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Robô flexível movido a luz continua pulando para sempre

Robótica

Redação do Site Inovação Tecnológica – 16/09/2026

Robô flexível movido a luz continua pulando para sempre

O trabalho demonstra um novo princípio de reinicialização automática de um mecanismo, neste caso aplicado à robótica flexível.
[Imagem: Fangjie Qi/NCSU]

Robô com reinicialização automática

Dispare luz infravermelha – a mesma luz invisível usada nos controles remotos – sobre essas pequenas estruturas circulares e elas vão começar a saltar para cima e para frente “para sempre” – na verdade, enquanto a luz estiver acesa.

Esses pequenos robôs macios são feitos de uma fita de elastômero de cristal líquido em formato de gota, com um tubo fino de alumínio em forma de V em uma das extremidades.

Quando exposta à luz de uma lâmpada infravermelha, a superfície da fita se contrai, fazendo com que ela gire. O V rígido em uma das extremidades do robô impede que a fita gire solta sobre si mesma, forçando-a a torcer-se cada vez mais. Isso armazena energia até que a torção atinja um ponto crítico, quando então a fita libera repentinamente toda a energia: O V na extremidade da gota se projeta para baixo e atinge a superfície, ancorando-se e lançando o anel no ar.

Após liberar a energia armazenada, o robô retorna à sua forma original e tudo recomeça. O processo se repetirá continuamente enquanto o dispositivo estiver exposto à luz infravermelha.

“Este projeto de ‘anel saltador’ é muito simples,” reconhece o professor Jie Yin, da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA. “Usamos torção para armazenar energia elástica e, em seguida, liberamos essa energia de uma só vez. E a natureza do projeto significa que ele não precisa ser reiniciado entre os saltos. Ele se reinicia sozinho.”

Robô flexível movido a luz continua pulando para sempre

Esquema da construção e do movimento do robô saltitante.
[Imagem: Fangjie Qi et al. – 10.1073/pnas.2607940123]

Controle dos saltos

Embora um tanto “automático”, é possível ajustar o projeto para que o movimento do robô siga um planejamento prévio.

“Se o ‘V’ na extremidade da gota for muito amplo – um ângulo de 120 graus – o robô simplesmente rasteja para a frente. Se você reduzir o ângulo para 90 graus, ele salta para a frente. E se você reduzir o ângulo ainda mais, para 50 graus, o robô dá um salto vertical. Em outras palavras, um único parâmetro geométrico determina se ele rasteja, salta para a frente ou dá um salto para cima,” descreveu o pesquisador Fangjie Qi.

Também é possível aumentar a distância do salto adicionando um pequeno peso à porção mais arredondada do anel. “Isso altera o centro de massa do robô e resulta em um movimento para frente mais potente e estável – muito parecido com um nadador se inclinando para a frente ao saltar do bloco de partida,” disse Qi.

Além disso, há a possibilidade de um certo controle direcional por meio da intensidade da luz infravermelha que dispara o movimento do robô. “[A luz] tem que ser forte o suficiente para induzir o comportamento de salto, mas não forte demais, porque isso pode fazer com que o robô pule de forma errática e em direções imprevisíveis,” detalhou Qi.

Qual é a utilidade de um robô assim? “Não existem aplicações imediatas para este trabalho, mas trata-se de um avanço fundamental que vale a pena explorar para uso potencial em navegação ambiental, robótica de enxame e navegação em terrenos não-estruturados,” defende o professor Yin.

Bibliografia:

Artigo: A Self-Resetting Soft Ring for Autonomous, Continuous Leaping in Unstructured Environments
Autores: Fangjie Qi, Caizhi Zhou, Haitao Qing, Haoze Sun, Yaoye Hong, Jie Yin
Revista: Proceedings of the National Academy of Sciences
Vol.: 123 (35) e2607940123
DOI: 10.1073/pnas.2607940123

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