O El Niño doido. A tragédia climática preconizada por ONGs e ambientalistas de plantão, está difícil de entender. A Comissão Especial de Cheias da Itaipu Binacional divulgou um boletim hidrológico indicando perspectiva de elevação rápida do nível do Rio Paraná nos próximos dias, com risco de impactos em estruturas e residências do lado brasileiro do rio. Neste domingo, por volta de 10h, a cota registrada do rio era de 110,4 metros na Ponte de Amizade, em Foz do Iguaçu (PR). A projeção é de que o nível poderá subir até 115,10 metros nesta segunda-feira (12) e até 115,14 metros na terça (13), segundo o boletim. A Itaipu afirmou já ter informado as Defesas Civis municipais e estaduais das regiões próximas ao rio a respeito dos riscos. Os cálculos de vazão e de níveis dos rios Paraná e Iguaçu foram atualizados com base nas intensas chuvas registradas nas últimas 24 horas nas respectivas bacias hidrográficas. “Os novos resultados indicam um aumento significativo das vazões de ambos os rios, contribuindo para a elevação do nível do rio Paraná“, disse Comissão Especial de Cheias da hidrelétrica, em nota.
Mas, no norte do país, em Manaus, a capital amazonense, a plataforma de monitoramento ambiental Selva, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registrou índice de material particulado fino (PM2,5) de 350.9 µg/m³ (
microgramas por metro cúbico). Sãos mais de 23 vezes do limite da OMS para 24 horas permitido para a saúde humana. A cidade sofre com a fumaça de incêndios urbanos, queimadas do agronegócio e desmatamentos de florestas. O Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo, do governo federal, informou que o Amazonas recebeu R$ 45 milhões, em maio, para equipar o corpo de bombeiros. De todo o Estado. O Ibama e o Corpo de Bombeiros rebaterem informações sobre a ajuda de brigadistas. No Pará, os incêndios na Reserva Riozinho do Anfrísio, em Altamira, destruíram casas, uma escola e lavouras de ribeirinhos. A crise nos dois estados expõe o avanço do fogo na Amazônia e a falta de socorro governamental às famílias afetadas.
O cenário de fumaça densa e tóxica cobrindo o céu da capital amazonense exige que os manauaras usem máscaras para enfrentar, pela segunda bez, a pior qualidade do ar, resultado da poluição de gás tóxico das queimadas e incêndios florestais, que estão ocorrendo nas áreas urbanas da cidade, na região metropolitana e em municípios vizinhos. Os artistas defensores do combate às queimadas do projeto Salve a Amazônia, surgido no governo Bolsonaro, que já haviam desaparecido na gestão da ex-ministra Marina Silva, continuam desaparecidos. Caetana, Gil, Fafá e Belém, Daniela Mercury … desapareceram quando mais se precisava deles. Às 2h23 (horário local) da madrugada desta segunda-feira (12), a Amazônia Real registrou a qualidade do ar péssima e perigosa para a saúde humana, segundo dados da plataforma de monitoramento ambiental Selva, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). O índice de material particulado fino (PM2,5) de 350.9 µg/m³ (microgramas por metro cúbico), em Manaus – mais de 23 vezes do limite da OMS para 24 horas, que é de 15 µg/m³.
EMERGÊNCIA
Em razão da estiagem severa e a previsão de chuvas abaixo da média, o governo do Amazonas decretou situação de emergência nos 62 municípios, em 21 de setembro e, em junho, estabeleceu o
decreto de estado de emergência climática e ambiental, por conta das projeções do fenômeno El Niño, seca e ondas de calor, mas não fez o plano de adaptação climática. Segundo o Inmet, Manaus atingiu nesta segunda, a temperatura máxima de 38°C, com sensação térmica de 41°C durante as horas mais quentes do dia. Para tentar aliviar os efeitos da fumaça dentro de casa, estão sendo usado umidificadores de ar, faz-se inalação com soro fisiológico e lavagem nasal, toma-se chás e reforça-se a hidratação. Com o avanço das queimadas no Amazonas, o governador Roberto Cidade pediu ajuda ao presidente Lula para o envio de brigadistas ao estado. Cidade afirmou que “O Estado ampliou a estrutura do Corpo de Bombeiros de 11 para 25 bases [em
municípios] e conta atualmente com mais de mil homens e mulheres preparados para atuar no combate ao fogo”. O Amazonas tem 62 municípios, contando com a capital, então faltam brigadas em 37. E pediu reforço para combater o fogo e o envio de equipes de bombeiros de outros estados para os muncípios amazonense que não têm brigadas.
