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Setores químico e petroquímico ficarão com maiores volumes no leilão de gás da União 

NESTA EDIÇÃO. Marcado para 22 de outubro, leilão com foco no suprimento de gás para a indústria de base vai direcionar maiores volumes para setores químico e petroquímico. 
 
ANP pauta retomada da revisão tarifária das transportadoras de gás para 2 de outubro.
 
Alckmin sanciona lei que aumenta penas para furto e roubo de combustíveis em dutos e terminais.
 
Diretoria da Aneel nega aval a acordo para termelétricas da Eneva.

EDIÇÃO APRESENTADA POR:

O primeiro de uma série de leilões de curto prazo do gás da União previstos até 2030 vai ocorrer no dia 22 de outubro, com os maiores volumes direcionados para os setores químico e petroquímico, que terão uma reserva de 350 mil m³/dia do total de 1,1 milhão de m³/dia ofertados no certame. 

  • Na sequência, está o setor siderúrgico, metalúrgico e mineração, que disputará 320 mil m³/dia. Para o setor ceramista estão reservados 200 mil m³/dia, para o de fertilizantes, 130 mil m³/dia e para o vidreiro, 100 mil m³/dia.
  • Conforme aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) no final de julho, o foco da oferta é a indústria de base. 

Os detalhes da concorrência foram confirmados pela PPSA na noite de terça-feira (22/9) após a publicação da portaria com as regras finais pelo Ministério de Minas e Energia (MME) poucas horas antes. Veja a portaria em .pdf. 

Em entrevista ao estúdio eixos na segunda-feira (21/9), o presidente da PPSA, Luis Fernando Parolli, antecipou que a PPSA deve conseguir ofertar a molécula a cerca de US$ 5 o milhão de BTU para a indústria. Veja na íntegra. 

Os volumes serão ofertados em lotes, com  limites  de aquisição por setor e grupo econômico. 

  • Segundo o MME, o objetivo é evitar a concentração da oferta em poucos agentes e permitir a participação de um número maior de consumidores.
  • A segmentação da oferta em produtos específicos não agradou parte dos consumidores, que acreditam que o mecanismo pode reduzir a competição pela molécula. 

Como vai funcionar? Na prática, o leilão vai ocorrer por meio de uma plataforma eletrônica, na qual cada empresa vai enviar uma proposta inicial de volume a ser contratado e o prêmio.

  • Após a abertura dos lances iniciais, começará a etapa dinâmica, em que as empresas poderão apresentar novas ofertas na plataforma, aumentando o prêmio. Vencerão as propostas que ofertarem os maiores prêmios à União.
  • Cada grupo econômico poderá adquirir até 16 lotes (160 mil m³/d) na primeira rodada, mas a concorrência prevê liberação de lotes caso ocorram sobras.
  • O preço inicial do leilão será calculado com base na fórmula estabelecida no edital, que considera 115% da média das cotações diárias do Henry Hub (HH) e a média das taxas diárias de câmbio, além de um prêmio inicial de US$ 1,80/MMBtu. 

O gás será entregue aos compradores na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, da Petrobras, que fica no Complexo de Energias Boaventura (antigo Comperj), entre março e dezembro de 2027. 

  • Caberá aos vencedores do leilão contratar o serviço de transporte diretamente ou por meio de uma empresa comercializadora de gás habilitada como carregadora para garantir a logística até a unidade consumidora. 

A expectativa do governo é que a oferta do gás do pré-sal à indústria a preços mais baixos ajude a destravar novas demandas para o energético no país. 

  • A obrigação da PPSA é vender o recurso da União pelo maior preço possível, mas a meta do governo é reduzir o preço do gás para a indústria. Assim, chegou-se a essa solução: destinar lotes para setores específicos, de modo a indicar quanto cada indústria consegue pagar para se manter viável.

ROG.e 2026


A discussão da revisão tarifária. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) pautou, para a reunião de diretoria de 2 de outubro, a retomada da discussão sobre a base de remuneração das transportadoras de gás natural.

  • A previsão da agência é concluir, na ocasião, a segunda fase da revisão tarifária – etapa que se debruça sobre a Base Regulatória de Ativos (BRA) e o tratamento dos investimentos do ciclo tarifário 2026-2030 das cinco transportadoras do mercado brasileiro. 

O debate do acesso às infraestruturas. A regulação do acesso às infraestruturas de escoamento e processamento de gás precisa vir acompanhada de estabilidade regulatória para não desestimular investimentos, avalia o head de Comercialização de Óleo e Gás da Repsol Sinopec Brasil, Andrés Sannazzaro.

  • A diretora da ANP, Symone Araújo, vê com naturalidade a reação dos donos das infraestruturas à proposta de regulação das condições de acesso aos ativos de escoamento e processamento, mas ressalta que eles não podem esperar obter com a atividade os mesmos retornos econômicos da indústria de petróleo. 

E a expectativa sobre o gas release. O mecanismo para reduzir a concentração no mercado de gás tem o potencial de ampliar a concorrência no mercado de gás natural e viabilizar novos investimentos em infraestrutura e volumes de oferta, avalia o diretor executivo da Abegás, Marcelo Mendonça.

