A presidente da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica), Patricia Audi, afirmou em entrevista ao Poder360 que a microgeração distribuída tem prejudicado financeiramente o setor de energia elétrica brasileiro.
A empresária explica que a produção de energia nos telhados de casas é realizada de uma maneira “não controlável”, de forma que a energia não utilizada retorna ao sistema integrado nacional.
Esse retorno cria a necessidade de “desligar as grandes fontes de geração de energia” renováveis, como eólicas e por biomassa, para evitar um blackout em todo o sistema por causa do excesso de energia produzida.
“Você percebe que essa situação é prejudicial financeiramente para os investidores e para os consumidores”, afirma Patricia. “Nós temos picos de energia em que há excesso de energia nesse sistema, e à noite nós temos a necessidade de energia sem que essa energia eólica e solar seja gerada e seja necessário acionamento, por exemplo, de usinas termelétricas”, completa.
LEILÕES DE BATERIA
A presidente da Abradee diz defender a realização dos leilões de bateria a fim de que não exista “falta de geração” para o setor.
Patricia afirma que o investimento nas reservas de energia para os momentos de alta demanda será absorvido pelos consumidores, mas o gasto, no momento, “era absolutamente necessário”.
MICROGERAÇÃO AUMENTOU A CONTA
Segundo Patricia Audi, os subsídios para as pessoas que investiram em energia solar nos telhados aumentou a conta de luz para todos, incluindo pessoas que não têm condições de investir em microgeração de energia elétrica.
“Se a gente pega os aumentos que foram dados os reajustes que foram dados nas contas de luz de 1 ano e meio para cá, essa média soma 12,6%. Seis por cento desses 12,6% não existiriam caso esses subsídios solares não fossem dados. Então, você vê que a conta de luz do brasileiro, em geral, teria aumentado pela metade caso esses subsídios não fossem dados”, explicou a empresária.
Patricia explica que quem investe na microgeração distribuída são pessoas que “têm mais condições” de fazer esse tipo de investimento, mas a conta “é repassada para aquelas pessoas que não têm condições de fazer esse investimento”.
A presidente da Abradee explica que é importante pensar nesses números a fim de revisitar a estrutura tarifária brasileira.
“A energia renovável não precisa mais de subsídios para existir. Ela, por si só, já é financeiramente sustentável e atrativa para os brasileiros. Então, é necessário realmente uma revisão de forma a garantir não só a segurança do sistema, como garantir também a elasticidade tarifária, ou seja, garantir que os brasileiros tenham reajustes justos e adequados ao seu bolso”, afirma Patricia.
INVESTIMENTOS NO SETOR
Patricia Audi afirma que a distribuição de energia elétrica no Brasil será o setor que mais vai investir no Brasil nos próximos 5 anos.
“De 2026 a 2030, serão R$ 260 bilhões. Um volume muito maior do que o que nós investimos, por exemplo, em 2021, que ficou por volta de R$ 18 bilhões. Ano passado nós investimos R$ 41 bilhões e a previsão é que nós investiremos mais de R$ 50 bilhões por ano até 2030”, declarou.
Segundo a empresária, os investimentos serão, em sua maior parte, direcionados a qualidade da energia elétrica que chega ao consumidor final.
Assista a entrevista completa (23min1s):
Patricia tem mais de 30 anos de experiência nos setores público e privado e em organismos internacionais. Antes de assumir a Abradee, era vice-presidente executiva do banco Santander.
No setor público, já trabalhou como secretária de Gestão do Ministério do Planejamento e Orçamento e como secretária de Transparência e Prevenção da Corrupção da Controladoria Geral da União.



