Eletrônica
Redação do Site Inovação Tecnológica – 27/10/2026

É um resistor com memória ativada por umidade e com saída analógica, de múltiplos valores, e não apenas binária.
[Imagem: Mahesh Y. Chougale et al. – 10.1016/j.esci.2025.100520]
Sinapse artificial mais realista
Indo além dos transistores dos eletrônicos e computadores atuais, componentes chamados memoristores prometem muito mais graças a uma capacidade intrínseca de memória, que permite que a computação seja feita de modo mais parecida com o funcionamento do cérebro humano. É a chamada computação neuromórfica, que é muito mais eficiente, tanto em termos de energia quanto em velocidade.
Os memoristores funcionam de modo similar às sinapses entre os neurônios do cérebro, mas a maioria dos protótipos ainda opera de modo primário: Tem sido difícil integrar a percepção sensorial diretamente com as funções de memória em um único componente, e as conexões físicas necessárias para isso acabam criando discrepâncias na amplitude do sinal e retardando os tempos de resposta – ou seja, não ganha o tanto que se poderia.
Agora, Mahesh Chougale e colegas da Austrália, Coreia do Sul e Índia criaram um memoristor que consegue integrar sensoriamento e memória usando um material sensível à umidade, o que aumenta ainda mais sua analogia com o cérebro humano, um local tipicamente “úmido”.
O componente apresenta comutação resistiva analógica com estados de resistência ajustáveis sob diferentes níveis de umidade relativa, apresentando respostas sinápticas sem contato mesmo em um teste simples, usando a umidade de um dedo humano.

Princípio de funcionamento do memoristor acionado por umidade.
[Imagem: Mahesh Y. Chougale et al. – 10.1016/j.esci.2025.100520]
Sensor com memória
O componente é feito de uma camada ultrafina de um pirofosfato de níquel (Ni2P2O7), que apresenta uma estrutura porosa. A adsorção de H2O reduz a largura da banda proibida, aumentando a condutividade do componente.
Essa dupla função – a detecção de umidade e a memória analógica – em uma única plataforma sem contato torna este componente um forte candidato para sistemas neuromórficos de próxima geração.
“O que mais nos entusiasma é que este dispositivo não apenas detecta a umidade, como também a memoriza,” escreveram os autores. “A umidade altera a estrutura eletrônica do material de forma reversível e ajustável, o que significa que podemos usar a própria umidade como um sinal de programação. E, como podemos fazer isso sem qualquer contato físico, abre-se um leque de possibilidades totalmente novas para aplicações em que o toque não é possível ou desejável, como em ambientes estéreis, em embalagens ou mesmo em futuros sistemas de pele eletrônica que precisam sentir o ambiente sem contato direto.”
As aplicações potenciais variam desde interfaces homem-máquina sem contato e monitoramento inteligente de saúde até redes de sensores ambientais e robótica flexível, onde é essencial contar com percepção distribuída e eficiência energética. Mediante a integração de aprendizado de máquina, esses sensores memorresistivos poderão formar a espinha dorsal de nós inteligentes de aparelhos simples da internet das coisas, que tanto percebem o ambiente ao seu redor quanto aprendem com ele, aproximando os sistemas eletrônicos da inteligência adaptativa e multifacetada do cérebro humano.
Artigo: Humidity-responsive multistate resistive switching device for non-contact sensory neuro-electronic applications
Autores: Mahesh Y. Chougale, Sourabh B. Ghode, Snehal L. Patil, Jungmin Kim, Gaurav M. Lohar, Swapnil R. Patil, Rayyan Ali Shaukat, Qazi Muhammad Saqib, Tukaram D. Dongale, Deepak Dubal, Jinho Bae
Revista: eScience
DOI: 10.1016/j.esci.2025.100520
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