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Abastecimento de diesel enfrenta problemas com atraso de subsídio e queda nas importações 

NESTA EDIÇÃO. Choque do diesel volta a pressionar abastecimento no Sul. 
 
Disputa sobre gás natural no Redata continua mesmo após sanção. 
 
Justiça libera análises de pedidos para entrada no mercado livre de gás no Rio, mas migrações seguem suspensas.
 
MME abre consulta sobre meta de CBIOs até 2036.

EDIÇÃO APRESENTADA POR:

A cadeia de comercialização de diesel enfrenta problemas no Brasil em setembro, com um aperto no abastecimento no início do plantio da safra.

  • O impacto é sentido sobretudo no Rio Grande do Sul, mesma região que registrou problemas em abril.  

O cenário é consequência da queda nas importações pela Petrobras, em meio à disparada dos preços internacionais, somada à demora na regulamentação do subsídio adicional de R$ 1 por litro do diesel anunciado na semana passada. 

  • O valor e o prazo do benefício dependem de uma portaria do Ministério da Fazenda. A pasta promete a publicação “até o fim desta semana”. Até o fechamento desta edição, o texto não havia sido publicado. 
  • A Petrobras já disse que aguarda a publicação dos atos legais para avaliação e implementação dos novos preços do diesel. 
  • Relembre: Diante da crise global no refino, governo amplia subvenções a combustíveis.

Desde o início da guerra no Oriente Médio, a estratégia da estatal para lidar com a alta internacional dos preços do petróleo foi ampliar a utilização das refinarias nacionais, mas isso não é suficiente para atender a toda a demanda nacional.

  • Em paralelo, a grande defasagem entre os preços praticados pela Petrobras e as cotações internacionais fechou a janela para outros importadores e fez com que os pedidos de compra das distribuidoras ficassem concentrados na estatal. 
  • Dados obtidos com exclusividade pelo eixos PRO mostram que a Petrobras segue sendo a maior importadora de diesel S10 do país desde março, mas os volumes oscilam muito. Veja os detalhes na matéria completa em nosso site. 
  • A companhia afirma que a importação de diesel para setembro e outubro está em “volumes compatíveis com a demanda” e que “o mercado nacional também é atendido por outros agentes, como distribuidores, importadores e outros produtores, que complementam a oferta de combustíveis”. 

O cenário internacional agrava o quadro: os preços do barril de petróleo voltaram à casa dos três dígitos este mês, com o aumento das tensões no Oriente Médio. O aumento nas cotações dos combustíveis tem sido ainda maior do que o petróleo bruto, dada a crise global do refino. 

  • Além disso, as importações de diesel da Rússia a preços mais favoráveis praticamente cessaram, após os ataques a refinarias que levaram o país a restringir as vendas para o exterior nos últimos meses. 
  • No mês passado, o Brasil importou o equivalente a apenas 56,1 milhões de quilos de diesel da Rússia, menos de 10% do volume em agosto de 2025. A maior parte do volume do exterior veio dos Estados Unidos. 
  • Relembre: Importação de diesel da Rússia despenca e Brasil recorre a EUA e Índia.

A crise não é só no Brasil, então fica aqui uma dica de leitura: O New York Times publicou uma lista dos países que estão registrando protestos contra a alta nos preços e problemas no abastecimento de combustíveis, com destaque para pontos críticos na Ásia. 



Preço do barril sobe… O Brent era negociado às 6h de quarta-feira no horário de Brasília em queda, a US$ 108. No encerramento de terça (15), as cotações fecharam a US$ 108,75, alta de 2,9%, à medida que os investidores avaliam os impactos sobre a oferta da commodity na Arábia Saudita após ataques dos houthis, do Iêmen, a um importante oleoduto no país na semana passada. 
 
…E impulsiona superávit. A melhora do superávit comercial brasileiro em 2026 tem sido impulsionada pela força da indústria extrativa, com destaque para o petróleo bruto, que amplia os saldos com China e União Europeia e sustenta o resultado agregado apesar do déficit recorrente da indústria de transformação. 

  • A análise é parte do relatório do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) da FGV. 

Redata sancionado, mas em disputa. O presidente Lula (PT) sancionou na terça (15) o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), encerrando uma tramitação marcada por mais de um ano de idas e vindas no governo e no Congresso Nacional. A sanção, no entanto, não encerra a disputa em torno da possibilidade de projetos abastecidos por gás natural acessarem os benefícios fiscais.

  • Falando nisso… o consumo de energia por servidores de inteligência artificial em data centers deve dobrar até 2030, calcula o estudo Data Center Demand Index, da Kearney. Em 2025, os servidores de IA representaram entre 23% e 27% da eletricidade consumida pelos centros de dados. 

Judicialização no mercado livre de gás. A Justiça do Rio de Janeiro autorizou a Agenersa a retomar as análises de pedidos de novas migrações para o mercado livre de gás natural no estado, mas manteve a suspensão de quaisquer processos que obriguem a Naturgy a avançar, efetivamente, com a migração de clientes com consumo inferior a 100 mil m³/dia.

Investimentos em infraestrutura. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende a criação de um novo regime de financiamento para ampliar a capacidade de atração de capital privado e “mais que dobrar” os investimentos em infraestrutura no Brasil.

  • Um estudo divulgado pela entidade mostra que o país precisará elevar os aportes no setor dos atuais 2,27% do PIB para 4,65% ao ano — cerca de R$ 550 bilhões anuais — e sustentar esse patamar por pelo menos duas décadas para superar o déficit histórico de infraestrutura.

Metas de CBIOs. O Ministério de Minas e Energia abriu consulta pública sobre as metas decenais de Créditos de Descarbonização (CBIOs) a serem adquiridos por distribuidoras de combustíveis de 2027 a 2036. Ao todo, são 665,11 milhões de créditos em jogo.

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