O setor global de infraestrutura de transporte de CO₂ pode movimentar US$ 211 bilhões até 2060, segundo um novo relatório da Wood Mackenzie. O estudo revela que o transporte vem se tornando um fator determinante para a viabilidade de projetos de captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS, na sigla em inglês) em todo o mundo. Os investimentos previstos poderiam viabilizar o transporte global de 3 bilhões de toneladas de CO₂ por ano, das quais 200 milhões de toneladas cruzariam fronteiras internacionais.
De acordo com a Wood Mackenzie, a região da Ásia-Pacífico concentrará cerca de 60% dos investimentos totais, em razão das longas distâncias de transporte e dos grandes volumes projetados de CO₂. Na sequência, aparecem América do Norte e Europa. Os gasodutos concentram a maior parcela dos investimentos, conectando emissores — localizados principalmente em terra — a locais de armazenamento geológico terrestres e offshore.
No entanto, a diferença entre os volumes de CO₂ emitidos e a disponibilidade de capacidade de armazenamento doméstica vem impulsionando o comércio internacional de CO₂ e o transporte marítimo de dióxido de carbono liquefeito (LCO₂), especialmente na Europa e na Ásia-Pacífico.
“A geografia define o desafio do transporte, enquanto a economia determina se o CO₂ será transportado por dutos, navios ou por uma combinação dos dois”, afirma Stephanie Chiang (foto ao lado), analista sênior de pesquisa em CCUS da Wood Mackenzie. “Os custos de transporte por gasodutos e navios são comparáveis para distâncias de até 1.000 quilômetros, mas a viabilidade econômica depende de outros fatores, como a disponibilidade de infraestrutura existente”, acrescentou.
A adaptação de gasodutos existentes para o transporte de CO₂ poderia reduzir os investimentos de capital em mais de 60% e cortar pela metade os custos totais de transporte. Isso melhoraria significativamente a competitividade econômica dos dutos em relação ao transporte marítimo. Ainda assim, nem toda infraestrutura pode ser reaproveitada, o que exigirá avaliações técnicas rigorosas.
Gasodutos e navios apresentam estruturas de custos e perfis de risco distintos. Os gasodutos exigem altos investimentos iniciais, principalmente em aço e construção, além de taxas elevadas de utilização para recuperar o capital investido. Já o transporte marítimo é mais influenciado pelos custos operacionais, com combustíveis e eletricidade respondendo por mais de 50% dos custos nivelados. Por isso, os navios oferecem maior flexibilidade de capital e operação, especialmente para projetos em estágio inicial.
“Gasodutos e navios envolvem diferentes vantagens e desvantagens. Os dutos se tornam mais econômicos à medida que os volumes aumentam, enquanto o transporte marítimo oferece a flexibilidade necessária para que projetos em estágio inicial administrem seus riscos. A melhor solução nem sempre é a mais barata”, afirma Bo Frohlich (foto principal), analista de pesquisa em CCUS da Wood Mackenzie.
No transporte marítimo internacional, a escolha da configuração de pressão também é importante. Navios de baixa pressão transportam cargas mais densas e em embarcações maiores e em menor número. Em longas distâncias, essa configuração pode reduzir os custos em até 34% em comparação com alternativas de média pressão. A diferença é pequena em rotas europeias mais curtas, mas se torna decisiva nas distâncias típicas do transporte internacional na Ásia-Pacífico — região que reúne desafios e oportunidades significativos para o transporte internacional de CO₂.
Até 2060, a demanda por esse tipo de transporte proveniente de Japão, Coreia do Sul, Singapura e Taiwan deverá alcançar 164 milhões de toneladas por ano, diante de uma capacidade de armazenamento de 187 milhões de toneladas anuais na Austrália e no Sudeste Asiático. Austrália, Indonésia e Malásia deverão se consolidar como os principais polos regionais de armazenamento, disputando o atendimento à demanda dos países do norte da região.
O Japão ilustra a dimensão do desafio de desenvolver projetos de captura e armazenamento de carbono (CCS) que dependem de transporte internacional. Para alcançar a neutralidade de carbono, o país pretende armazenar entre 120 milhões e 240 milhões de toneladas de CO₂ por ano até 2050, mas dispõe de potencial limitado de armazenamento doméstico.
A Wood Mackenzie estima que o Japão poderá precisar transportar quase 50 milhões de toneladas de CO₂ por ano para outros países, volume próximo ao de suas importações domésticas de gás natural liquefeito (GNL), que somam cerca de 65 milhões de toneladas anuais. Apenas o transporte internacional de CO₂ por navios poderia acrescentar US$ 40 por tonelada de CO₂, representando quase 30% do custo nivelado total de CCS no país.
A comparação entre as alternativas de transporte marítimo e por gasodutos offshore no Japão também evidencia a existência de limites de capacidade a partir dos quais uma opção se torna mais vantajosa. Para volumes de 5 milhões de toneladas por ano, o transporte marítimo passa a ser mais econômico em distâncias superiores a 400 quilômetros.






