Os países importadores de gás natural liquefeito (GNL) gastarão US$ 39 bilhões a mais no mercado spot em 2026 do que o inicialmente estimado, antes da guerra no Oriente Médio, estima a Rystad Energy. E tudo isso para comprar 60,7 milhões de toneladas a menos.
Na América do Sul, onde o Brasil figura como um dos principais importadores, a conta ficará 46,3% mais cara.
- O custo estimado com a compra de cargas no mercado spot deve totalizar US$ 7,9 bilhões este ano na América do Sul, segundo a consultoria;
- A Rystad cita que o Brasil está impulsionando o aumento — tanto de preços quanto de volumes importados — na região, que em termos absolutos, não está entre os principais mercados de GNL do mundo.
A interrupção das exportações do Catar e Emirados Árabes Unidos (EAU) forçou um remanejamento dos fluxos globais no mercado de GNL.
Mais países passaram a recorrer aos contratos de curto prazo, a preços mais altos, para substituir os volumes perdidos.
Com isso, os custos globais do portfólio de GNL vão aumentar 18% em 2026, dos US$ 217,8 bilhões inicialmente projetados para US$ 256,3 bilhões.
A Rystad pressupõe, na conta, que as entregas de GNL do Catar e dos EAU ficarão indisponíveis até o fim do ano.
Europa é a região mais exposta
Os importadores enfrentam diferentes níveis de exposição à inflação do mercado global de GNL, dependendo da abrangência de seus contratos, dos preços de referência e da capacidade de reduzir a demanda.
A região mais vulnerável é a Europa, cuja conta ficará, no mínimo, US$ 12 bilhões (ou 18%) mais cara — mesmo com a queda esperada de 24 milhões de toneladas na demanda.
A Rystad destaca que a Europa já entrou na crise fortemente dependente de compras spot, o que reduziu a margem do continente para aumentar sua presença no mercado de curto prazo.
Já a Ásia Oriental, apesar de ter a maior exposição nominal aos contratos do Golfo Pérsico, está em melhor posição para enfrentar a crise, porque possui um portfólio mais amplo de contratos de fornecimento fora do Oriente Médio.
As compras no spot representam apenas 14,5% das importações na região, que reúne países como China, Japão e Coreia do Sul.
Ásia Oriental enfrenta o menor aumento relativo nos custos de GNL entre as regiões fora do Oriente Médio, de 9,7%.
A Rystad cita, ainda, que a Ásia Meridional está se ajustando principalmente por meio da redução das importações, com destaque para o Paquistão.
“A crise expõe uma fragilidade fundamental na segurança do gás: diversificar os preços de referência pode ajudar a gerenciar os custos, mas não garante o fornecimento físico. Os importadores precisam avaliar sua exposição a interrupções no fornecimento, juntamente com o risco de preço, construindo portfólios de contratos em torno de rotas de entrega confiáveis e demanda que não possa ser facilmente substituída”, comentou o analista sênior de Pesquisa de Gás e GNL da Rystad Energy, Christoph Halser, em nota.

Petrobras recorre a contratos de longo prazo
Em meio à inflação do mercado global de GNL, a Petrobras tem recorrido a novos contratos de longo prazo.
A estatal assinou, desde agosto, dois novos grandes contratos de aquisição de gás natural liquefeito com produtores dos Estados Unidos:
- um com a Sempra Infrastructure, de 0,8 milhão de toneladas por ano (mtpa) de GNL por um período de 20 anos;
- e um outro com a Cheniere, também de 0,8 mtpa, por um período de 22 anos.
A Petrobras atribui os novos contratos à estratégia da empresa de reduzir sua exposição à volatilidade do mercado spot e de fortalecer a gestão de riscos do portfólio de gás natural.
Os novos compromissos se dão, também, num contexto de aumento da demanda por geração a gás flexível.
A Petrobras foi uma das protagonistas do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026, ao recontratar oito de suas usinas a gás e que somam uma potência contratada de 2,23 GW.






