As chuvas de setembro contribuíram para melhorar os níveis dos reservatórios de água da Região Metropolitana de São Paulo, mas ainda não foram suficientes para restabelecê-los plenamente. Segundo a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, a Sabesp tem adotado a Gestão da Demanda Noturna (GDN), que reduz a pressão da água durante a noite para diminuir perdas na rede. “De toda a água tratada que é distribuída aqui na região metropolitana de São Paulo, 30% é perdida”, afirma. Para a professora, a maior parte dessas perdas ocorre por vazamentos e problemas na rede de distribuição.
Rolnik critica os efeitos da redução da pressão sobre a população, especialmente os moradores que não têm caixas-d’água ou vivem em regiões mais altas e periféricas. Segundo ela, essas pessoas podem ficar sem abastecimento durante a noite e enfrentar problemas como baixa pressão e água suja quando o fornecimento é retomado. A professora lembra que, na crise hídrica de 2014 e 2015, uma das principais estratégias foi estimular a economia de água por meio de descontos na conta. “Quem diminuía o consumo médio em mais de 20% tinha 30% de desconto”, explica. A campanha chegou a gerar uma economia de 11 bilhões de litros de água por mês.
Para Rolnik, além da redução do consumo, a estratégia adotada na época contribuiu para criar uma cultura de economia de água e incluiu a distribuição de caixas-d’água para famílias que não tinham reservação. Ela questiona a opção atual pela redução da pressão e defende medidas que estimulem diretamente a população a economizar. “Nós temos que entender e economizar e fazer parte da cultura”, afirma. A professora também critica o modelo de gestão da Sabesp e questiona os efeitos da privatização sobre as políticas de enfrentamento da crise hídrica.






