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Saiba o que Lula e Flávio Bolsonaro propõe para a economia

Candidatos, que disputam o 2º turno no domingo (25.out), divergem sobre impostos e o papel do Estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) disputam o 2º turno da eleição presidencial no domingo (25.out.2026). Com propostas diferentes para a economia, os 2 aparecem empatados tecnicamente nas últimas pesquisas eleitorais.

Enquanto Lula defende a atuação do Estado para estimular o crescimento e reduzir desigualdades. Flávio propõe enxugar a máquina pública e ampliar o espaço da iniciativa privada.

As diferenças envolvem mudanças sobre impostos, contas públicas, mercado de trabalho, programas sociais, infraestrutura e exploração de recursos naturais. 

O plano de governo do petista aposta no crescimento econômico e na arrecadação para melhorar o resultado fiscal. Já o senador do PL, sem dar detalhes, promete cortar despesas e tributos. 

Veja no carrossel abaixo:

IMPOSTOS E ARRECADAÇÃO

Lula defende a continuidade da reforma tributária sobre o consumo, a tributação dos mais ricos e o combate a benefícios fiscais considerados ineficientes. O programa planeja consolidar o IVA (Imposto sobre Valor Agregado) dual, formado pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), com isenção para a cesta básica e cashback para a população de baixa renda.

O presidente ressalta em seu plano de governo a continuidade e ampliação do que chama de “justiça tributária”. Ou seja, o objetivo é aumentar a taxação de super-ricos para diminuir a carga tributária sobre os mais pobres.

Lula destaca, por exemplo, a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, que teve como compensação o imposto de 10% sobre dividendos maiores que R$ 50.000 mensais. Além disso, o governo passou a tributar ou aumentou a carga para bets e fintechs.

Flávio critica o desenho da reforma tributária aprovada pelo Congresso e considera elevada a alíquota estimada do IVA, próxima de 30%. O senador propõe revisar o modelo. Ele quer ainda reduzir impostos sobre alimentos, combustíveis e energia elétrica, desonerar investimentos e exportações e simplificar as regras tributárias.

Porém o plano de governo e a campanha do candidato não menciona até o momento qual será a compensação para os cortes de impostos prometidos. 

Na avaliação de Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, a promessa de reduzir tributos precisa considerar a situação fiscal do país. “Falar em corte de tributos neste momento é uma fantasia”, afirmou o especialista. 

Em entrevista ao PoderDataCast, o economista Pedro Menezes declarou que propor neste momento corte de impostos “é enganar o povo”.

Assista ao vídeo que detalha algumas das propostas dos candidatos (3min38s):

CONTAS PÚBLICAS

Lula pretende seguir com o arcabouço fiscal e fazer novos ajustes pelo lado da arrecadação —estratégia que não foi suficiente para manter o equilíbrio das contas públicas durante seu 3º mandato. 

Nos últimos anos, o governo ampliou o espaço para despesas fora de seus limites. Para Bruno Perri, o modelo é insuficiente e não impõe consequências efetivas quando descumprido. “O arcabouço implementado, além de insuficiente, não traz consequências quando desrespeitado. É como se não existisse”, afirmou.

A dívida bruta do Brasil atingiu 82,9% do Produto Interno Bruto em agosto. Foi o maior patamar em termos percentuais do PIB desde março de 2021 (85,1%), quando era pandemia, segundo dados do Banco Central divulgados em setembro.

A ideia é a seguinte: fomentar o crescimento e aumentar a carga tributária dos mais ricos para ampliar a arrecadação e equilibrar as contas públicas sem precisar cortar programas sociais. 

O ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman classifica a proposta fiscal de Lula como um “Orçamento frouxo”, por considerar que há pouca preocupação com o controle das despesas.

Já Flávio promete fazer os gastos “caberem no Orçamento”, produzir superávits primários e estabilizar a relação entre a dívida pública e o PIB antes de reduzi-la. O senador propõe limitar despesas discricionárias dos Três Poderes e fazer um “tesouraço” na máquina pública, com a extinção de ao menos 10 ministérios, redução de cargos comissionados, combate a penduricalhos e supersalários e retomada das privatizações.

O plano, porém, não informa quanto os cortes economizariam. Perri aponta 2 problemas: receitas de privatizações não são recorrentes e faltam detalhes sobre a profundidade dos cortes. Segundo o economista, Flávio faz um cálculo político ao evitar discutir o fim de benefícios tributários, uma reforma da Previdência e a desindexação de benefícios.

Na mesma linha, Schwartsman afirmou que um corte expressivo exigiria mexer em outras despesas obrigatórias, consideradas o principal problema do Orçamento. O economista classificou a proposta de Flávio como “um grande vazio”.

A equipe de Flávio fala em corte de R$ 200 bilhões a R$ 250 bilhões, mas não especificou o que seria limado do Orçamento para cumprir essa meta.

