O governo do Estado do Rio de Janeiro iniciou a elaboração de um plano abrangente para reduzir os riscos associados ao fenômeno climático El Niño, que poderá provocar mudanças significativas no clima nos próximos meses, incluindo aumento das temperaturas, ondas de calor mais frequentes, períodos de estiagem alternados com chuvas intensas e maior probabilidade de desastres naturais.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico tropical, capaz de alterar ventos e regimes de chuva em diferentes regiões do planeta. No Brasil, os impactos tendem a se manifestar de forma desigual: o Sul do país pode enfrentar tempestades de alta intensidade, enquanto o Centro-Oeste e o Norte enfrentam maior risco de seca e incêndios. O Sudeste, por sua vez, terá efeitos mais irregulares, com variações na frequência e intensidade das chuvas durante a estação chuvosa.
Para mitigar os efeitos do fenômeno, as ações são coordenadas pela Secretaria de Estado de Defesa Civil (Sedec-RJ), que mantém monitoramento contínuo em parceria com o Centro Estadual de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden-RJ). No Rio, protocolos escalonados de resposta foram implementados, incluindo a criação da Força Especializada da Defesa Civil, capacitada a atuar em qualquer região do estado em situações de emergência. O Corpo de Bombeiros também ativou a Operação Extinctus 2026, voltada à prevenção e combate a incêndios florestais durante os meses de estiagem.
Outras secretarias estaduais também estão envolvidas. A Secretaria do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS) tem atualizado cenários de risco e monitorado a Bacia do Paraíba do Sul, essencial para o abastecimento hídrico do estado. Já a Cedae ampliou a vigilância dos mananciais utilizando sensores, drones e câmeras de alta tecnologia, permitindo a identificação precoce de alterações na qualidade ou disponibilidade da água, com acionamento imediato de medidas preventivas.
O setor de saúde também se prepara para possíveis impactos do El Niño. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), em parceria com a Fiocruz, promove capacitação específica sobre o fenômeno para gestores municipais, fortalecendo a capacidade de resposta da rede de saúde frente a riscos relacionados a ondas de calor, estiagem ou aumento de doenças transmitidas por vetores.
Nos últimos anos, o Rio de Janeiro tem registrado chuvas fora do padrão histórico. Em uma sequência recente de 14 horas, sensores registraram volumes de precipitação superiores ao dobro da média histórica para o mês de junho em algumas regiões da cidade, incluindo a Rocinha, na Zona Sul. Eventos como esse reforçam a necessidade de planos estratégicos para a prevenção de desastres e a proteção da população.
O plano estadual busca integrar monitoramento ambiental, gestão hídrica, segurança e infraestrutura para garantir resposta rápida e eficiente diante de eventos extremos. A iniciativa também inclui campanhas de conscientização pública, orientação às prefeituras e articulação com órgãos municipais para assegurar medidas preventivas em áreas urbanas e rurais.
Segundo especialistas, o El Niño pode impactar não apenas a vida cotidiana, mas setores estratégicos como transporte, energia, agricultura e turismo. A preparação antecipada é fundamental para reduzir riscos, minimizar prejuízos e proteger vidas, além de garantir que o Rio de Janeiro esteja mais resiliente diante de eventos climáticos extremos.
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