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Da célula a combustível ao CCS: as apostas para descarbonizar o gás dos data centers

NESTA EDIÇÃO. A disputa do Redata sobre o uso do gás natural abre espaço para tecnologias capazes de reduzir suas emissões. 

Células a combustível, integração com biometano e captura e armazenamento de carbono estão entre as alternativas.

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A possibilidade de incluir o gás natural entre as fontes de baixa emissão que os data centers terão que contratar para receber incentivos no Brasil segue indefinida, enquanto o mercado aguarda a regulamentação da política sancionada no dia 15 de setembro.
 
A expectativa era que o decreto fosse assinado nesta segunda (28/9).
 
Com o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), o governo espera atrair investimentos da ordem de R$ 500 bilhões, a partir de benefícios fiscais de até R$ 7,2 bilhões entre 2026 e 2028.
 
Para as isenções de tributos federais, as instalações precisarão comprovar a contratação de energia elétrica 100% renovável ou de baixa emissão. E é este termo que está em disputa no governo.

A Fazenda, responsável pelo desenho do programa, tem pressionado para que o presidente Lula (PT) sancione o decreto regulamentador sem incluir o gás natural como fonte energética incentivada, mantendo assim a ênfase em fontes renováveis. 
 
A disputa coloca em lados opostos o Ministério de Minas e Energia (MME), publicamente favorável ao uso do gás natural no programa, e a Fazenda, contrária à inclusão.
 
Na sexta-feira (25/9) à tarde, representantes do setor privado de gás natural se reuniram com interlocutores do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para tentar destravar as conversas, que permanecem bloqueadas na Fazenda.
 
Entre as possibilidades discutidas estão excluir o gás, aceitá-lo integralmente ou permitir seu uso condicionado a mecanismos de compensação, como créditos de carbono, uso de biometano e tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCS). Ou, ainda, de que forma será aceita a utilização do gás, a exemplo de backup em situações de queda de energia.
 
Fontes que participaram da reunião afirmaram à agência eixos que, sem o gás natural no decreto, o Redata cria uma espécie de reserva de mercado para as energias renováveis, o que pode trazer desafios para projetos de data centers no Sul e Sudeste do país. Leia na matéria de Gustavo Gaudarde e Gabriel Chiappini



A atração de infraestrutura digital para o Brasil significa uma alavanca da demanda energética e abriu uma frente de disputa sobre quem irá abastecer os centros de dados. 
 
O MME contabiliza 38 GW em pedidos de conexão de data centers à rede — o equivalente a quase um terço da capacidade instalada do país.
 
No mundo todo, o consumo de energia por servidores de inteligência artificial deve dobrar até 2030. Estimativas da Kearney apontam que em 2025, os servidores de IA representaram entre 23% e 27% da eletricidade consumida pelos centros de dados.
 
Enquanto o IDTechEx projeta que a capacidade instalada de energia em data centers em todo o mundo ultrapassará 300 GW até 2036, cerca do triplo do valor atual, com a aceleração do crescimento da IA exigindo cada vez mais mais eletricidade.
 
E mesmo com as big techs fechando contratos de longo prazo com parques eólicos e solares, investindo em startups de baterias e apostando nos pequenos reatores nucleares, o gás natural também segue no radar como opção de energia firme — e é aí que diferentes possibilidades começam a se desenhar.

A grande crítica de quem é contra o gás natural como “fonte de baixa emissão” no Redata vem do fato de o combustível ser de origem fóssil e liberar emissões de gases de efeito estufa que contribuem com as mudanças climáticas.
 
Mas há caminhos para reduzir esse impacto climático e eles vão desde os mais acessíveis, como substituição de geradores a diesel e a integração com o biometano, até aqueles que ainda precisam ganhar escala e viabilidade econômica, como as células a combustível e o CCS.
 
Ainda de acordo com a recente análise do IDTechEx, o uso de células a combustível abastecidas por gás natural liberam menos CO2 do que os processos de combustão tradicionais e podem, posteriormente, passar a funcionar com 100% de hidrogênio renovável, quando este ganhar escala.
 
Um exemplo dessa aplicação vem da American Electric Power (AEP) que, em janeiro de 2026, fechou um acordo de US$ 2,65 bilhões para implantar até 1 GW de células a combustível de óxido sólido da Bloom Energy em data centers de AI. 
 
A captura de carbono é outra solução, com potencial para reduzir as emissões de CO2 de usinas termelétricas convencionais a combustíveis fósseis em mais de 95%, aponta o IDTechEx.
 
Em outubro de 2025, o Google anunciou seu primeiro projeto de captura e armazenamento de carbono, em parceria com a Broadwing Energy, em Decatur, Illinois. A intenção é capturar e armazenar permanentemente aproximadamente 90% de suas emissões de CO2 de geradores a gás. 
 
Projetos como esses, no entanto, precisam de precificação do carbono e financiamento para serem competitivos. Além de dependerem de infraestrutura de transporte e armazenamento de CO2, o que pode fazer com que novos projetos de CCS em larga escala levem mais de cinco anos para serem desenvolvidos
 
Segundo a consultoria, na União Europeia e América do Norte, onde há precificação de carbono e políticas de financiamento, esses projetos tendem a se tornar mais atrativos primeiro.


Onda de calor. O Inmet alerta para uma onda de calor que atinge os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. As temperaturas devem ficar 5°C acima da média nessas localidades nesta segunda-feira (28). (Agência Brasil)
 
Acima de 40ºC. Cidades do interior do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil podem registrar temperaturas superiores a 40°C neste início de semana, em decorrência da onda de calor que atinge boa parte do país desde sábado. (Agência Brasil)
 
Térmicas em capacidade máxima. A Índia ordenou que mais de 100 usinas termelétricas a carvão operem em capacidade máxima de 1º de outubro até o final do ano para atender ao que espera ser um aumento na demanda por eletricidade causado pelo fenômeno climático El Niño, que eleva as temperaturas mais do que o normal. (Reuters)
 
Rio Tinto testa CCS. A mineradora encomendou uma instalação experimental para capturar dióxido de carbono do gás de alto-forno nas operações da siderúrgica chinesa Shougang Group. A instalação, localizada na base de Jingtang da Shougang, na China, pode capturar até 10 mil toneladas de CO2 anualmente. (Reuters)
 
Selo Verde. O Inmetro colocou em consulta pública proposta de Requisitos de Avaliação da Conformidade (RAC) para sustentabilidade de produtos e serviços do Programa Selo Verde Brasil. Interessados podem analisar a proposta e apresentar sugestões por meio da plataforma Brasil Participativo até 18 de outubro.

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