Na ocasião, o Ministério do Meio Ambiente de Mudança Climática confirmou à reportagem que a demanda do governo do Amazonas foi encaminhada à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que avalia o envio de equipes pelo Projeto Respad. “Seguiu também para o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR), que avalia a disponibilização de ”, diz um trecho da nota enviada.
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Orleilso Muniz, disse que “recebeu resposta negativa” do governo federal. “Nós já tivemos um retorno negativo, de que não seria possível
apoiar. Reforço e apelo, mais uma vez, que o Estado do Amazonas precisa somar esforços com o governo federal para fazer um enfrentamento qualificado”, declarou. O superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo, desmentiu a versão de Muniz, dizendo que as ações de combate aos incêndios florestais no Amazonas mobilizam 290 brigadistas e seis aeronaves, sendo quatro Air Tractor para lançamentos de água e dois helicópteros, para ampliar a capacidade de resposta às ocorrências. São 229 incêndios já controlados e 20 permanecem em combate. As ações, disse Araújo, também envolvem medidas de prevenção, fiscalização e investimentos de R$ 45 milhões do Fundo Amazônia, gerenciado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para fortalecer a estrutura do Corpo de Bombeiros do Amazonas.
Uma fonte da agência disse que há “um ruído já superado” sobre o pedido do Amazonas para o envio dos brigadistas de outros estados. “Isso não vai apagar um fogo de incêndio”, disse. O governo federal disse que enviiou R$ 45 milhões para os bombeiros de todo o Estado. Em maio, o governador Roberto Cidade, em uma solenidade, entregou 20 novas viaturas, sendo 17 picapes 4×4 equipadas com kits de combate a incêndio e três veículos destinados ao transporte de tropa, além de 453 equipamentos multimissão para atuação operacional. Cidade confirmou que os investimentos somam mais de R$ 10 milhões, sendo R$ 8,2 milhões provenientes de recursos captados junto ao BNDES, por meio do Projeto de Combate a Incêndios e Desmatamento no Amazonas (ProAmazon), e R$ 1,8 milhão oriundos do Corpo de Bombeiros. Sobre o pedido do governo do Amazonas para enviar brigadistas ao estado, o MMA afirmou que o Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Federal (Ciman Federal), coordenado pelo Ibama, recebeu solicitação de apoio do Governo do Amazonas para o combate aos incêndios florestais. “Em resposta ao pedido, foram acionados combatentes do Projeto de Resposta em Ações Integradas para Atuação em Situações de Desastres (Respad) e uma aeronave do Projeto de Gerenciamento de Aeronaves para Situações de Urgência e Socorro (Pegasus).”
Em outro trecho da nota, o MMA afirma que, “em 30 de setembro, após chuvas contribuírem para o controle dos focos de incêndio, o Governo do Amazonas comunicou que não seria mais necessário o apoio do
Respad, dispensando a atuação da equipe federal antes de seu deslocamento para o campo.” O MMA diz, em nota, “que orientou o Governo do Amazonas a solicitar recursos por meio do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (SINPDEC) para ampliar sua capacidade de resposta aos incêndios florestais. Contudo, até o momento, o estado não formalizou o pedido.” Essa semana, na Região Metropolitana de Manaus (RMM), o Selva chegou a registrar 500 µg/m³ – mais de 30 vezes o limite de segurança da OMS para a saúde pública.
A fumaça encobriu cidades como Itacoatiara, a 270 quilômetros da capital, onde um incêndio em área de mata, na região do Lago do Canaçari, na zona rural, já dura 19 dias. O fogo foi detectado na área de vegetação de várzea, e ainda avança em alguns pontos de terra firme. Quase três semanas depois e 1.299,82 hectares destruídos pelo fogo, conforme o Painel de Fogo do Censipam, os órgãos ambientais não informaram o responsável pelo crime ambiental e nem como ele começou. À reportagem, o Ipaam disse que identificou 703,24 hectares atingidos pelo incêndio na região do Lago do Canaçari, em Itacoatiara, e outros 777,12 hectares às margens da rodovia AM-070, em Iranduba. “Até o momento, não foi possível identificar os responsáveis pelos incêndios”, afirmou o Ipaam. O Ipaam não respondeu às perguntas da reportagem sobre o monitoramento da qualidade do ar em Manaus e o número de fiscalizações realizadas em áreas de descarte irregular de resíduos e de vegetação durante o período de seca. As escolas públicas da rede municipal e estadual foram suspensas nesta sexta-feira, assim como as universidades, incluindo a federal.







