O Brasil vai debater nesta semana a expansão das usinas eólicas no país, com a realização da Windpower 2026, que será realizada de terça-feira (27) a quinta-feira (29), na São Paulo Expo. Para os organizadores, o Brasil reúne condições naturais para desenvolver a geração de energia eólica offshore, com ventos favoráveis ao longo de sua costa e potencial para ampliar a oferta de eletricidade renovável. Transformar essa vantagem em uma indústria capaz de atrair investimentos, movimentar fornecedores e gerar empregos, no entanto, depende de avanços regulatórios, planejamento territorial, infraestrutura e modelos de negócio que deem previsibilidade aos empreendimentos. O evento reunirá representantes do setor energético, especialistas e empresas para discutir as condições necessárias à consolidação da eólica offshore no país, desde a definição de áreas para os projetos até os impactos econômicos e industriais dessa nova fronteira de geração.
O Brasil já conta com um marco legal para a atividade que já disciplina o aproveitamento do potencial energético offshore. Em 2026, também avançaram as discussões sobre a regulamentação do setor e o planejamento das áreas
marítimas. A metodologia elaborada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), publicada em julho, estabelece critérios técnicos, ambientais, sociais e econômicos para orientar a seleção de áreas destinadas a futuros projetos. “Apesar desses avanços, a consolidação do mercado exige transformar as diretrizes em condições concretas para o desenvolvimento dos empreendimentos. A previsibilidade regulatória, a clareza dos processos de autorização e licenciamento e a definição de áreas viáveis são fatores importantes para que investidores possam avaliar riscos, custos e prazos de implantação“, acredita Gustavo Ponte, Superintendente de Geração de Energia da EPE – Empresa de Pesquisa Energética. Outro desafio é fazer com que o desenvolvimento dos parques eólicos no mar impulsione uma cadeia industrial no Brasil. A implantação desses empreendimentos envolve equipamentos, estruturas, serviços de engenharia, logística portuária, instalação e manutenção especializada. A capacidade de atender a essa demanda localmente dependerá de investimentos, qualificação profissional, articulação entre fornecedores e previsibilidade de mercado para sustentar a expansão da atividade.
A escolha das áreas para os empreendimentos é outro ponto estratégico. O planejamento precisa considerar o potencial de geração, as condições de conexão à rede elétrica, a infraestrutura disponível e a convivência com outros usos do espaço marinho. A avaliação dos aspectos ambientais e sociais e o diálogo com comunidades e setores que utilizam o litoral também são fundamentais para o desenvolvimento responsável dos projetos. A infraestrutura elétrica, por sua vez, será decisiva para conectar a futura geração offshore ao sistema nacional. O planejamento da transmissão e a coordenação entre a expansão da oferta e a demanda por energia precisam acompanhar o desenvolvimento dos projetos, de modo que a capacidade instalada possa ser efetivamente aproveitada. No Brazil Windpower 2026, esses temas serão discutidos em painéis dedicados ao marco regulatório da eólica offshore, às diretrizes para seleção de áreas prioritárias para os primeiros projetos e ao valor econômico do desenvolvimento da indústria offshore no Brasil. A programação busca ampliar a discussão sobre os caminhos para transformar o potencial brasileiro em projetos viáveis e oportunidades concretas para o setor energético e a economia nacional.






