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Rio Ocean Week debate fontes e soluções para poluição marinha

Quando se fala em poluição marinha, garrafas, sacolas e embalagens descartadas aparecem entre as imagens mais conhecidas. Parte da contaminação do oceano, porém, é praticamente invisível e pode ter origem na lavagem de roupas sintéticas, no desgaste de pneus, em cosméticos, medicamentos, fertilizantes e até na poeira urbana. Essas diferentes fontes de poluição estarão no centro da Rio Ocean Week 2026, que acontece de 17 a 20 de setembro, no Museu do Amanhã e no Complexo Cultural da Marinha, no Rio de Janeiro.

Com o tema “Poluição marinha: diagnósticos e soluções”, o maior festival de cultura oceânica da América Latina reunirá cientistas, organizações ambientais, representantes do poder público e da iniciativa privada para discutir como reduzir a chegada de contaminantes ao mar e promover uma relação mais sustentável entre cidades, economia e oceano.

Ideias Azuis: os caminhos da poluição até o mar

barreira para óleo com fios de cabelo
Pescadores artesanais da Baía de Guanabara instalam barreira para proteger manguezal na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro. Foto: Edgar Costa | Fundação Grupo Boticário

A programação dos painéis Ideias Azuis começa no dia 17 de setembro com “Lixo no mar: chegou a hora da faxina”, que discutirá como evitar a chegada de resíduos ao oceano e promover a retirada do material já presente no ambiente.

No mesmo dia, o painel “Microplásticos: o inimigo invisível” abordará partículas menores que cinco milímetros, que podem surgir da fragmentação de plásticos maiores ou ser liberadas por diferentes produtos e atividades cotidianas, como a lavagem de roupas sintéticas e o desgaste de pneus.

Participam do debate Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico da USP; Ricardo Voivodic, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima; e Camila Hubner Barcellos, da Associação Brasileira da Indústria Química.

Também estarão em pauta:

  • Saneamento e universalização: os desafios para ampliar a coleta e o tratamento de esgoto;
  • Cidades e rios: o caminho percorrido por resíduos e contaminantes, do bueiro ao mar;
  • Óleo no oceano: impactos, prevenção e respostas a vazamentos;
  • Agrotóxicos e fertilizantes: efeitos sobre rios, zonas costeiras e biodiversidade;
  • Acidificação do oceano: consequências das mudanças químicas na água do mar;
  • Medicamentos e entorpecentes: presença desses compostos na água e na fauna marinha;
  • Resíduos sólidos: estratégias para reduzir o descarte e retirar materiais já acumulados no ambiente.
barreira de corais
Barreira de corais na Praia de Boa Viagem, em Recife, Pernambuco. Foto: Agência Brasil

O saneamento será abordado nos painéis “Como manter o rumo em direção à universalização do saneamento” e “Cidades e rios: do bueiro ao mar”. Os encontros mostrarão como esgoto e resíduos percorrem ruas, sistemas de drenagem, rios e cursos d’água até alcançar as regiões costeiras.

“Os microplásticos mostram de maneira muito clara como o oceano está conectado às escolhas de consumo, aos processos produtivos e à infraestrutura das cidades. Enfrentar o problema exige atuar antes que esses materiais cheguem ao ambiente, combinando ciência, inovação, políticas públicas e responsabilidade compartilhada”, afirma Turra, que também coordena a Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano.

 

Economia Azul: desenvolvimento com conservação 

A programação também discutirá como as atividades econômicas ligadas ao mar podem gerar renda, inovação e qualidade de vida sem comprometer a conservação dos ecossistemas.

Entre os temas da Economia Azul, estão:

  • Turismo costeiro sustentável;
  • Pesca responsável e valorização das comunidades tradicionais;
  • Saneamento como infraestrutura para o desenvolvimento;
  • Restauração de manguezais, rios e ambientes costeiros;
  • Inovação e tecnologias para reduzir a poluição;
  • Uso sustentável dos recursos marinhos;
  • Integração entre conservação ambiental, políticas públicas e atividade econômica.
BALEIA JUBARTE EM ILHABELA
Baleia jubarte avistada em Ilhabela, litoral norte de São Paulo. Foto: Paulo Stefani | Secretaria de Turismo

Além dos painéis, mais de 30 instituições de conservação marinha e pesquisa apresentarão projetos e iniciativas no Cais do Porto. O evento também contará com uma extensa programação cultural, com documentários comentados, exposições, atividades educativas e encontros com especialistas. Entre as atrações, o público poderá ainda visitar navios abertos à visitação, ampliando a experiência e a conexão com o universo marítimo.

Rio Ocean Week 2026

  • Quando: 17 a 20 de setembro
  • Onde: Museu do Amanhã – Praça Mauá, Rio de Janeiro
  • Programação e inscrições: www.riooceanweek.com.br
  • Entrada gratuita – Ingressos podem adquiridos pelo Sympla
Rio Ocean Week
Imagem: Divulgação

De 17 a 20 de setembro de 2026, o Museu do Amanhã (Praça Mauá, Rio de Janeiro) será palco da segunda edição da Rio Ocean Week, o maior movimento de cultura oceânica da América Latina. Durante quatro dias, o público terá acesso gratuito a uma programação que reúne mais de 50 painéis e atividades, com 70 palestrantes nacionais e internacionais e a participação de mais de 30 instituições de conservação marinha e de pesquisa. Com realização do Ministério da Cultura, o evento tem o patrocínio de Instituto Aegea e Wilson Sons.

A iniciativa é idealizada pela Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano (USP), em parceria com a MídiaMar Comunicação, e integra o movimento internacional da Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021–2030). 

 

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