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Drone autônomo estreia na Feira USP e as Profissões em projeto-piloto de segurança no campus

Startup formada por estudantes da USP testa projeto com apoio do Inova USP e da Superintendência de Prevenção e Proteção Universitária

Visão aérea de uma praça com árvores, tendas grandes, uma torre ao centro e várias pessoas circulando
Visão da Feira USP e as Profissões a partir do drone autônomo – Foto: Matheus Cortes/Brasa Robótica Aérea

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Durante a Feira USP e as Profissões, de 24 a 26 de setembro, a comunidade universitária conta com o teste de uma nova tecnologia voltada à gestão logística e à segurança comunitária no campus da Capital. Um drone semiautônomo de última geração é operado a partir da Central de Monitoramento da Guarda Universitária para monitorar a feira, realizar a contagem de público, supervisionar o fluxo de ônibus e orientar o tráfego nas três portarias e na Marginal. O equipamento também auxilia no mapeamento de vagas de estacionamento e na fiscalização de ambulantes não autorizados e de estacionamentos irregulares, permitindo o acionamento rápido, por rádio, de viaturas da Guarda Universitária.

O teste realizado durante o evento integra uma Prova de Conceito (PoC) estruturada pela empresa Oxigenius, em parceria com a startup Brasa Robótica Aérea, com apoio do Centro de Inovação da USP (Inova USP) e da Superintendência de Prevenção e Proteção Universitária (SPPU). A execução do projeto é liderada pela Brasa, composta por estudantes da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA), da Escola Politécnica (Poli) e da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), entre eles Ricardo Vasconcelos, Vinícius Gomes, Felipe Beserra, Matheus Cortes e Isabela de Almeida.

Márcio Henrique da Silva, coordenador de segurança eletrônica da Superintendência de Prevenção e Proteção Universitária (SPPU) da USP – Foto: Thais Santos/Jornal da USP

“Temos drones da Guarda Universitária em todos os campi, mas eles não são autônomos. Este é autônomo e automatizado: você indica todos os parâmetros e ele faz praticamente tudo sozinho. […] Com o drone, a gente pode mudar a nossa operação no campus”, explica Márcio Henrique da Silva, coordenador de Segurança Eletrônica da Superintendência de Prevenção e Proteção Universitária (SPPU) da USP, órgão responsável pelas políticas, diretrizes e operações de segurança nos campi da Universidade. “Na Feira USP e as Profissões, o drone vai conseguir dar uma visão geral para a gente. A Guarda Universitária já está com o rádio para chamar as viaturas, acionar a mais próxima e encaminhá-la para os locais onde há veículos estacionados irregularmente.”

A viabilidade operacional da iniciativa foi garantida pela cessão da estação e da aeronave à Guarda Universitária da USP, em regime de comodato. A formalização do acordo exigiu meses de alinhamento jurídico e operacional para garantir a conformidade com os procedimentos internos da Universidade, explica Isabela, coordenadora da área de Cultura e Comunicação da startup Brasa.

Além disso, a frota opera em conformidade com as normas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Todos os equipamentos estão cadastrados no Sistema de Aeronaves Não Tripuladas (Sisant) e são resguardados pelos seguros RETA (Responsabilidade do Explorador ou Transportador Aéreo) e Casco, voltados a aeronaves e drones profissionais e à proteção dos equipamentos contra danos materiais.

Felipe Beserra, Ricardo Vasconcelos e Vinícius Gomes operando a base do drone – Foto: Matheus Cortes/Brasa Robótica Aérea

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Tecnologia 

O sistema é formado por uma estação DJI Dock 3, que opera com um drone Matrice 4TD e conta com o suporte de um DJI Mini 3. A estrutura foi projetada para operações contínuas, com carregamento automático das baterias e transferência dos dados capturados assim que o drone retorna à estação.

Os voos são realizados na modalidade EVLOS (Extended Visual Line-Of-Sight), que utiliza observadores para manter o contato visual com a aeronave, a 120 metros de altitude e em uma área de cerca de 4 km². Como as operações ocorrem em São Paulo, onde há intenso tráfego de helicópteros, foi necessária uma coordenação específica para adequar os voos ao espaço aéreo e a restrições como a área do reator nuclear do IPEN. O procedimento envolveu o uso do sistema SARPAS, a emissão de NOTAMs e a coordenação com helipontos da região.

Márcio Henrique explica que a ideia é ampliar o uso do drone para outros eventos realizados no campus, além do monitoramento dos ciclistas pela manhã. “Queremos saber quais tipos de ocorrências podemos diminuir, com o objetivo de dar mais segurança para a comunidade.” Outra possibilidade em estudo é integrar o drone ao aplicativo Campus USP. “Se uma pessoa da comunidade universitária acionar o botão de pânico, o drone vai para o local acionado para dar apoio à equipe da Guarda Universitária.” O plano operacional também prevê rondas preventivas em pontos estratégicos, como a Raia Olímpica, para coibir furtos de infraestrutura e danos ao patrimônio público.

Equipe da startup Brasa: Felipe Beserra, Augusto Raga, Ricardo Vasconcelos, Matheus Cortes, Vinícius Gomes e Isabela de Almeida – Foto: Divulgação/Brasa

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Inovação tecnológica para proteger as mulheres

A startup Brasa está incubada na Ocean, programa do Cosmos, iniciativa do Inova USP que oferece suporte ao desenvolvimento de empresas de base tecnológica. Criada com o objetivo de utilizar a inovação tecnológica para mitigar o feminicídio e proteger mulheres sob medidas protetivas, a empresa desenvolveu o Projeto DORA, que combina impacto social e segurança inteligente. A urgência da iniciativa é respaldada pelo aumento da violência contra a mulher e das medidas protetivas, conforme apontam os indicadores do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Isabela de Almeida, coordenadora da área de Cultura e Comunicação da startup Brasa – Foto: Arquivo pessoal

“A startup surge quando a gente recebe uma demanda de uma empresa que quer trabalhar no combate ao feminicídio no Brasil e enxerga os drones como uma das maneiras de tentar diminuir esse número. E aí a gente cria o Projeto DORA. O Projeto DORA é um botão de pânico que aciona o drone, o que a gente chama de first responder, para uma mulher em situação de risco”, relata Isabela.

Para validar e aprimorar a solução, a Cidade Universitária da USP foi escolhida como laboratório operacional, devido à sua grande extensão territorial e às demandas de segurança do campus. A Feira USP e as Profissões marca a primeira grande operação da infraestrutura instalada no local. A ação, porém, não faz parte do Projeto DORA propriamente dito, mas utiliza essa estrutura em benefício da comunidade universitária durante um dos grandes eventos realizados no campus.

Nos intervalos entre as missões de emergência, a equipe pretende utilizar o equipamento para prestar serviços de conveniência à comunidade. Em parceria com os desenvolvedores de um aplicativo voltado aos alunos da Universidade, o drone será testado na captação de imagens em tempo real das filas dos restaurantes universitários, os chamados “bandejões”. As imagens permitirão consultar a lotação dos refeitórios antes do deslocamento.

Ao término da Feira USP e as Profissões, o levantamento completo de dados sobre o tráfego e o público será entregue à Superintendência de Segurança para subsidiar o planejamento de futuros eventos, como corridas e feiras, e contribuir para a segurança diária dos frequentadores do campus.

Para saber mais sobre a Brasa Robótica Aérea acesse o Linkedin.

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