NESTA EDIÇÃO. Refinarias e projetos de combustíveis avançados ganham atenção diante das incertezas globais.
Ao mesmo tempo, o Brasil discute como usar a oferta de etanol e biodiesel para abastecer novos mercados, como a navegação.
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A preocupação com a segurança energética tem levado empresas latino-americanas a buscar maior capacidade de produção, inclusive com ganhos de eficiência nas refinarias existentes.
Ao mesmo tempo, a necessidade de reduzir a exposição às crises internacionais também abre espaço para a América Latina ganhar relevância como fornecedora de petróleo, gás, biocombustíveis e minerais críticos.
A avaliação é do CEO e presidente Latam da Honeywell Technologies, José Fernandes, em entrevista à eixos.
Em um cenário de incertezas no abastecimento global de derivados de petróleo e aumento de preços, projetos de eficiência, biocombustíveis tradicionais, coprocessamento de matérias-primas renováveis em refinarias de petróleo e combustíveis avançados atraem a atenção de investidores sob a bandeira da segurança energética.
“Eles vêm para complementar a questão da segurança energética a nível global e dar mais uma opção a diferentes indústrias e cadeias, de ter materiais que são compatíveis com os que existem hoje, só que fabricados de uma outra forma”, comenta o executivo.
Por aqui, a Honeywell está fornecendo tecnologia para a biorrefinaria da Acelen Renováveis, que irá produzir combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel verde na Bahia, usando óleos residuais e, futuramente, macaúba. A maior parte da produção já está vendida para companhias dos Estados Unidos e Europa.
Além da unidade da Petrobras na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão (SP).
A navegação é outra aposta. Fernandes afirma que a Honeywell acompanha a discussão sobre uma política brasileira para combustíveis marítimos sustentáveis e participa dos debates técnicos com governo, associações e empresas.
A companhia também desenvolveu uma tecnologia chamada de biocrude, voltada à produção de combustível marítimo renovável e também vê espaço para combustíveis sintéticos, como o e-metanol.
A escolha do combustível favorito, segundo o CEO, dependerá da matéria-prima disponível e das condições de cada projeto.
“Não existe uma resposta única para ajudar a aumentar a questão da eficiência da segurança energética a nível global”. Leia a entrevista completa
Novos mercados para os biocombustíveis
Ao mesmo tempo em que a guerra no Oriente Médio passou a reforçar a necessidade de diversificar as matrizes energéticas, a disponibilidade de biocombustíveis no Brasil tem demandado do governo brasileiro a criação de novos mercados para escoar, principalmente, etanol e biodiesel.
Um desses possíveis mercados é justamente a navegação.
Esta semana, o Ministério de Minas e Energia (MME) organizou um workshop em Brasília com representantes do governo e do setor produtivo para discutir as propostas para um programa de combustíveis aquaviários sustentáveis.
Entre as demandas do setor privado estavam a aceleração da construção do marco legal e a remoção de barreiras regulatórias para aproveitar uma oferta que já existe no país.
“A disponibilidade do etanol e biodiesel é mais uma evidência de que a gente precisa acelerar o passo para desenhar essa política”, afirmou Marlon Arraes, diretor de Programa do MME.
Em abril, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o relatório com recomendações para políticas de transição no transporte aquaviário, entre elas, a “atualização da Lei do Combustível do Futuro, para incorporação do capítulo do Programa Nacional de Combustíveis Sustentáveis”.
A instituição do programa para combustíveis sustentáveis de navegação chegou inclusive a entrar e sair de uma reunião do CNPE convocada para setembro, e depois cancelada.
Segundo Lorena de Souza, diretora do Departamento de Biocombustíveis do MME, o governo trabalha em uma proposta legislativa, ainda sem texto final. O programa poderá ser instituído por uma lei própria ou por um projeto que altere a Lei do Combustível do Futuro.
A proposta é estabelecer objetivos, governança, agentes obrigados, abrangência das metas, formas de cumprimento e sanções.
Permanecem em discussão questões como a inclusão das diferentes modalidades de navegação, o tratamento do longo curso e a definição de obrigações por empresa, frota ou embarcação.
Será também uma oportunidade para o Brasil influenciar as negociações na Organização Marítima Internacional (IMO, em inglês), posicionando seus biocombustíveis como uma alternativa pronta para embarcar.
Cobrimos por aqui
Curtas
Por falar em aumento de preços… A Petrobras reajustou o preço do querosene de aviação em 11,76%, em média, nas refinarias da companhia. O novo valor entra em vigor nesta quinta (1º/10). O preço médio do QAV passou de R$ 5,585 por litro em setembro para R$ 6,242 por litro em outubro.
…no Reino Unido, o governo começou a retirar a cobrança de imposto sobre valor agregado das contas de eletricidade residenciais, para dar fôlego aos consumidores entre outubro e dezembro, período em que as famílias ficam mais expostas a eventuais aumentos de custos globais de energia durante o inverno europeu.
Gás no Redata. Os estados intensificaram, nos últimos dias, a mobilização em favor do reconhecimento do gás natural como alternativa energética elegível como fonte de baixa emissão incentivada pelo programa de incentivos para a atração de data centers, o Redata.
Terras raras. A mineradoras australiana Lynas Rare Earths e comprou as ações da Meteoric Resources no projeto Caldeira de terras raras, em Caldas, no Sul de Minas Gerais. A Lynas estima que os investimentos de capital ultrapassarão US$ 500 milhões e avalia o processamento local do minério.
Meta de emissões em dia. As 12 grandes petroleiras que integram a OGCI atingiram a meta coletiva voluntária de reduzir a intensidade agregada de carbono operada no upstream para até 17 kg CO₂ por barril de óleo equivalente (boe) em 2025. As empresas emitiram 16,5 kg CO₂e/boe no ano, mesmo com aumento de produção.
Restrições para baterias. Subestações nos estados do Rio Grande do Sul, Rondônia, Bahia, Ceará e Pernambuco têm restrições para conexão de baterias, segundo nota técnica do ONS, Aneel e EPE. O documento identifica a capacidade remanescente para conexão de baterias nas redes do SIN.
Medidores inteligentes. O grande território, a abertura do mercado livre de energia e as regras para ampliar a adoção de medidores inteligentes tornam o Brasil um terreno fértil para novas tecnologias de medição elétrica e gestão da rede, na visão do vice-presidente sênior de negócios da Wirepas, Youssef Kamel.
- A companhia finlandesa conversa com diversas distribuidoras brasileiras, de olho no espaço para aplicar no país as tecnologias de conexão descentralizada de medidores elétricos.
Manguezal e Oceano fora das eleições estaduais. Amapá, Pará e Maranhão abrigam juntos a maior extensão de manguezal conservado de todo o mundo. São 7.500 km² de faixa contínua desse ecossistema que tem papel na regulação climática. Mas os candidatos aos governos dos três estados seguem na contramão e ignoram o tema em suas propostas, não tendo nenhuma menção sequer à palavra “manguezal”, nem a “oceano”. (Amazônia Vox)
Agentes comunitários de energia. Aneel, Instituto Conexão Povos da Floresta e Senai do Rio Grande do Norte assinaram, na quarta (30/9), um acordo de cooperação para desenvolver um projeto de formação gratuita de agentes comunitários de energia na Amazônia Legal.
- A iniciativa prevê qualificação de integrantes de comunidades indígenas, quilombolas, extrativistas e ribeirinhas para operar sistemas fotovoltaicos off-grid nos territórios em que vivem.







