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Dados mostram desigualdade educacional e maior desafio em matemática na região de Ribeirão Preto

Cátedra Sérgio Henrique Ferreira apresentou análises do SAEB 2025 no 3º Simpósio Intermunicipal de Educação em busca de melhoria da aprendizagem

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Em toda a região, são cerca de 61 mil matrículas nos anos iniciais do ensino fundamental em 202 escolas municipais – Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A redução da desigualdade educacional ainda é um desafio significativo para a Região Metropolitana de Ribeirão Preto, impactando inclusive o financiamento: dos 34 municípios que a compõem, 21 não receberam o Valor Aluno Ano por Resultados (VAAR), uma das complementações do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), sendo que em 18 deles um dos motivos foi por não comprovar redução nas disparidades de desempenho entre estudantes.

Os dados foram levantados pela equipe da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira, do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP, e apresentados durante o 3º Simpósio Intermunicipal de Educação, que reuniu mais de 26 redes de ensino em Ribeirão Preto. O evento foi realizado pela Cátedra em parceria com o Instituto Adapta e a Letrus Tecnologia Educacional, e contou também com compartilhamento de boas experiências em educação, inclusive com uso de inteligência artificial.

Em toda a região, são cerca de 61 mil matrículas nos anos iniciais do ensino fundamental em 202 escolas municipais. Os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) de 2025 mostraram que, das 182 escolas com dados, apenas 62 tinham pelo menos 70% dos alunos com aprendizado adequado em Língua Portuguesa, e somente 26 escolas em Matemática. Esse componente curricular demanda especial atenção: 72 escolas não tinham nem 50% dos alunos desta etapa com aprendizado adequado em 2025. “É verdade que alguns municípios apresentaram melhorias na comparação com a avaliação anterior, de 2023, e sabemos que há escolas avançando para o cenário ideal, mas ainda precisamos observar com atenção para identificar quais escolas necessitam de atenção prioritária”, afirmou a pesquisadora da cátedra e vice-presidente do Instituto Adapta, Larissa Porfirio. Ao comparar o desempenho das escolas entre 2023 e 2025, o levantamento mostrou que 77 unidades tiveram uma variação negativa em Língua Portuguesa e 76 em Matemática.

Das 182 escolas com dados, 62 tinham pelo menos 70% dos alunos com aprendizado adequado em Língua Portuguesa, e 26 escolas em Matemática – Foto: Cátedra Sérgio Henrique Ferreira/Instituto Adapta
Das 182 escolas com dados, 62 tinham pelo menos 70% dos alunos com aprendizado adequado em Língua Portuguesa, e 26 escolas em Matemática – Foto: Cátedra Sérgio Henrique Ferreira/Instituto Adapta

Os resultados dos anos finais do ensino fundamental são ainda mais preocupantes: os 27 municípios da Região Metropolitana de Ribeirão Preto com dados completos nesta etapa tinham no máximo 50% dos alunos com aprendizado adequado em Matemática, e 23 deles em Língua Portuguesa. Nenhum município registrou pelo menos 70% dos alunos com o aprendizado que se espera neste ciclo em nenhum dos dois componentes.

Nenhum município registrou pelo menos 70% dos alunos com o aprendizado esperado neste ciclo em Língua Portuguesa e Matemática – Foto: Cátedra Sérgio Henrique Ferreira/Instituto Adapta
Nenhum município registrou pelo menos 70% dos alunos com o aprendizado esperado neste ciclo em Língua Portuguesa e Matemática – Foto: Cátedra Sérgio Henrique Ferreira/Instituto Adapta

Além de apresentar os dados, o simpósio procurou mostrar a gestores e profissionais das redes municipais caminhos para utilizar as informações no planejamento para o próximo ano. “O Ideb de 2025 era muito esperado, porque seria a forma de verificar se a recomposição de aprendizagens pós-pandemia se realizou. No Brasil, a maioria dos municípios atingiu suas metas para os anos iniciais, mas ainda temos muito esforço para fazer, em especial para consolidar a cultura de usar os dados para a tomada de decisão”, indicou Mozart Neves Ramos, titular da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira.

Tecnologia pode auxiliar uso de dados com enfoque pedagógico

As apresentações do simpósio também propiciaram troca de experiências e estratégias para a melhoria da aprendizagem e a redução das desigualdades educacionais. Entre elas, foi dado destaque para o uso de tecnologia e inteligência artificial. “Queremos tomar decisões com base em conhecimento, não em hipóteses ou no feeling, e a tecnologia pode auxiliar muito, especialmente para o tratamento de grande número de informações em tempo real”, comentou o secretário adjunto de Educação de Ribeirão Preto, Matheus Próspero.

O titular da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira, Mozart Neves Ramos, durante o evento – Foto: Thaís Cardoso/IEA-RP

Segundo ele, a rede conta com um núcleo de alfabetização que tem preenchido relatórios a partir de visitas às escolas, além dos próprios professores preencherem um diário on-line. Com auxílio de ferramentas de inteligência artificial, a secretaria criou uma plataforma que analisa o amplo conjunto de informações desses relatórios e gera uma síntese dos pontos que devem ser estimulados ou revertidos.

“Como você vê se uma rota está correta? A melhor forma é acompanhar em tempo real. Ainda temos um desafio gigantesco, mas agora o núcleo de alfabetização já volta para as unidades sabendo quais intervenções devem estar acontecendo e quais parecem não estar dando resultado, para investigar e agir em conjunto com as equipes locais”, detalhou. “Quando eu era professor, não via sentido no preenchimento dos relatórios, pois não recebia devolutiva e achava que era apenas um tempo perdido. Mas agora conseguimos fazer uso dessas informações e devolver para as escolas, com apoio da gerência pedagógica.”

Para a diretora de Desenvolvimento Pedagógico da Secretaria de Educação de Americana, Ana Cristina Zoca, o encontro foi uma oportunidade para identificar novas possibilidades para avançar de forma real. “Nós temos enormes desafios e um desejo de fazer com que nossos estudantes aprendam mais, e para isso precisamos aprender também. Quando o conhecimento é repartido, ele pode ser multiplicado, era exatamente o que a gente queria. Com apoio da cátedra, nosso grupo pôde identificar outras soluções e estamos empolgados para levar para o nosso dia a dia, isso despertou o nosso melhor também”, definiu Ana.

Durante o simpósio, o diálogo entre os diferentes municípios favoreceu a identificação de desafios comuns entre secretários de Educação, equipes técnicas, gestores escolares e representantes de instituições parceiras. “Esse é o terceiro simpósio que fazemos em Ribeirão Preto, uma ideia que surgiu para buscar um trabalho mais integrado na região”, destacou Mozart. “Na educação, se fala muito em colaboração, mas parece que a prática ainda é muito competitiva. Precisamos fortalecer o espírito colaborativo e realmente trabalhar em conjunto. Queremos estimular essa aprendizagem olhando para o território e acelerando as mudanças necessárias, porque ficar no topo é bom, mas é melhor ainda quando todos crescem juntos.”

*Assessoria de Imprensa da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira

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