Crimes nos combustíveis. O vice-presidente Geraldo Alckmin, no exercício da Presidência, sancionou a lei que endurece as penas para furto e roubo de petróleo, gás natural, combustíveis, biocombustíveis e óleos lubrificantes retirados de dutos, terminais, refinarias e veículos de transporte. 

  • A Lei 15.517 foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta (23/9) e já está em vigor. 

Preço do petróleo. O Brent era negociado em alta a US$ 99,69 por volta da 6h40 de quarta (23) no horário de Brasília. 

  • O petróleo fechou em queda de 1,09% (US$ 1,09), a US$ 99,25 o barril, na terça-feira (22), acumulando a quinta sessão seguida em queda, em meio às movimentações em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. 

Novas reservas. O futuro da produção de petróleo depende simultaneamente de descobrir novas reservas antes que os campos atuais entrem em declínio e aproveitar melhor o óleo que permanece nos reservatórios já conhecidos.

  • Para vencer os dois desafios, as grandes petroleiras apostam na tecnologia, com a combinação entre sísmica mais precisa, processamento acelerado de dados, integração entre exploração e desenvolvimento e projetos mais enxutos. 

Desafio também na Noruega. O país nórdico quer encorajar a indústria do petróleo a investir em novas fronteiras de exploração, depois de décadas de sucesso na extensão da vida útil de campos maduros, afirma o diretor-geral do Diretório Norueguês do Petróleo, Torgeir Stordal.

  • “Precisamos continuar a explorar”, disse o executivo, que é responsável pelo órgão que gere os recursos na plataforma continental da Noruega. Ele está no Rio de Janeiro, onde vai trocar experiências com reguladores brasileiros.  

Curiosidade: A China está de olho no petróleo brasileiro: Mais de 25% dos expositores estrangeiros da ROG.e 2026 são chineses. Entre os 284 expositores estrangeiros, 76 são do país asiático, segundo levantamento da Fragomen. 

Eletrificação no offshore… O Porto do Açu e a Perenco assinaram uma carta de intenções para desenvolver o primeiro projeto de eletrificação de plataformas offshore na Bacia de Campos. O acordo prevê o fornecimento de energia em águas rasas por meio de um cabo submarino de 80 quilômetros.

… E da frota. A América Latina e o Caribe registraram frota de mais de 1 milhão de veículos 100% elétricos e híbridos plug-in em junho de 2026, segundo levantamento da Olacde. O resultado foi impulsionado pela incorporação de 285.785 unidades no primeiro semestre do ano.

  • A ampliação do uso de veículos elétricos é um desafio para o ciclo Otto, que envolve etanol e gasolina, mas o Brasil tem espaço para acomodar diferentes soluções energéticas no médio e longo prazo, na avaliação do diretor de Óleo e Gás do Citi Latam, Gabriel Barra. 

Flexibilidade do sistema. O Sistema Interligado Nacional (SIN) precisará de mais potência para acompanhar o crescimento da demanda elétrica, mas o Brasil ainda não estruturou um mercado capaz de remunerar adequadamente um dos atributos que serão mais importantes para essa expansão: a flexibilidade.

  • A Volt Robotics estima uma necessidade adicional de 4,5 GW a 6,5 GW de capacidade até 2028, em estudo divulgado nesta terça (22/9) durante evento da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae), em Brasília (DF). 

Resposta da Demanda. A diretoria da Aneel fixou na terça-feira (22) o prazo de 90 dias para que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) aperfeiçoem “os mecanismos de divulgação e a transparência” do programa de Resposta da Demanda.

  • Nesse mecanismo voluntário, os consumidores podem realizar ofertas remuneradas de redução de seu consumo de energia em horários de pico. 

Sem acordo para térmicas da Eneva. A diretoria da Aneel negou o aval ao acordo relacionado aos contratos de quatro usinas termelétricas da Eneva, em discussão no Tribunal de Contas da União (TCU). Dos cinco diretores, foram apenas dois votos favoráveis, dos diretores Gentil Nogueira e Agnes da Costa.

  • A solução consensual relacionada aos contratos de usinas termoelétricas da Eneva prevê uma economia de quase R$ 400 milhões por ano para os consumidores. 

Leilão de transmissão. A agência reguladora também aprovou o edital do próximo leilão de transmissão, com previsão de investimentos da ordem de R$ 8,9 bilhões. A licitação terá oito lotes, com sessão pública marcada para 30 de outubro.

Minerais críticos com condição. “O Brasil tem minerais críticos e terras raras de que o mundo precisa para realizar a transição energética”, afirmou o presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na terça-feira (22), na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Garantia doméstica também no SAF. A regulação do combustível sustentável de aviação (SAF) pela ANP tem como prioridade garantir o mercado nacional e incentivar a indústria brasileira, sem deixar de buscar compatibilidade com o sistema internacional Corsia para facilitar a vida das companhias aéreas.

  • A afirmação é da superintendente de Tecnologia e Meio Ambiente da agência, Amanda Gondim, em entrevista ao estúdio eixos durante a ROG.e 2026.

Biometano de aterro. O BNDES aprovou financiamentos de R$ 180,7 milhões para a implantação de duas plantas de produção de biometano a partir de biogás gerado em aterros sanitários administrados pelo Grupo Lara, no Espírito Santo e em São Paulo.

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