NESTA EDIÇÃO. Inclusão de blocos com potencial para fracking no leilão da ANP ocorre às vésperas da retomada de um julgamento sobre o tema no STJ.
Arayara aponta riscos para aquíferos, drenagens e comunidades e cobra avaliações ambientais e climáticas antes da oferta dos blocos.
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Este texto foi atualizado
Atualizado após o envio da newsletter por e-mail para incluir informações sobre ACPs ajuízadas pela Arayara no dia 29/9/2026 contra a oferta de blocos nas bacias do Parnaíba (MA), Potiguar e Ceará (CE), e Tacutu (RR).
O Instituto Arayara disse, nesta terça-feira (29/9), que apresentará uma ação civil pública pedindo a suspensão da oferta da bacia do Recôncavo (BA) no 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), marcado para 7 de outubro.
A bacia tem potencial para uso de fraturamento hidráulico para a exploração e produção de petróleo e gás natural não convencionais (fracking), assim como as bacias Potiguar e do Parnaíba, que já foram alvo de ações da organização ambiental.
Na próxima semana, a ANP ofertará 313 blocos exploratórios distribuídos por nove bacias sedimentares (OPC), além de 13 áreas no pré-sal na 4ª Oferta Permanente de Partilha da Produção (OPP). Ao todo, 49 empresas estão qualificadas para apresentar ofertas.
Nesta terça, a Arayara ajuizou três ACPs contra a oferta de blocos nas bacias do Parnaíba (MA), Potiguar e Ceará (CE), e Tacutu (RR).
A organização ambiental também publicou uma série de estudos técnicos sobre áreas incluídas no 6º OPC, além de uma carta (.pdf) assinada por coletivos e associações comunitárias, de pescadores, direitos humanos e clima, pedindo a revisão da política energética brasileira.
Além da “suspensão dos leilões até a conclusão de avaliações ambientais estratégicas e da Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS), com análise integrada dos impactos climáticos, cumulativos, sociais, culturais, territoriais e sobre a fauna”, entre outras demandas.
“No continente, os blocos associados às bacias do Parnaíba, Potiguar e Recôncavo incidem sobre sistemas aquíferos, drenagens, áreas agrícolas, assentamentos e comunidades rurais e tradicionais”, diz a carta.
“A possibilidade de exploração de recursos não convencionais e de utilização do fraturamento hidráulico agrava os riscos de alto consumo de água, geração de efluentes, falhas na integridade dos poços e contaminação de águas superficiais e subterrâneas. Em um país marcado por desigualdades no acesso à água, não aceitaremos que a segurança hídrica seja subordinada à expansão da indústria fóssil”, completa.
Fracking no STJ
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) marcou para o dia 14 de outubro a retomada do julgamento sobre o uso do fracking no Brasil. Relator do caso, o ministro José Afrânio Vilela pediu vista do próprio processo para incorporar ao voto ponderações apresentadas na sessão de 9 de setembro.
O STJ analisa três pontos principais. O primeiro deles, se a licitação de áreas com potencial para recursos não convencionais exige a realização prévia de uma AAAS.
Os outros dois, observam se as regras atuais da ANP são suficientes, e se os riscos ambientais, especialmente para aquíferos, podem ser avaliados no licenciamento de cada projeto.
Também está em discussão qual órgão deve conduzir esse licenciamento — o Ibama ou os órgãos ambientais estaduais.
Arayara aciona Povos Indígenas e Igualdade Racial
Depois de acionar o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) para retirar blocos da oferta permanente, o Instituto Arayara recorreu ao Ministério da Igualdade Racial (MIR) para apresentar o mesmo pleito – dessa vez, com ênfase na presença de comunidades e territórios quilombolas em áreas das bacias do Parnaíba e do Recôncavo. Os pedidos foram antecipados pelo eixos pro.
Em ambos os casos, a Arayara pede que as pastas se manifestem sobre o tema antes da sessão pública de ofertas, e atuem pela retirada dos blocos com sobreposição direta a territórios quilombolas e indígenas.
O instituto afirma que 97% dos blocos e áreas ofertados têm ao menos uma sobreposição direta com algum elemento socioambiental.
Nos casos que envolveriam diretamente o MPI, quatro blocos (nas bacias do Parnaíba e do Tacutu) estão dentro da faixa de entorno de 10km de terras indígenas.
“Embora nenhum dos 523 blocos e áreas atualmente registrados em oferta permanente sobreponha diretamente terra indígena homologada, a proximidade desses quatro blocos exige análise prévia dos efeitos territoriais e a participação dos povos potencialmente afetados”, argumenta o instituto.
O pedido é para que MPI e MIR atuem também junto aos ministérios do Meio Ambiente e Minas e Energia, além de ANP e Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para retirar ou suspender a oferta dos blocos.
Cobrimos por aqui
Curtas
Metano europeu. A crise global no mercado de petróleo pode fazer a União Europeia adiar a implementação de medidas para controlar as emissões de metano no óleo e gás importados pelo bloco. As novas regras estão previstas para entrar em vigor em janeiro de 2027, mas podem ser postergadas por um ano.
Leilão de baterias. A Aneel espera que o Congresso decida sobre o rateio dos custos das baterias nos leilões após os certames, disse a diretora Agnes da Costa, na quinta (24/9), durante conversa com o estúdio eixos na ROG.e 2026. Confira na íntegra
Clima x preço. As usinas de cana-de-açúcar no Brasil, maior produtor mundial de açúcar e segundo maior produtor de etanol, darão mais atenção às condições climáticas do que aos preços para decidir quanto açúcar ou combustível produzir daqui até o final da colheita, em dezembro. (Reuters/Infomoney)
Energia de fusão. A startup japonesa Helical Fusion espera iniciar os testes preliminares de energização em seu reator de fusão de demonstração em 2027. A instalação piloto foi projetada para demonstrar a viabilidade de reações de fusão estáveis e contínuas. (Reuters)
Clima extremo. A Indonésia enfrenta a pior temporada de incêndios florestais em anos e os países vizinhos do Sudeste Asiático também sofrem com a disseminação da fumaça pela região. Mas o combate aos incêndios está sendo afetado por cortes drásticos no financiamento da agência de mitigação de desastres. (Bloomberg)







