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Medir, mitigar e mobilizar: o que a Semana do Clima mostrou

reciclagem vidro
Coleta de garrafas de vidro na região de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo. Foto: Divulgação | Green Mining

O início da Semana do Clima de Nova York me fez pensar em três verbos que precisam caminhar juntos. Medir, mitigar e mobilizar. Em salas de reunião, painéis internacionais e até nos telões da Times Square, a pergunta era a mesma: como fazer a ação climática sair do discurso e chegar à operação?

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Participei de uma sessão na Celonis dedicada à tecnologia aplicada à medição de carbono. Foi apresentada uma solução que conecta dados das empresas e de seus fornecedores para ajudar a calcular emissões de Escopo 3 — aquelas que surgem ao longo da cadeia de valor e que, muitas vezes, são as mais difíceis de enxergar.

Essa integração é um avanço. Dados mais organizados podem dar às empresas uma visão melhor de onde estão suas emissões e apoiar decisões sobre compras, processos e fornecedores. Mas a conversa também me trouxe uma inquietação.  Quando o resultado depende de informações inseridas manualmente e de interpretações diferentes para cada elo da cadeia, a tecnologia, por si só, não elimina o risco de erro.

Na Green Mining, buscamos responder a esse desafio com metodologias ancoradas em documentos, registros das operações e rastreabilidade dos materiais. A qualidade de um cálculo depende da qualidade da evidência que o sustenta. Quanto mais perto o dado estiver do que efetivamente aconteceu, maior será a confiança para medir resultados e orientar mudanças.

etiquetas reciclagem
Foto: Green Mining

Em um painel de especialistas, levei essa reflexão um passo adiante. Adaptar cidades e negócios aos impactos climáticos é indispensável. Ainda assim, não podemos deixar que o crescimento do discurso sobre resiliência diminua a urgência de mitigar as emissões que agravam a crise. Usei uma imagem provocativa: nem o dinossauro mais resiliente resistiu às grandes mudanças do planeta. É uma metáfora, claro, mas ajuda a lembrar que a adaptação tem limites.

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Tenho observado que, em alguns ambientes, expressões como “sustentabilidade” e “mudanças climáticas” passaram a enfrentar resistência. “Resiliência climática” abriu espaço para manter a conversa. Que a conversa continue — e que inclua, com clareza, a tarefa de reduzir emissões na origem.

Na Semana do Clima, a escala da mobilização empresarial ganhou forma. Ricardo Mussa, chair da Sustainable Business COP (SB COP), anunciou no encontro que a articulação havia alcançado 123 entidades representativas, cujas redes abrangem mais de 55 milhões de empresas. Para mim, o valor desse número está na possibilidade de fazer recomendações construídas pelo setor produtivo chegarem aos negociadores dos países e, depois, se converterem em ações.

reciclagem catadores natura
Cooperativa Vira-Lata. Foto: Matheus Gondias

No fórum de alto nível “Do Balanço Global à Implementação: da COP30 à COP31 e Além”, promovido pela CNI com a SB COP e o Climate Champions Team, acompanhamos a discussão sobre como conectar metas climáticas a investimentos, parcerias e resultados. O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, participou do encontro. Na ocasião, foram apresentadas a ele contribuições da SB COP para a continuidade da agenda rumo à COP31, na Turquia.

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Outro marco foi a assinatura de uma Declaração Conjunta de Intenção entre a SB COP e o Climate Champions Team, representados por Ricardo Mussa e Lisa Larsen. A proposta é estruturar uma parceria que aproxime as redes empresariais da agenda climática global e preserve a continuidade entre conferências. A presença de representantes ligados às COPs 30 e 31 reforçou o sentido dessa passagem: implementação não pode ser reiniciada a cada mudança de presidência.

No mesmo período, a Green Mining levou aos telões da Times Square imagens de atividades realizadas no Brasil com parceiros como Grupo Boticário, Electrolux, Coca-Cola FEMSA, Unilever, Ambev e GWM. Ver esse trabalho ganhar visibilidade no coração de Nova York foi emocionante. Também foi uma oportunidade de mostrar que soluções brasileiras de logística reversa, reciclagem e descarbonização podem contribuir para uma conversa global sobre o clima, afinal temos o primeiro projeto brasileiro de Crédito de Carbono da Reciclagem listado na Gold Standard.

green mining na times square
Foto: Instagram | GReen Mining

Um telão alcança muita gente, mas o impacto climático nasce fora dele: na recuperação de materiais, na participação de quem faz a coleta, na colaboração entre empresas e na no foco na descarbonização da cadeia de valor com créditos que direcionam o investimento corretamente. É ali que a mensagem exibida em Nova York precisa encontrar sua medida.

Saio desses primeiros dias com uma síntese: medir melhor é necessário para saber onde agir; mitigar é o objetivo que não podemos perder de vista; mobilizar é o caminho para dar escala às soluções. Se conseguirmos manter esses três movimentos conectados, a passagem da COP30 para a COP31 poderá significar mais do que continuidade institucional. Poderá significar execução.

Rodrigo Oliveira
Colunistas CicloVivo: Neste espaço, especialistas de diversas áreas compartilham opiniões e pontos de vista, que não necessariamente refletem o posicionamento do CicloVivo.

 

 

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