NESTA EDIÇÃO. Renováveis atenderam todo o crescimento da demanda elétrica da Índia nos últimos dois anos, mantendo a geração a carvão estável.
Mas a dependência de fósseis nas indústrias de aço e cimento contribuiu para o incremento de 3,7% nas emissões totais do país no primeiro semestre de 2026.
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Pela primeira vez em mais de 50 anos, a geração termelétrica a carvão na Índia alcança dois anos sem registrar aumento, mesmo com a expansão da demanda por eletricidade.
Análise do Carbon Brief também aponta que o consumo de petróleo e gás caiu em todo o país por dois anos consecutivos, em meio às oscilações do preço do barril, especialmente em 2026, após a guerra desencadeada por Estados Unidos e Israel no Irã.
Segundo o levantamento, o aumento da energia renovável manteve as emissões indianas de CO2 sob controle no setor elétrico em comparação com o primeiro semestre de 2024: após uma queda de 2,2% nos primeiros seis meses de 2025, elas voltaram a registrar um aumento de 2,3% no mesmo período deste ano.
Já as emissões de CO2 relacionadas a petróleo e gás caíram 7% no primeiro semestre de 2026, mantendo a tendência de redução observada em 2025, mesmo com o aumento do consumo no transporte rodoviário.
O país asiático vive um momento de virada de chave no setor elétrico, com o impulso nas instalações de fontes de baixa emissão, ao mesmo tempo em que gargalos na infraestrutura de transmissão e distribuição começam a impactar o ritmo dessa transição.
Dados do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA) estimam que a energia não fóssil atendeu a todo o aumento de 7% na demanda de eletricidade da Índia ao longo de dois anos, adicionando 63 terawatts-hora (TWh).
Só a geração solar ajudou a suprir 60% do incremento no consumo de eletricidade, com a adição de 77 gigawatts (GW) nesse período de dois anos.
Mas enquanto os combustíveis fósseis estagnaram no setor elétrico, indústrias de cimento e aço seguem desafiando as emissões domésticas.
A análise semestral da Carbon Brief calcula que as emissões da Índia cresceram 3,7% em relação ao ano anterior no primeiro semestre de 2026, devido ao aumento das emissões nesses setores.
As emissões de aço e cimento cresceram 8% em relação a 2025, atingindo uma participação de 23% do CO2 total da economia indiana no primeiro semestre deste ano.

Ajuste de rota
Terceira maior emissora global de gases de efeito estufa, a Índia publicou no final de março a atualização das suas contribuições nacionalmente determinadas ao Acordo de Paris (NDC, em inglês), com metas para reduzir a intensidade de carbono na economia.
Seguindo os passos da China, o governo indiano manteve a lógica do plano climático anterior, sem uma ambição específica para cortar as emissões totais. Ao invés disso, a NDC até 2035 sinaliza a intenção de alcançar uma intensidade de carbono 47% menor em comparação aos níveis de 2005.
Na prática, essa abordagem deixa espaço para aumentar o volume de emissões enquanto a economia cresce, embora o país esteja conquistando resultados positivos na sua descarbonização.
As metas para energia também são conservadoras.
No ano passado, a Índia adicionou 47 GW de capacidade solar, 6,3 GW de eólica, 4 GW de hidrelétrica e 0,6 GW de nuclear, o que levou a geração a carvão a cair pela primeira vez (fora do período da Covid-19) desde 1973.
Apesar desse ritmo, o compromisso climático é aumentar a participação da capacidade instalada de energia limpa para 60% na próxima década, ante os atuais 52,6%, abaixo das projeções do próprio governo.
A Autoridade Central de Eletricidade, órgão consultivo do Ministério da Energia indiano, estima que o aumento da capacidade de geração de energia solar e eólica elevará a participação de renováveis para 70% até 2035.
Cobrimos por aqui
Curtas
Conselho de minerais críticos. O governo federal prometeu realizar, em até dez dias, a primeira reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce). A Bahia ocupará o assento destinado aos estados e ao Distrito Federal no plenário do Cimce.
Clima nas eleições. Pesquisa Ipsos encomendada pelo Observatório do Clima indica que 91% dos eleitores brasileiros consideram importante que candidatos apresentem propostas de enfrentamento às mudanças climáticas. Entretanto, as mudanças climáticas e a crise ambiental são elencadas como o 9º problema mais importante que o Brasil precisa resolver atualmente.
- A maioria pesquisada (68%) considera, ainda, que o governo brasileiro não tem um plano claro para enfrentar as mudanças climáticas. Enquanto 41% concordam totalmente com a expansão da produção do petróleo para áreas ambientalmente sensíveis, como a Foz do Amazonas.
Energia para data centers. O presidente da EPE, Thiago Prado, defende que o debate sobre a regulamentação do Redata incorpore o mecanismo de resposta da demanda como forma de otimizar a infraestrutura energética para abastecimento dos centros de processamento de dados no Brasil.
- A lei que cria o regime especial para data centers foi sancionada esta semana, apesar da falta de consenso no governo sobre o enquadramento ou não do gás natural como fonte de baixa emissão na política.
Gás de Vaca Muerta. A TGN anunciou nesta quinta (17/9) que pretende abrir ainda este mês um processo de oferta de capacidade do Gasoduto Manuel Belgrano – um novo projeto de infraestrutura que visa aumentar a capacidade de movimentação do gás natural de Vaca Muerta e que pode abrir espaço para ampliar as exportações ao Brasil a partir de 2029.
Ajuste no diesel. A Petrobras confirmou na noite de quarta-feira (16/9) que vai aderir à subvenção adicional de R$ 1 por litro de diesel, com validade de 30 dias. Com isso, a companhia vai ajustar o preço do combustível na mesma proporção, mas os preços para as distribuidoras permanecerão inalterados, enquanto valer o subsídio.
Petrobras na Costa do Marfim. A subsidiária Petrobras Netherlands B.V. (PNBV) assinou contratos de Partilha de Produção com a República da Costa do Marfim e a Petroci Holding para oito blocos exploratórios offshore no país africano. A PNBV terá 90% de participação e atuará como operadora dos ativos.
Rios secos. O mundo está entrando em um período em que o fornecimento anormal de água está se tornando a norma, com o fluxo dos rios, as águas subterrâneas e as geleiras apresentando sinais de perturbação contínua, alertou a agência meteorológica da ONU nesta quinta (17). A avaliação mostra que 2025 foi um dos anos mais secos em todo o mundo nos últimos 35 anos.






