A indústria é a maior vítima de cibercriminosos, acima até mesmo das organizações governamentais. Neste particular, as pequenas e médias empresas já são os principais alvos. Os dados foram compartilhados durante o Exercício Guardião 8.0, maior treinamento de cibersegurança do Hemisfério Sul que acontece até sexta-feira no DigiTech Firjan SENAI, no Rio, e em outros seis estados. Organizado pelo Exército com a parceira da Firjan SENAI, o evento vai até sexta-feira (25) e conta com participação de cerca de 20 empresas e instituições fluminenses estratégicas para a sociedade. Segundo o estudo apresentado no “Panorama de Ciberameaças no Brasil: tendências e perspectivas para o próximo ano“, 18,7% das incidências de média e baixa gravidade (como acessos indevidos abortados rapidamente) foram registrados nas indústrias, enquanto 18,5%, nos governos. Já as ocorrências de alta severidade (como extração e sequestro de dados), 18,5% foram no poder público, enquanto 16,6% ocorreram na indústria. “O sequestro de dados é um mercado extremamente lucrativo, mas os criminosos não estão mais focando em organizações de grande porte. Se eles conseguirem invadir 100 ou 1.000 sistemas e duas pagam pela devolução dos dados, para os criminosos já terá valido a pena“, disse Cristian Souza, especialista em Resposta a Incidentes e doutorando em Ciências da Computação pela Universidade de São Paulo, acrescentando que a descoberta de senhas fáceis é a principal tática utilizada pelos cibercriminosos.
Para Alexandre Reis, diretor-executivo Operacional do Sistema Firjan e diretor-executivo SESI SENAI, o alerta aumenta a importância da qualificação profissional empreendida pelo DigiTech Firjan SENAI. “Diante do aumento dos
crimes cibernéticos, investir na qualificação de profissionais e na preparação das equipes é cada vez mais estratégico para a segurança e a competitividade da indústria. E o DigiTech está de portas abertas para ajudar profissionais e empresários a olharem com atenção para uma área que, hoje, é fundamental e básica para qualquer negócio“,O Rio é o terceiro estado do país com mais incidentes cibernéticos registrados na Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), atrás apenas de São Paulo e do Distrito Federal. Nos últimos cinco anos, houve um aumento de 95% no número total de ataques, segundo a agência. E, segundo representantes da Polícia Federal e de outros órgãos de prevenção a incidentes cibernéticos presentes no seminário, já é possível identificar que a Inteligência Artificial ampliou as possibilidades e quantidade de ataques no Brasil, tanto automatizando varreduras de sistemas quanto aprimorando o Phishing, golpe cibernético onde criminosos se fazem passar por pessoas e instituições.
Luciana Durbano, COO da EcoTrust – uma plataforma agêntica de gerenciamento de exposição a ameaças, parceira do DigiTech Firjan SENAI, com atuação em todo o Brasil e em Angola – conta que até mesmo sua empresa, especializada no tema, recebe ataques diariamente. “Para nós, que trabalhamos diretamente com cibersegurança, é uma questão de vida ou morte da empresa. São ataques que vão desde tentativas de roubo de credenciais ao sequestro de dados, e vindos de toda parte do mundo, como mostra nossa plataforma em tempo real. É um problema real e grave, que precisa de atenção especial de instituições e empresas de todos os portes. Daí a importância de nos qualificarmos e participarmos de ações como esta.” O treinamento realizado no Exercício Guardião 8.0 envolve gabinetes de crise com setores diversos, do financeiro ao jurídico; simulação de ataques de sistemas feitos pelo Exército, a partir de Brasília, contra as equipes de defesa de empresas e instituições localizadas nas capitais, como, no caso do Rio, no DigiTech Firjan SENAI. Participam cerca de 20 empresas de setores estratégicos para a sociedade, como MetrôRio, Light e Detran RJ, além de indústrias dos mercados de óleo e gás, siderurgia e outras.






