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Conexões Produtivas: painel de oportunidades do acordo Mercosul-UE para Amazônia é lançado no Acre

O papel da indústria e do comércio acreanos diante das novas dinâmicas globais foi o centro das discussões nesta quarta-feira, 1º/7, no lançamento do “Painel de Oportunidades do Acordo Mercosul-União Europeia por Estado na Amazônia”. Realizado no Auditório do Sebrae Acre, em Rio Branco, o encontro deu sequência à agenda nacional do projeto, que já passou por São Paulo (SP) e Itajaí (SC) — este último, ocorrido nesta terça-feira (30/6).

A iniciativa, que reuniu representantes do Governo Federal, de instituições de desenvolvimento econômico e lideranças regionais para debater a internacionalização da economia da Região Norte, fez parte da série de encontros do “Conexões Produtivas”, destinada a discutir as tendências de mercado, as oportunidades comerciais e os impactos do Acordo para os diversos setores produtivos brasileiros.

Em sua edição no Rio Branco, o evento apresentou o Painel de Oportunidades do Acordo Mercosul-UE para Amazônia, ferramenta digital de inteligência comercial voltada ao fortalecimento econômico, inovação e atração de investimentos para a Região Norte. Interativo, o recurso identifica o potencial exportador específico de cada estado amazônico por meio de análises sobre produtos com vocação exportadora, volumes comercializados, empresas ativas e as condições alfandegárias facilitadas pelo acordo.

O encontro também discutiu aspectos geopolíticos e a importância da adequação do Brasil ao cenário atual. Nesse sentido, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, abordou as ações do Governo Federal, como a recriação da própria pasta, para fortalecer o setor produtivo e garantir a competitividade do Brasil no cenário internacional.

“Os tempos atuais mostram que quem não tem política industrial e não faz acordos, fica para trás. O problema de não fechar um tratado histórico como este com a União Europeia é que outro país ocupará o nosso lugar. Se deixarmos de acessar um mercado, nações concorrentes o assumem imediatamente”, alertou.

“É por entender essas questões geopolíticas que jamais saímos da mesa de negociações até que bons acordos sejam consolidados, garantindo oportunidades reais para a nossa indústria”, destacou o ministro.

O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Olavo Noleto (foto), destacou o alinhamento da instituição com a política Nova Indústria Brasil e o foco na agregação de valor às cadeias produtivas regionais, como as do açaí e do café.

Segundo ele, o mapeamento de gargalos e o apoio tecnológico oferecido pela Agência atuam em sinergia com a inteligência de mercado da ApexBrasil para modernizar e impulsionar a pauta exportadora.

“Com a retomada de uma política industrial estruturada no país, nosso papel é mapear os gargalos e apoiar as cadeias produtivas para que elas decolem e conquistem novos mercados. Nosso objetivo não é apenas exportar commodities, mas agregar valor à produção local”, disse. “Queremos exportar o café e o açaí processados, além de bens com tecnologia embarcada. Desenvolver cada elo dessas cadeias por meio da inovação é o que realmente trará competitividade, renda e desenvolvimento para a nossa população.”

Amadurecimento econômico

O crescimento exponencial da pauta exportadora acreana também foi levado a debate pelo presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, que apresentou indicadores sobre o amadurecimento econômico do estado e a diversificação dos produtos locais no mercado internacional.

Segundo Müller, a estratégia de priorizar regiões como o Norte e o Nordeste tem gerado resultados sólidos na balança comercial. “Estamos vivendo uma verdadeira revolução nas exportações do Acre. Saltamos de menos de 50 milhões de dólares em 2022 para a marca de 100 milhões no ano passado, com um desempenho consistente já neste primeiro semestre”, afirmou.

O líder da agência promotora de exportações explicou que o avanço é reflexo de uma estratégia que prioriza o Norte e o Nordeste e traz resultados concretos em cadeias como a da carne suína, da castanha, do café, da madeira e do açaí.

“Quando exportamos, estimulamos toda a cadeia interna, do insumo à infraestrutura, o que gera emprego e impulsiona o desenvolvimento regional. Com a concretização do acordo Mercosul-União Europeia, esse cenário tende a ser ainda mais promissor para o fortalecimento da bioeconomia amazônica”, pontuou.

O gerente da Assessoria Internacional do Sebrae Nacional, Vinicius Lages, por sua vez, destacou o protagonismo das micro e pequenas empresas e o enorme potencial da bioeconomia amazônica na pauta de exportações.

“Hoje, os pequenos negócios alcançaram um recorde de participação na base exportadora brasileira. O Acre já demonstra essa capacidade, com empresas locais que hoje exportam para dezenas de mercados internacionais. O Acordo Mercosul-União Europeia é um marco decisivo nesse processo, pois abre novas portas e aumenta a nossa competitividade ao promover a expressiva desgravação tarifária para os produtos da região”, avaliou.

O encontro em Rio Branco reafirmou o compromisso do MDIC, da ABDI e das instituições parceiras em alinhar as estratégias de desenvolvimento interno às oportunidades geradas pela integração de mercados, contribuindo para que a economia do Acre e da Amazônia acesse o mercado europeu de forma inovadora, competitiva e sustentável.

