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Diesel segue puxando emissões de energia no Brasil

NESTA EDIÇÃO. Maior consumo de diesel puxou aumento de emissões do setor energético, aponta Seeg.

Brasil ficou a 85 milhões de toneladas de distância da NDC para 2025.

No mundo, agência da ONU fala em buscar “menor excesso possível”, já que 1,5ºC está em vias de ser ultrapassado.

EDIÇÃO APRESENTADA POR:

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O aumento no consumo de diesel nos transportes foi um fator determinante para a alta de 1,2% nas emissões do setor de energia em 2025, aponta o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (Seeg).
 
De acordo com os dados divulgados nesta quarta (21/10), no ano passado, a produção e consumo de energia emitiu 427 milhões de toneladas de CO2e, ante 422 MtCO2e em 2024. 
 
No período, o consumo de diesel de petróleo cresceu 3% em 2025, e o de gasolina A (sem mistura com etanol), em 4%, e o de gasolina C também 4%. 
 
O etanol hidratado também teve alta de 4% no consumo, mas a expansão da frota compensou a elevação no uso do biocombustível. 
 
No total, o setor de transportes, principal usuário de combustíveis fósseis no Brasil, emitiu 228 MtCO2e, 1% a mais que em 2024, sendo 123 MtCO2e oriunda do transporte de carga e 105 MtCO2e do de passageiros. Este último chegou a reduzir seu impacto no levantamento anterior, graças ao etanol, mas voltou a registrar aumento em 2025.
 
Na geração de eletricidade o aumento foi maior: 6% nas emissões de 2025 em relação a 2024, alcançando 45 MtCO2e, com acionamento de termelétricas. 
 
Em meio a uma sequência de freios no desmatamento — segmento que mais pesa nas emissões do Brasil (39%) — o setor de energia tem aumentado sua fatia no balanço de gases de efeito estufa (GEE) nacional: em 2023 era 16%, saltou para 20% em 2024 e 21%  em 2025.
 
“As emissões dos transportes seguem batendo recorde histórico. Tudo que importa no setor aumentou”, comentou nesta manhã a pesquisadora do Iema Ingrid Graces. A organização é responsável pelo cálculo das emissões de energia e processos industriais no Seeg. 
 
E o consumo de diesel deve continuar elevado. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que a demanda por diesel e pelos combustíveis do ciclo otto (gasolina C e etanol hidratado) vai seguir avançando em 2026 e 2027, favorecidos pela safra recorde, assim como pelas subvenções e pelos índices de atividade econômica. 
 
Para 2026, a EPE calcula um consumo de 72,4 bilhões de litros de diesel, alta de 2,4% na comparação anual. A estimativa é que no próximo ano o total chegue a 74,2 bilhões de litros, aponta o relatório bimestral (.pdf) divulgado esta semana.



Ao todo, a economia brasileira conseguiu reduzir 6% das emissões de GEE em 2025, após uma forte queda de 13% em 2024, e bateu na trave da meta estabelecida pelo Brasil no Acordo de Paris com a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC). 
 
As emissões brutas nacionais foram de 2,06 bilhões de toneladas de CO2 equivalente (GtCO2e) no ano passado, contra 2,19 GtCO2e em 2024. Foi o menor valor bruto desde 2018 — e com o PIB crescendo 2,3% em 2025, totalizando R$ 12,7 trilhões de acordo com o IBGE.
 
Já as emissões líquidas, que descontam o crescimento de vegetação secundária e a remoção de carbono por áreas protegidas, foram calculadas em 1,41 bilhão de toneladas, uma queda de 9% e o menor valor desde 2012. 
 
Com isso, ficou a 85 milhões de toneladas de cumprir a NDC para 2025, que fixou o objetivo de limitar as emissões líquidas a 1,32 GtCO2e. 
 
O resultado veio do controle do desmatamento, especialmente na Amazônia e no Cerrado.
 
O Seeg calcula que, pelo segundo ano consecutivo, houve queda da devastação em todos os biomas. A queda em relação a 2024 no setor de mudança de uso da terra foi de 15% nas emissões brutas, de 957 MtCO2e para 814 MtCO2e, e de 48% nas emissões líquidas (de 311 MtCO2e para 162 MtCO2e).
 
Quase todos os outros setores registraram emissões praticamente estáveis em relação ao ano anterior: queda de 0,1% na agropecuária (626 MtCO2e no total em 2025), 0,2% de alta em processos industriais e uso de produtos (94 MtCO2e). 
 