Ao mesmo tempo, o programa do senador também quer ampliar despesas, como dobrar os investimentos federais em segurança pública e criar 500 mil vagas no sistema prisional em 4 anos. As promessas de ampliação de gastos levantam dúvidas sobre a viabilidade fiscal do ajuste.

O especialista em investimentos e sócio da AW Capital, Augusto Parente, tem uma avaliação mais otimista. “Acredito que criar uma nova regra, dependendo de como funcione, pode entregar esse ajuste que o mercado espera. Se realmente ele entregar tudo que está prometendo”, declarou.

Parente, porém, faz uma ressalva: “é preciso entender com mais detalhes qual seria a forma de realizar esse processo. Não acho que seja irreal realmente cortar gastos do governo. São temas que não agradam muito ao Executivo. Então, é importante entender de que maneira isso seria realizado”, afirmou.

Os 2 programas não apresentam estimativas completas dos custos das propostas nem projeções para a trajetória da dívida pública. 

ESTADO X INICIATIVA PRIVADA

Lula defende o Estado como indutor do desenvolvimento. O programa estima ampliar investimentos por meio do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), fortalecer a indústria nacional, direcionar crédito para inovação e transição energética e manter as estatais como instrumentos de investimento.

O presidente também pretende expandir projetos de infraestrutura, dar continuidade ao Minha Casa, Minha Vida e ampliar linhas de crédito para pequenos negócios.

Flávio propõe um Estado menor, com maior participação privada em concessões, parcerias público-privadas e projetos de infraestrutura. O plano estima R$ 900 bilhões em projetos e retomar o Programa Nacional de Desestatização.

O senador também quer reduzir entraves regulatórios, atrair investimentos estrangeiros para o processamento de minerais críticos e transformar o Brasil em um polo internacional de data centers.

Para isso, Flávio promete que uma das suas primeiras ações será uma “revogaço”. Ele quer rever mais de 1.000 decretos feitos pelo atual governo.

TRABALHO E RENDA

Lula e Flávio Bolsonaro têm propostas diferentes para o mercado de trabalho. O presidente defende ampliar direitos e valorizar os salários, enquanto o senador quer reduzir custos de contratação e flexibilizar as relações trabalhistas.

Lula propõe:

  • Valorizar o salário mínimo acima da inflação e ampliar o emprego formal;
  • Combater a precarização do trabalho e investir em qualificação profissional;
  • Acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada semanal para 40 horas, sem diminuição salarial;
  • Ampliar a proteção social e previdenciária dos trabalhadores de aplicativos.

Flávio propõe:

  • Reduzir encargos sobre a folha de pagamento;
  • Flexibilizar jornadas e ampliar as negociações entre empregadores e empregados;
  • Criar modalidades de contratação com custos menores para jovens de 18 a 24 anos e pessoas com mais de 50 anos desempregadas há mais de 12 meses.

Na área social, Lula pretende manter e ampliar programas como o Bolsa Família e o Gás do Povo. Também propõe modernizar o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e diversificar as fontes de financiamento da Previdência.

Flávio, por sua vez, quer reavaliar programas e beneficiários para reduzir a dependência do Estado e aproximar a assistência social do mercado formal de trabalho. Mas o candidato nega que acabará com os benefícios sociais, inclusive o Bolsa Família.

Na Previdência, o senador defende:

  • Digitalizar o INSS;
  • Combater fraudes;
  • Controlar o crédito consignado para evitar cobranças indevidas.

AGRONEGÓCIO E INFRAESTRUTURA

Lula pretende fortalecer o Plano Safra e a agricultura familiar, ampliar o crédito rural, estimular a produção nacional de fertilizantes e aumentar os estoques públicos de alimentos. Na energia, defende investimentos em biocombustíveis, hidrogênio de baixa emissão e eólicas offshore, além da atuação da Petrobras em refino, gás e fertilizantes.

Flávio prioriza a produção agropecuária, o direito de propriedade, o seguro rural e a ampliação da capacidade de armazenamento. Na energia, propõe ampliar a oferta de fontes, incluindo gás natural extraído por fracking, e reduzir encargos da conta de luz.

COMÉRCIO EXTERIOR E PEQUENOS NEGÓCIOS

Lula defende fortalecer a indústria nacional, ampliar as exportações e a presença brasileira nos mercados globais. Para pequenos negócios, propõe ampliar o acesso ao crédito, às garantias públicas e aos programas de produtividade e digitalização.

Flávio quer ampliar a abertura comercial, buscar acordos e retomar a adesão do Brasil à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Também propõe reduzir gradualmente o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre operações de câmbio.

Para pequenos empreendedores, prevê facilitar a abertura de empresas, ampliar o crédito e transformar a Caixa Econômica Federal em um “Banco da Prosperidade”. O programa inclui o Minha Primeira Empresa e o Ganha, Ganha, que teria juros menores para quem cumprir critérios como capacitação e pagamentos em dia.

Assista ao trecho do PoderDataCast sobre as propostas econômicas e fiscais dos candidatos à Presidência no 1º turno (6min15s):

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