Oportunidades e Inteligência de Mercado

O debate teve como foco principal os impactos estratégicos do acordo comercial para o setor produtivo local. Para detalhar esses aspectos, o evento contou com o painel de apresentação “Oportunidades do Acordo Mercosul-União Europeia para a Amazônia”.

A exposição foi conduzida pela diretora do Departamento de Negociações Internacionais do MDIC, Ana Claudia Takatsu, e pelo gerente de Inteligência de Mercado da ApexBrasil, Gustavo Ribeiro. Ambos apresentaram a ferramenta de inteligência voltada a identificar frentes de exportação, atração de investimentos e modernização tecnológica em favor da inserção competitiva das empresas da Amazônia nas cadeias globais de valor.

A diretora do MDIC apresentou dados sobre os efeitos macroeconômicos positivos esperados e enfatizou a importância da segurança jurídica trazida pelo acordo. “O Brasil, por meio deste acordo, confirma seu compromisso com regras claras de comércio, previsibilidade e segurança, elementos fundamentais para a atração de investimentos”, observou.

“Trata-se de uma oportunidade histórica e de um dos maiores acordos de livre comércio já estabelecidos no mundo”, dimensionou a diretora, antes de chamar a atenção para a importância de o setor produtivo conhecer as regras e saber como aproveitar as vantagens do acordo. “Quem chega primeiro se beneficia mais”.

Recorde histórico

Os valores envolvidos no comércio entre Brasil e UE, seguidos de investimentos do bloco, foram levados a debate pelo gerente da ApexBrasil. “Em 2025, o comércio entre o Brasil e a União Europeia bateu o recorde histórico de 100 bilhões de dólares, numa relação bastante equilibrada. Além disso, temos 464 bilhões de dólares em investimentos europeus no país”, destacou.

Ribeiro também reforçou o potencial do Estado e o papel do novo painel na captação desses recursos para a região. Segundo ele, o acordo é uma janela para atração de uma parte desse capital produtivo para as cadeias de valor da Amazônia.

“O Acre, por exemplo, vem demonstrando um crescimento importante, alcançando a marca de 100 milhões de dólares em exportações globais nos últimos três anos. O momento é de mostrar nosso portfólio de produtos e atrair investimentos que movimentem a bioeconomia local”, complementou.

Empresas que já exportam

Para ilustrar o potencial de internacionalização discutido no evento, a programação do encontro contou com a apresentação de cases de sucesso locais que demonstraram a inserção de empresas Amazônicas no mercado europeu.

O CEO da agroindústria Dom Porquito, Paulo Santoyo, compartilhou a experiência da empresa e destacou os desafios superados para acessar um setor globalmente competitivo. “Acessar o mercado externo era um desafio imenso, já que grandes corporações dominam o setor de carnes e deixam pouco espaço para os menores”, disse.

Segundo Santoyo, produzir na Amazônia e se projetar no exterior foi possível graças ao esforço conjunto e à nova visão governamental impulsionados pela ApexBrasil com apoio do Ministério da Agricultura. “Eles nos abriram portas, conexões e caminhos em missões internacionais, atuando como um verdadeiro divisor de águas. Foi esse apoio institucional que transformou a Dom Porquito e outras empresas acreanas em exportadoras competitivas, provando que os negócios regionais também têm plena capacidade de ocupar espaço no mercado global.      

Além do setor de proteína animal, o fortalecimento das cadeias extrativistas e agrícolas ganhou destaque por meio da experiência da Cooperativa Central dos Extrativistas e Agricultores (Cooperacre). O superintendente da organização, Manuel Monteiro, apresentou os saltos de crescimento da rede e destacou como o trabalho da ABDI tem sido determinante para estruturar a produção na ponta, superar gargalos logísticos e agregar valor aos produtos da floresta.

“Hoje, nossa rede de cooperativas já exporta para 16 países e projeta alcançar 6 milhões de dólares em vendas externas neste ano. Mas, para que o produtor amazônico acesse o mercado global de forma competitiva, é preciso superar gargalos imensos – como a realidade de viajar até três dias de barco apenas para secar e processar a sua produção de café. É exatamente aí que entra a atuação da ABDI”, explicou.

“A Agência está viabilizando a construção de cinco indústrias de processamento nas nossas comunidades e cooperativas singulares. Esse investimento direto na infraestrutura do pequeno produtor é o que rompe o nosso isolamento, agrega valor ao produto e nos dá as condições concretas para triplicarmos as nossas exportações e o nosso faturamento nos próximos anos”, reforçou o superintendente.

Conexões Produtivas

O projeto Conexões Produtivas: Oportunidades e Prioridades para o Desenvolvimento da Indústria Brasileira é uma série de eventos presenciais sobre o Acordo Mercosul-União Europeia realizada pelo MDIC, pela ApexBrasil e pela ABDI, com apoio do Sebrae, do INPI, do INMETRO e do BNDES.

Cada edição é estruturada e adaptada às características econômicas da região anfitriã, com o objetivo de conectar as empresas locais às demandas do mercado europeu, ampliando o acesso a informações estratégicas para a geração de novos negócios.

Depois de Rio Branco, o projeto encontrará empresários de Fortaleza (CE), no dia 7/7.

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