A exceção foi o setor de resíduos, que registrou alta de 3,6% (de 92 MtCO2e em 2024 para 96 MtCO2e no ano passado).
 
Para o Observatório do Clima, os dados recém divulgados pelo governo Lula (PT) de recorde na redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado em 2026 são um sinal promissor para a meta climática. 
 
Cálculos preliminares do Seeg indicam que, neste ano, a emissão líquida do setor foi negativa pela primeira vez, atingindo -24 milhões de toneladas de CO2 equivalente. 
 
“A soma dos outros setores, considerando uma tendência linear dos últimos cinco anos, seria de 1,25 GtCO2e, o que levaria a emissão total no ano a 1,23 GtCO2e. O Brasil praticamente cumpriria em 2026 a meta de 2030, que é de 1,20 GtCO2e”, diz o OC em nota.

No mundo, o desafio maior está nos combustíveis fósseis.
 
Também publicado nesta quarta, o relatório anual sobre a lacuna de emissões do  Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), aponta que quase 200 países juntos precisam reduzir as emissões de CO2 em quase um quinto até o final da década, em comparação com os níveis de 2025, para atingir a meta de “menor excesso possível”.
 
O cenário do Pnuma mira um teto de aumento da temperatura entre 1,7°C e 1,8°C acima dos níveis pré-industriais e o retorno do aquecimento médio global a 1,5°C até o final do século. 
 
E alerta que as reduções de emissões precisam ser “imediatas, profundas, rápidas e sustentadas”.
 
A agência traz alguns caminhos possíveis, no embalo de um outro relatório da ONU, de setembro, concluindo que ultrapassar o limite de 1,5°C é praticamente certo.
 
A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris foi particularmente prejudicial aos esforços, com um aumento de 133 MtCO2e em 2025, superando — e muito — o de qualquer outro país. A Turquia, anfitriã da COP31, ficou em segundo lugar, com um aumento de 24,4 MtCO2e.
 
No total, as emissões globais são estimadas em 58,4 GtCO₂e em 2025, com uma margem de incerteza de ±5,5 GtCO₂e. 
 
Se o valor se confirmar, indica uma ligeira queda de 0,1 GtCO₂e em relação aos níveis de 2024. No entanto, o relatório alerta que ainda não é possível cravar o valor de 2025, devido à ampla margem de erro.
 
“A principal conclusão é simples: os governos precisam implementar políticas que reduzam o uso de combustíveis fósseis o mais rápido possível”, comenta Bill Hare, CEO do instituto global de ciência e política Climate Analytics.
 
A organização avalia que ainda é possível limitar o aquecimento global em meados do século, próximo a 1,7°C, e reduzi-lo significativamente para menos de 1,5°C até 2100, como defendem os cientistas. Mas dependerá de boa vontade política.


CGOB no mercado europeu. A Bioo anunciou a assinatura de seu primeiro contrato de compra e venda de Certificados de Garantia de Origem de Biometano com um grande player europeu. A entrega dos CGOBs está prevista para o fim deste ano, mas depende da conclusão das etapas operacionais na ANP para emissão dos certificados.

R$ 55 bi de CDE. A área técnica da Aneel calculou em R$ 55,1 bilhões as despesas brutas da Conta de Desenvolvimento Energético em 2027, no primeiro ano de vigência do “teto” sancionado pelo governo federal em 2025. Em 2026, o montante é de R$ 52,6 bilhões.

R$ 11 milhões por apagões. A Prefeitura de São Paulo manteve a aplicação de multa no valor de R$ 11.428.615,57 à concessionária Enel por interrupções no fornecimento de energia elétrica registradas entre setembro e dezembro de 2025. A penalidade foi aplicada pelo Procon Paulistano após falhas que deixaram mais de 4 milhões de unidades sem eletricidade.

Impacto do El Niño. O fenômeno de aquecimento do Pacífico pode afetar a geração eólica nos primeiros meses de 2027, apesar de poder favorecer parcialmente a geração entre novembro e dezembro de 2026, segundo a Tempo OK. A consultoria avalia que uma queda de 4% no vento pode representar algo próximo de 10% a 12% a menos de energia. 

Usina reversível. A Aneel registrou o primeiro requerimento de outorga para um sistema de armazenamento de energia do tipo usina hidrelétrica reversível (UHR) no país. A hidrelétrica Salto Timbé do Sul, da Amur, é planejada em Timbé do Sul (SC) e terá potência instalada de 5,2 MW.

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