Google search engine
InícioRefino & PetroquímicaA Vocação Naval da Ilha do Governador

A Vocação Naval da Ilha do Governador

Wagner Victer*

Historicamente, países com grande costa e vocação para o comércio internacional desenvolveram sua indústria de construção naval e, com ela, todas as habilidades voltadas ao setor.

O Brasil não é diferente. Afinal, desde sua “descoberta” pelo mar, os serviços navais foram necessários, seja para a manutenção das caravelas, seja para sustentar o comércio internacional de produtos que chegavam e, principalmente, dos que eram extraídos de uma região bastante rica.

Normalmente, a indústria de construção naval se localiza nas chamadas águas abrigadas. Nesse aspecto, a Baía de Guanabara tem um grande potencial, não só por sua importância histórica para a colonização do Brasil, mas fundamentalmente por suas áreas protegidas, e nesse conceito se insere a Ilha do Governador.

Foi nesse ambiente que tivemos dezenas de pequenos estaleiros, fabricando barcos de pesca, e também estaleiros tradicionais para embarcações offshore, como o Transnave, que ficava junto à antiga Estação das Barcas da Ribeira e hoje não existe mais como estaleiro.

Outro exemplo, ainda existente e bastante tradicional, teve seu ápice na década de 1970: o antigo estaleiro EMAQ, atualmente EISA, localizado no fundo da Baía de Guanabara, de frente para a região do Corredor Esportivo e ao lado da Praia da Rosa e do Bancários.

O estaleiro EISA, que esteve agonizando nos últimos oito anos, começa seu processo de retomada através da Recuperação Judicial em curso e acredito que tenha potencial, até porque governantes, nos diversos níveis, já perceberam a indústria naval como uma área de potencial.

Além disso, temos mão de obra qualificada na região. No período em que fui Secretário de Estado dessa área, cheguei a manter o estaleiro EISA com cerca de 7 mil trabalhadores diretos e 20 mil indiretos, a grande maioria deles morando na Ilha do Governador.

O que poucos sabem dessa história é que a Ilha do Governador é o berço pioneiro da indústria naval pesada brasileira, muito antes da área conhecida como polo originário, a Ponta da Areia, em Niterói, onde Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, começou a construção naval em grande escala para atividades comerciais.

Foi no século XVII, a partir de 1659, que começou aqui na Ilha do Governador a construção do Galeão Padre Eterno, lançado ao mar, mais precisamente, em 25 de dezembro de 1663.

Naquele momento histórico, foi construído e lançado ao mar aquele que era considerado o maior navio do mundo. Com 3 mil toneladas de capacidade de carga, uma tripulação de 3 mil homens, 164 canhões e 73 metros de comprimento, muitos acreditavam ser impossível construir uma embarcação daquele porte em terras brasileiras.

A elevada disponibilidade de matéria-prima, principalmente madeira, ajudou a tornar possível aquela construção. O Galeão Padre Eterno foi feito numa região que passou a ser conhecida como Ponta do Galeão, onde agora temos a Região Aeronáutica, e seu nome acabou originando a própria denominação Galeão, existente até hoje e que deu nome ao Aeroporto Internacional do Rio e à Base Aérea.

Agora, quando você passar pelo Galeão, tenha certeza de que ali o Brasil bateu seu primeiro recorde mundial de engenharia com a construção de um navio gigante, que também treinou e formou os primeiros carpinteiros navais do Brasil e que serve como um sinal para uma importante retomada.

*Ex-secretário de Energia e Petróleo do Estado do Rio de Janerio e conselheiro do Clube de Engenharia


LEIA TAMBÉM:

Neguinho da Beija-Flor será destaque da União de Maricá no Carnaval 2027

Nova Serra das Araras deve ficar pronta em fevereiro, dois anos antes do prazo

Epicentro Mall será entregue em fevereiro no Porto Maravilha

ARTIGOS RELACIONADOS
Publicidadespot_img
Publicidadespot_img

Mais populares

Publicidadespot_img