NESTA EDIÇÃO. A presidência da COP31 quer discutir o consumo crescente de energia da inteligência artificial e cobrar transparência das empresas de tecnologia.
ONU alerta para o risco de a expansão dos data centers ampliar o uso de combustíveis fósseis.
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O impacto energético e climático da inteligência artificial deve ganhar peso na próxima cúpula climática das Nações Unidas (COP31), marcada para novembro deste ano, em meio a preocupações com segurança, disputas e restrições que já se desenrolam pelo mundo e projeções alarmantes de aumento de consumo de energia e água.
Nesta segunda (21/9), o presidente da COP31 e ministro turco do Clima, Murat Kurum, anunciou que a cúpula também abordará os “crescentes temores sobre o avanço da IA” e sua pegada de carbono. (AFP)
Em um comunicado divulgado em Nova York, onde participa do evento anual da Semana do Clima, em paralelo à Assembleia Geral da ONU, Kurum afirma que a COP31 estará “à altura da situação”.
“Precisamos discutir abertamente o crescente consumo de energia da IA, e é hora de os governos começarem a criar as condições necessárias. Esperamos que as empresas sejam transparentes sobre seu consumo de energia e que alimentem suas operações com energia limpa”.
Entre as discussões propostas estão a promoção de uma “IA responsável com o clima” e o incentivo para que empresas de tecnologia alimentem seus centros de dados com energia de baixo carbono.
Segundo Kurum, projetos-piloto serão apresentados para “comprovar o uso responsável da IA na prática”.
A Turquia sediará, entre 9 e 20 de novembro de 2026, na cidade de Antália, a principal cúpula climática internacional, co-presidida pela Austrália.
As prioridades estabelecidas pela presidência incluem impulsionar a eletrificação, a redução das emissões de metano do setor de resíduos e a resiliência climática das cidades.
Ambos os países, no entanto, precisam enfrentar suas próprias contradições domésticas.
Análise publicada na sexta (18) pelo Climate Action Tracker, alerta que a Turquia continua priorizando os combustíveis fósseis em seu setor elétrico.
O que significa que, para alcançar a meta “35 x 35” (35% de eletrificação até 2035) serão necessárias mudanças políticas muito significativas para acelerar a eletrificação por meio de fontes renováveis seriam necessárias para atingir os 35% até 2035.
O mesmo serve para a Austrália. Maior exportadora de carvão do mundo, as metas climáticas australianas são classificadas como “insuficientes” pelo think tank.

Big techs precisam provar custo-benefício
As previsões de que o consumo de energia por servidores de inteligência artificial deve dobrar até 2030, para alcançar atingindo cerca de 945 TWh globalmente — o equivalente ao consumo anual de aproximadamente 525 milhões de residências com padrão de consumo médio global —, estão aumentando a pressão internacional sobre as responsabilidades das big techs.
O estado de Nova York é um exemplo disso. Em julho, a governadora Kathy Hochul assinou uma Ordem Executiva que proíbe a aprovação de novos data centers pelo prazo de um ano, diante de preocupações com sobrecarga da rede e aumentos nos custos de energia. (CNN)
Não à toa, o tema está sob os holofotes da Semana do Clima da cidade de Nova York.
Durante discurso nesta segunda, o Secretário Executivo da ONU para Mudanças Climáticas, Simon Stiell, cobrou das empresas a demonstração do custo-benefício das IAs para a sociedade.
“A inteligência artificial, com seu alto consumo de energia, está impulsionando a poluição proveniente do carvão, petróleo e gás, fatores que contribuem para o aquecimento global, ao mesmo tempo que aumenta os custos de energia para residências e empresas. Tudo isso enquanto alimenta a desinformação, a divisão social e desigualdades ainda maiores em termos de riqueza”, criticou.
Segundo Stiell, os grandes grupos de tecnologia estão “pisando em ovos” no que diz respeito à licença para operar e “afundando em águas profundas” quando se trata de apoio público.
“Neste país, do Empire State ao Texas, os centros de dados estão sendo paralisados. A situação é semelhante em muitas outras partes do mundo. Os gigantes da tecnologia precisam começar a demonstrar por que os benefícios da IA superam seus custos exorbitantes – para a maioria, não apenas para uma minoria”.
IA no encontro Trump-Xi
A inteligência artificial também está na agenda do encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e seu homólogo chinês, Xi Jinping, em Washington, na quinta (24/9), mas as preocupações vão muito além da energia e impacto sobre o clima. (Nikkei Asia)
Líderes da indústria norte-americana estão emitindo alertas sobre segurança e pedindo uma desaceleração no desenvolvimento de IAs. (UOL)
Mas Trump considera os riscos apontados pela indústria uma “farsa” (assim como as mudanças climáticas) e, assim como a China, acusa esses alertas de tentativas de frear seus desenvolvimentos.
Cobrimos por aqui
Curtas
Por falar em data centers… O debate em torno das fontes de energia no Redata carece de pragmatismo, na avaliação do CEO da Origem Energia, Luiz Felipe Coutinho. Segundo ele, o Brasil tem vocação para se posicionar como grande fornecedor de energia e insumos para a revolução da inteligência artificial, mas não está sendo eficiente na construção regulatória para atrair esse capital.
Eleições 2026. A apresentou sua agenda aos presidenciáveis, alertando sobre o momento de paralisação nos investimentos em geração, impulsionado pela elevação da percepção de risco e por novos custos setoriais. A associação pede que sejam estabelecidos critérios técnicos para mitigar e gerir os impactos do curtailment.
Autossuficiência em diesel. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard antecipou, durante a abertura da Rog.e 2026 na segunda (21/9), que o plano de negócios 2027-2031 deverá incorporar a meta de tornar o Brasil autossuficiente na produção de diesel. O agravamento dos conflitos internacionais levou a companhia a estudar uma meta mais ambiciosa.
PBIO se prepara para B17. Segundo o presidente da Petrobras Biocombustível, Alex Gasparetto, a expectativa é que os testes em andamento no governo sejam concluídos até fevereiro de 2027 para que o percentual de biodiesel no diesel suba para 17%. Confira a entrevista ao estúdio eixos durante a ROG.e 2026.
Deputados contra imposto sobre petróleo. Os deputados do PL General Girão (RN) e Rodrigo Valadares (SE) apresentaram Projetos de Decreto Legislativo (PDLs) para suspender a resolução da Camex que prorrogou, por 60 dias, a cobrança do imposto de 12% sobre a exportação de petróleo bruto.
Pnast viabiliza 30,7 GW. A Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão viabilizou 30,7 GW em pedidos de conexão à rede de transmissão em 2026, segundo o Ministério de Minas e Energia. Desde a implementação da nova política, o ONS analisou mais de 43 GW em solicitações. (CNN)
Carro elétrico. A Toyota pretende iniciar em abril de 2027 a produção de veículos elétricos com extensor de autonomia, com um modelo fabricado na China. A montadora prevê que os modelos para longas distâncias se tornarão o pilar de sua estratégia de eletrificação.
- A tecnologia conhecida pela sigla EREV já é usada pela Leapmotor, Chery, BYD entre outros fabricantes chineses. (R7)






