NESTA EDIÇÃO. EQT compra a Range e cria gigante do gás americano.
Inflação da energia na América Latina segue em alta.
ANP analisa na quinta o pedido da ATGás contra o corte na base de remuneração das transportadoras.
Eneva fecha acordo com quarto fornecedor de gás argentino.
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EUA terão gigante de gás com fusão entre EQT e Range
Uma fusão entre duas produtoras de xisto vai criar a maior produtora de gás natural verticalmente integrada dos Estados Unidos, com valor de mercado de mais de US$ 50 bilhões. A EQT anunciou na segunda (26/10) a compra da Range Resources, por meio de uma troca de ações.
- Pelas contas da Reuters, o negócio avalia a Range em cerca de US$ 12,8 bilhões, com prêmio de 20,6% sobre o fechamento de sexta (23/10) (Oilprice). Os acionistas da EQT ficam com cerca de 73% da nova empresa, e os da Range, com 27%.
- A EQT prevê sinergias de US$ 325 milhões por ano em até dois anos. O fechamento está previsto para o primeiro trimestre de 2027 e depende do aval de acionistas e reguladores.
O tamanho. Juntas, as duas empresas produzem cerca de 255 milhões de m³ equivalentes por dia. As companhias têm mais de 30 anos de estoque de perfuração e quase 6 mil quilômetros de gasodutos.
A aposta. A operação ocorre em meio ao boom no mercado de gás natural nos Estados Unidos, que são hoje o maior exportador mundial de gás natural liquefeito (GNL).
- Na projeção de outubro, a Administração de Informação de Energia (EIA) prevê uma produção de gás seco de 31,78 bilhões de m³/dia (112,2 bilhões de pés cúbicos por dia) em 2026, além de exportações recordes de GNL este ano, de 498,38 milhões de m³/dia (17,6 bilhões de pés cúbicos por dia).
O contexto. Além da alta nas exportações, os EUA também vivem um aumento na demanda interna de gás natural para a geração de energia elétrica, com a maior demanda de eletricidade impulsionada pelos data centers.
Fique ligado: O governo brasileiro deve anunciar nesta terça-feira (27/10) uma definição sobre o futuro da subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel. O prazo da portaria que cria o auxílio venceu na segunda (26/10) mas pode ser prorrogado por 30 dias. Até o fechamento desta edição, nenhuma confirmação havia sido publicada no Diário Oficial da União (DOU).
Mais fusões e aquisições. A WEG acertou a aquisição do negócio de soluções de controle de potência da empresa norte-americana L&S Electric por R$ 55 milhões (US$ 11 milhões).
- O segmento, chamado de Power Controls Solutions (PSC), é especializado no fornecimento de reguladores de velocidade e sistemas de excitação para usinas de geração de energia, especialmente no segmento hidrelétrico. (Valor Econômico)
Inflação da energia. A inflação anual da energia na América Latina e no Caribe subiu para 8,33% em agosto, a maior em 12 meses, segundo a Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (Olacde). A inflação geral ficou em 4,43%.
- Pela primeira vez, o preço médio do diesel na região igualou o da gasolina, a US$ 1,41 por litro. Desde fevereiro, o diesel subiu 26%, e a gasolina, 18%.
Preço do barril. O Brent era negociado em alta, a US$ 111,38 às 6h de terça-feira (27/10) no horário de Brasília. (Investing)
- Na segunda (26/10), o contrato do Brent para janeiro fechou em queda de 0,86%, a US$ 110,74 o barril, e o WTI caiu 1,46%, a US$ 101,76.
- Entre os fatores que impactaram os preços estão as visitas de delegações da Arábia Saudita, do Paquistão e da Turquia ao Irã na segunda para tentar evitar a volta dos confrontos entre o Irã e os Estados Unidos. O mercado também espera a decisão de juros do Federal Reserve (Fed), na quarta (28/10).
Petróleo da União. A Pré-Sal Petróleo (PPSA) faz na quarta (28/10), às 10h30, o 10º leilão spot, com cerca de 4,5 milhões de barris de petróleo do campo de Búzios , divididos em cinco lotes, para carregamento em dezembro.
Tarifas de gasodutos. Já na quinta (29/10), a diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) analisa o pedido da ATGás, associação das transportadoras, contra a decisão que cortou em R$ 11 bilhões a base de remuneração pleiteada pela Transportadora Associada de Gás (TAG) e pela Nova Transportadora do Sudeste (NTS).
Gás argentino. A Eneva fechou acordo com a comercializadora Cinergia, seu quarto fornecedor de gás argentino, e pediu ao governo argentino autorização para importar até 400 mil m³/dia, em base interruptível, via Bolívia.
- A empresa já tinha autorização para importar gás da Pampa Energía, da Tecpetrol e da Total Austral.
- Para contextualizar: As importações de gás argentino acontecem nas janelas de verão, quando sobra gás no país vizinho. O leilão estruturante de gás que o governo quer fazer em 2027 pode testar a disposição por contratos de longo prazo.
O desafio da governabilidade. A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), por 4,430 milhões de votos e depois de uma virada histórica no segundo turno, não muda o fato de que ele terá de governar com um Congresso hostil ao petista e à agenda de centro-esquerda.
- Nem apaga o peso de uma parcela do eleitorado que votou em Lula menos por adesão ao PT e mais por antibolsonarismo: uma classe média que espera um olhar pragmático para as suas demandas. Leia na análise de Nivaldo Souza.
Transição energética e clima. A reeleição de Lula sinaliza a continuidade de políticas para biocombustíveis, hidrogênio, mercado de carbono, data centers e minerais críticos, todas ainda pendentes de decisões do Executivo.
- É o caso do mandato de combustível sustentável de aviação (SAF), previsto para começar em janeiro de 2027, e do hidrogênio de baixo carbono, que aguarda o primeiro edital para disputar R$ 18 bilhões em subsídios.
Impulso no fundo para florestas. Um dia após o resultado das eleições presidenciais no Brasil, o governo da Holanda apresentou ao parlamento do país a intenção de injetar US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) no TFFF, o fundo de florestas lançado pelo Brasil no ano passado. (Folha de São Paulo)







