Com etapas de seis meses em cada país, iniciativa poderá envolver pesquisadores e estudantes da Universidade de São Paulo, o Inova e o Supera Parque

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Um programa lançado em setembro, em Nova Délhi, na Índia, propõe apoiar jovens empreendedores no desenvolvimento de tecnologias para demandas de saúde. Chamado BRICS+ Biodesign, prevê atividades no Brasil e na Índia e poderá envolver pesquisadores e estudantes da USP. “É uma aceleradora compartilhada entre o ecossistema do Brasil e o da Índia”, explica Antonio Adilton Oliveira Carneiro, professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP.
Carneiro participou do lançamento como representante da Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB), da qual é vice-presidente e responsável pelas relações internacionais. Na ocasião, assinou pela entidade um memorando de entendimento para a cooperação no programa. “A ideia é assinar esse termo também com a USP”, afirma.
Segundo o professor, as conversas com o Inova USP e o Supera Parque buscam viabilizar a participação dessas estruturas nas atividades previstas no Brasil. “É uma dinâmica empreendedora que acelera um jovem empreendedor com o seu projeto da ideia ao mercado”, explica. A proposta prevê seis meses de trabalho em um ecossistema de inovação no Brasil e outros seis meses na Índia. Na primeira etapa, o participante deverá identificar uma demanda e começar a desenvolver seu projeto. Na segunda, terá acesso à estrutura indiana para avançar na construção do protótipo, nos testes e nos procedimentos regulatórios necessários, conforme as características de cada projeto.
Pesquisas e ambientes de inovação poderão integrar o programa
A articulação para a participação da Universidade inclui a possibilidade de envolver projetos do grupo de inovação e instrumentação médica coordenado por Carneiro. “Nós temos essa preocupação muito grande de acelerar a transferência das nossas pesquisas para o mercado”, afirma.
Segundo o pesquisador, a intenção é organizar uma primeira experiência com a participação de pesquisadores e estudantes da USP. O programa também poderá envolver outras instituições.
Para a etapa brasileira, a proposta é aproveitar atividades já existentes, como a residência em inovação do Inova USP e iniciativas de formação do Supera Parque. Projetos na área da saúde poderão integrar esse percurso, conforme o modelo do programa que está sendo definido. “A ideia é usar o nosso ecossistema e toda a sinergia já desenvolvida, todo o trabalho, o esforço de várias iniciativas e usar isso como contrapartida.”
A SBEB participa da articulação entre os setores envolvidos. “A Sociedade vem desenvolvendo um papel importante, ultimamente, de articulação e conexão para promover um diálogo entre a academia, a indústria e o governo”, afirma Carneiro.

Tecnologias desenvolvidas a partir de demandas de saúde
Como exemplo de projeto que poderia participar do programa, Carneiro cita uma tecnologia em desenvolvimento para identificar a posição de uma sonda durante sua colocação. A proposta combina ultrassom e técnicas magnéticas.
Para transformar esse desenvolvimento em produto, explica, são necessárias etapas como a construção de protótipos, os testes e os procedimentos regulatórios. Segundo o pesquisador, parte desse trabalho poderia ser realizada na estrutura disponível na Índia. “Essa parte podia ser feita lá, por exemplo, seria mais rápido e com todo o apoio deles.”
O professor também menciona um tomógrafo de mama e outros dispositivos biomédicos que precisam avançar nas etapas de desenvolvimento e avaliação. A escolha dos projetos deverá considerar as demandas identificadas pelos participantes e a viabilidade das soluções propostas. “A ideia é sempre essa, que se desenvolvam tecnologias que de fato tenham impacto na sociedade e que sejam sustentáveis”, afirma.
De acordo com Carneiro, reduzir a dependência de tecnologias importadas está entre os objetivos da iniciativa. “O foco principal desse projeto é nos tornarmos menos dependentes de importação na área de tecnologia da saúde.”
Ele associa esse objetivo à formação dos participantes e ao desenvolvimento de soluções orientadas por necessidades concretas. “Para acelerar a formação de recursos humanos, acelerar o desenvolvimento de protótipo baseado em demanda, minimizar a importação de equipamento.”

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Estrutura na Índia reúne indústrias e centros de pesquisa
A etapa de desenvolvimento na Índia está prevista para ocorrer no Andhra Pradesh MedTech Zone (AMTZ), que organiza o programa com apoio do gabinete do principal assessor científico do governo indiano. Carneiro visitou o complexo durante a viagem. “Durante minha visita, eu fiquei de fato impressionado com o desenvolvimento tecnológico”, relata. “Existe ali uma injeção de energia e recursos financeiros e, principalmente, recursos humanos altamente qualificados.”
Segundo o professor, o ecossistema reúne mais de cem indústrias já exportadoras, três incubadoras e uma estrutura de pesquisa e testes em modelos animais. Ele destaca também as capacidades de desenvolvimento de componentes físicos e de sistemas de controle dos equipamentos, áreas que identifica como um dos gargalos locais. “Nós não temos aqui na região de Ribeirão centros avançados nessa parte de hardware e firmware voltados para a área da saúde”, afirma.
Para Carneiro, a formação profissional precisa ser complementada pela experiência de desenvolvimento de um produto. “Entre o conhecimento científico adquirido até chegar a um produto, existe um outro aprendizado que não se tem na faculdade.”
Seleção e financiamento estão em definição
A seleção dos participantes deverá ser realizada por uma comissão com representantes do Brasil, da África do Sul, da Rússia e da Índia. Carneiro informa que, neste início de organização, participa como representante brasileiro.
O modelo da chamada ainda não havia sido publicado no momento da entrevista. Segundo o professor, o desenho inicial prevê cerca de trinta vagas e recursos para custear atividades nos locais que receberão os participantes.
A previsão apresentada por ele é de 2.500 dólares para o local de desenvolvimento no Brasil e 2.500 dólares para o local na Índia. “Esses 5.000 mil dólares não são para pagar bolsa de estudante, são para custeio no local que irá acelerar”, esclarece. O transporte deverá ser viabilizado pelo empreendedor ou por outras fontes de financiamento e contrapartidas.
Carneiro afirma que o modelo do programa está sendo discutido semanalmente e que os parceiros indianos pretendem divulgá-lo em novembro. No Brasil, ainda são necessárias conversas com as instituições envolvidas e a preparação da documentação.
Ao final de um ano, a previsão é avaliar o avanço de cada participante no desenvolvimento e na validação do protótipo em relação à ideia inicial. Carneiro destaca a formação de um “jovem empreendedor com visão da bancada ao mercado” como o principal produto do programa.






