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Projeto investiga algas do Atlântico Sul e da Antártida para compreender mudanças climáticas

Iniciativa reúne 35 grupos de pesquisa para estudar a biodiversidade marinha, investigar substâncias com potencial farmacêutico e ampliar o conhecimento sobre os ecossistemas oceânicos

O projeto pretende ampliar o conhecimento sobre as macroalgas marinhas do litoral brasileiro – Foto: Fanly Fungyi
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Coordenado pelo Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), o Projeto Algas e Clima reúne 35 grupos de pesquisa para investigar a biodiversidade marinha do litoral brasileiro, dos canais chilenos e de regiões da Antártica. A iniciativa busca compreender como as algas respondem às mudanças climáticas e identificar substâncias com potencial para o desenvolvimento de novos tratamentos farmacêuticos.

O projeto integra o Programa Atlântico Sul e Antártico (Proasa), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e pretende ampliar o conhecimento sobre as macroalgas marinhas do litoral brasileiro. A pesquisa também abrange regiões de transição entre o Atlântico Sul e o Pacífico, nos canais chilenos, além de áreas da Antártida que vão além da Península Antártica.

Pio Colepicolo Neto – Foto: IQ-USP

Segundo o coordenador do projeto, Pio Colepicolo Neto, professor do Departamento de Bioquímica do IQ-USP, a iniciativa não se limita à identificação de novas substâncias. Outro objetivo é formar pesquisadores capacitados para desenvolver projetos científicos de grande porte. “Não é só fazer pesquisa e descobrir novas drogas. Nós queremos formar pessoal, recursos humanos”, afirma o professor.

As investigações já estão em andamento. Uma equipe participa de uma expedição à Antártida, em parceria com a esquadra chilena e o Instituto Antártico Chileno (Inach). Outra está embarcada no veleiro Eco, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), para realizar coletas no litoral catarinense. As próximas etapas incluem pesquisas nos canais chilenos, região influenciada tanto pelo Atlântico Sul quanto pelo Pacífico.

Biodiversidade marinha e mudanças climáticas

A Antártida é uma região estratégica para o estudo das mudanças climáticas. O derretimento das geleiras e as alterações ambientais tornam o continente importante para investigar como os ecossistemas respondem às transformações do clima. Ao ampliar as coletas para áreas além da Península Antártica, o projeto pretende analisar como a biodiversidade de algas se distribui e se comporta em diferentes ambientes.

Substâncias com potencial farmacêutico

Além das algas, os pesquisadores estudam microrganismos que vivem associados a elas, como fungos e bactérias. Esses organismos podem produzir substâncias de interesse científico e farmacêutico, abrindo possibilidades para o desenvolvimento de novas aplicações.

Uma das frentes de pesquisa envolve testes de compostos contra a leishmaniose, com a participação de pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara. Outros grupos da USP, em Ribeirão Preto, investigam aplicações em diferentes áreas, incluindo a dermatologia e o desenvolvimento de substâncias capazes de absorver a radiação ultravioleta.

A participação de instituições e equipes com diferentes especialidades permite analisar o material coletado sob diversas perspectivas, da caracterização da biodiversidade à investigação de possíveis aplicações para a saúde humana.

Ciência mais próxima da sociedade

A aproximação entre a pesquisa científica e a população, incluindo o diálogo com comunidades costeiras, também faz parte dos objetivos do Projeto Algas e Clima. Segundo Colepicolo, os resultados produzidos nas universidades precisam ser compartilhados com a sociedade que financia a pesquisa pública.

“Quem paga a pesquisa, na verdade, é o povo. Então a gente tem essa obrigação de trazer de formas diversas essa contribuição que a gente faz dentro do laboratório”, destaca.

O professor também defende que o conhecimento científico seja transformado em aplicações concretas, como produtos com finalidade farmacêutica. O projeto tem previsão inicial de seis anos de execução, com possibilidade de prorrogação por mais um ano, conforme as regras do programa da Fapesp.

Ao integrar diferentes grupos de pesquisa e promover expedições em regiões estratégicas do Hemisfério Sul, a iniciativa pretende ampliar o conhecimento sobre os ecossistemas marinhos e investigar como a biodiversidade de algas pode contribuir para compreender os efeitos das mudanças climáticas e desenvolver soluções para a saúde humana.

Jornal da USP no Ar é veiculado pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 12h40, 15h, 16h40 e às 18h. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9. Ouça também pelo link ou pelos agregadores de podcasts à disposição.

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