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Leitura, música e jogos aproximam idosos do conhecimento sobre o cérebro

Projeto coordenado por professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto estimula a memória e fortalece vínculos sociais com oficinas que atenderam mais de 50 idosos em 2026

Por Vitória Gomes*

A fotografia mostra um grande grupo de pessoas, predominantemente idosas, reunido dentro de um ginásio ou quadra coberta com piso azul brilhante e teto metálico inclinado.
Idosos participantes do projeto de leitura, música, desenhos e jogos de estimulação sensorial e cognitiva junto com profissionais e estudantes da FMRP – Foto: Eliane Comoli FMRP

Realizado recentemente no Centro de Referência do Idoso (CRI) de Cravinhos, o projeto Neurociência, Bem-Estar e Envelhecimento no Cotidiano do Idoso utiliza leitura, música, jogos e rodas de conversa para estimular a memória, exercitar os sentidos e fortalecer os vínculos sociais. A iniciativa já desenvolveu oficinas em Ribeirão Preto e beneficiou mais de 50 idosos somente em 2026.

Coordenado pela professora Eliane Comoli, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, o projeto foi criado em 2016 e aproxima os conhecimentos sobre o cérebro e o envelhecimento do cotidiano dos participantes. A proposta é contribuir para a qualidade de vida por meio de atividades educativas e da troca de experiências.

A iniciativa teve origem no curso Desvendando as Sensações e Emoções através do Sistema Nervoso, oferecido pelo então programa Universidade Aberta à Terceira Idade, atual USP 60+. O interesse dos participantes por assuntos que ultrapassavam o conteúdo das aulas motivou sua transformação em projeto de extensão. “Os participantes demonstravam interesse que ia além dos tópicos desenvolvidos no curso que eram direcionados a olfação, emoções e memória. Eles faziam perguntas sobre vários aspectos da neurofisiologia e do cérebro. Isso chamava muita atenção e então decidimos oficializar em um projeto extensionista”, afirma Eliane.

As demandas dos idosos também orientaram a criação das oficinas. “Os idosos precisavam de atividades que contribuíssem para uma melhor qualidade de vida e que ajudassem a lidar com o processo de envelhecimento. Foi a partir disso que resolvemos criar oficinas práticas para essas pessoas”, explica.

Hoje as ações são voltadas à promoção da saúde mental, à estimulação cognitiva e ao fortalecimento dos laços afetivos. “A iniciativa tem atividades práticas com rodas de conversas, leituras, desenhos, instrumentos musicais e estimulação sensorial e cognitiva”, diz a coordenadora.

Atividades em Cravinhos e trajetória em Ribeirão Preto

Em Cravinhos, os idosos que frequentam regularmente o CRI passam inicialmente pelo atendimento de uma assistente social, responsável por coletar seus dados e realizar a inscrição no projeto. Em 2026, foram realizadas atividades na primeira semana de abril e na última semana de maio. “Programamos as dinâmicas com bastante antecedência para todos poderem participar”, afirma Eliane.

Antes da atuação em Cravinhos, o projeto realizou oficinas no Espaço Cultural e de Extensão Universitária (ECEU) da FMRP, em Ribeirão Preto. Nas primeiras atividades, em 2016, os participantes vivenciaram dinâmicas sobre o olfato e sua relação com as emoções e a memória. “Levamos aromas de plantas medicinais, ervas, temperos, essências, perfumes e alimentos”, relata a professora.

Na época, os participantes chegavam por meio do programa Universidade Aberta à Terceira Idade. Atualmente, quando há vagas disponíveis pelo USP 60+, as oportunidades são divulgadas no site do programa, mantido pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP. “Quem tiver interesse em participar deve acompanhar o site”, orienta.

Aprendizado e formação dos estudantes

Eliane Comoli – Foto: Arquivo pessoal

Além do atendimento aos idosos, o projeto oferece um espaço de formação prática para estudantes do curso de Terapia Ocupacional da FMRP. Segundo a coordenadora, o contato entre as gerações permite compartilhar conhecimentos e experiências. “Eles dizem que as atividades práticas com os idosos permitem trocas de experiências que possibilitam aprendizado mútuo”, afirma Eliane.

A professora destaca que essa convivência também contribui para desconstruir preconceitos sobre o envelhecimento e desenvolver uma atuação mais acolhedora. “Essa parceria entre aluno e idoso contribui com o desenvolvimento da empatia, da paciência e da capacidade de escuta ativa”, ressalta.

Conhecimento para o cotidiano

O projeto também produz materiais didáticos ilustrados, com linguagem acessível, para que os participantes possam retomar os conteúdos abordados nas oficinas. “Os folhetos ilustrativos incluem temas como memória, aprendizado, ritmos biológicos, sono, sensibilidade da pele, emoções, dor e envelhecimento. O objetivo desse material é de minimizar os impactos do envelhecimento”, explica a coordenadora.

Segundo Eliane, os relatos dos participantes mostram que o aprendizado ultrapassa os encontros. “Os participantes afirmam que eles utilizam os materiais no seu cotidiano e compartilham com seus familiares o que aprenderam nas oficinas. Tudo isso demonstra o potencial da iniciativa para ampliar o alcance do conhecimento.”

Música, leitura e jogos

Música, jogos de raciocínio lógico, leitura e brincadeiras integram as oficinas como recursos para estimular a participação e o aprendizado. “Ao estimular a participação e aquisição de novos conhecimentos, essas atividades podem contribuir para o bem-estar, aspecto fundamental para um envelhecimento saudável”, afirma Eliane.

Para a docente, as dinâmicas também ajudam os participantes a reconhecer e valorizar suas capacidades ao longo do envelhecimento. Entre os próximos objetivos está ampliar o número de idosos alcançados pelos materiais didáticos. “Esperamos levar diálogo e ensino com os nossos materiais ilustrativos para os idosos”, conclui.

*Estagiária sob supervisão de Rose Talamone

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