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O BRASIL PARTICIPOU DE UM DEBATE INTERNACIONAL PARA PESQUISAS AVANÇADAS SOBRE O NOVO REATOR NUCLEAR MBIR, DA ROSATOM

O Projeto liderado pela Rosatom reúne centros de pesquisa de 18 países e pode abrir novas frentes de cooperação em materiais, radioisótopos, formação científica e tecnologias nucleares avançadas. O Brasil participou das discussões internacionais em torno do MBIR, reator multipropósito de pesquisa de nêutrons rápidos que está sendo construído pela Rosatom, em Dimitrovgrad, na Rússia. O projeto pretende funcionar como uma plataforma internacional para experimentos e desenvolvimento de novas tecnologias nucleares. Representantes da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN) estiveram entre os especialistas reunidos na terceira reunião do Conselho Consultivo do Centro Internacional de Pesquisa baseado no MBIR, realizada no Uzbequistão. O encontro reuniu mais de 150 participantes de 72 organizações e 18 países, entre centros científicos, universidades, empresas, órgãos reguladores e instituições internacionais. A participação brasileira ganha relevância diante das possibilidades de cooperação abertas pela infraestrutura. O MBIR foi projetado para realizar testes de materiais e combustíveis, produzir radioisótopos, desenvolver materiais modificados e avaliar novos equipamentos e sistemas para a indústria nuclear. Na prática, instalações dessa escala permitem realizar experimentos complexos sem que cada país precise desenvolver isoladamente toda a infraestrutura necessária. O Centro Internacional de Pesquisa criado em torno do MBIR funciona como um consórcio aberto à participação estrangeira e prevê acesso às instalações para experimentos vinculados a programas nacionais de usos pacíficos da energia nuclear.

Durante o encontro, a CNEN apresentou a experiência brasileira no uso de inovações em aplicações não energéticas das tecnologias nucleares. O CDTN, ligado à comissão, abordou iniciativas desenvolvidas na América Latina envolvendo pequenos reatores modulares e microrreatores. A agenda também incluiu pesquisas sobre novos materiais e combustíveis, produção de radioisótopos, inteligência artificial aplicada à ciência dos materiais, segurança nuclear, formação de profissionais e tecnologias de reatores de nova geração. “O MBIR foi concebido não apenas como uma instalação de pesquisa, mas como uma infraestrutura internacional capaz de reunir competências científicas de diferentes países. Essa cooperação permite compartilhar recursos experimentais de alta complexidade e acelerar pesquisas que podem resultar em novas aplicações da tecnologia nuclear”, afirmou a empresa através de um comunicado.

Com potência térmica de aproximadamente 150 MW, o MBIR utilizará nêutrons rápidos e sódio como refrigerante. Entre seus objetivos está acelerar pesquisas relacionadas a sistemas nucleares de quarta geração e ao ciclo fechado do combustível nuclear, tecnologia que busca ampliar o aproveitamento dos recursos e reduzir a quantidade de resíduos radioativos. Outra frente discutida

Relocation of the MBIR research reactor building

no encontro foi a produção de radioisótopos, utilizados em áreas como medicina, indústria e pesquisa científica. Atualmente, segundo dados apresentados pela divisão científica da Rosatom, 234 reatores de pesquisa estão em operação ou temporariamente desligados no mundo, enquanto diversos países planejam novas instalações para substituir unidades que chegarão ao fim de sua vida útil. Para o Brasil, a aproximação com plataformas internacionais desse porte pode ampliar o intercâmbio científico e o acesso de pesquisadores a instalações experimentais avançadas, além de criar oportunidades de formação e desenvolvimento conjunto de tecnologias. A reunião contou com representantes de Brasil, Rússia, China, Índia, Vietnã, Uzbequistão, Jordânia e outros países. Ao final do encontro, os participantes reafirmaram o MBIR como uma plataforma internacional voltada à cooperação científica de longo prazo e ao desenvolvimento de tecnologias nucleares avançadas.

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