blocos do pré-sal em oferta, com R$ 103,7 milhões em bônus de assinatura. A Petrobras levou Citrino e Jaspe, e a Karoon estreou no pré-sal com o bloco Esmeralda.
Combustível de aviação. A Anac registrou redução de 0,5% na tarifa aérea em setembro, enquanto o querosene de aviação (QAV) subiu 54,4% em relação ao preço de setembro de 2025. O litro ficou em R$ 5,66.
Diesel nas emissões. A alta no consumo de diesel nos transportes puxou o aumento de 1,2% nas emissões do setor de energia em 2025, para 427 milhões de toneladas de CO2e, segundo o Seeg, do Observatório do Clima.
- Os transportes emitiram 228 MtCO2e, 1% a mais que em 2024; a geração de eletricidade, 45 MtCO2e, alta de 6%, com o acionamento de térmicas.
- No total, o país cortou 6% das emissões e ficou a 85 milhões de toneladas da meta da NDC para 2025.
De olho no vento. O El Niño pode afetar a geração eólica nos primeiros meses de 2027, segundo a Tempo OK. Para a consultoria, uma queda de 4% no vento pode representar de 10% a 12% a menos de energia.
Usina reversível. A Aneel registrou o primeiro pedido de outorga de uma hidrelétrica reversível de ciclo fechado no país, o projeto Salto Timbé do Sul, da Amur, com 5,2 MW, em Timbé do Sul (SC).
Multa por apagões. A Prefeitura de São Paulo manteve a multa de R$ 11,4 milhões à Enel pelas interrupções de setembro a dezembro de 2025. A distribuidora tem 15 dias para recorrer e diz discordar da punição.
Mais um prazo para Angra 3. O Tribunal de Contas da União (TCU) definiu um prazo de 120 dias para o Ministério de Minas e Energia (MME) dar informações sobre o futuro das obras da usina nuclear Angra 3, diante do impacto financeiro negativo na Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar). (Valor Econômico)







