NESTA EDIÇÃO. Projetos ligados à Missão 5 da Nova Indústria Brasil mobilizaram R$ 73,8 bilhões até junho de 2026.
No mundo, países de baixa renda receberam apenas 0,1% dos investimentos em transição energética, enquanto os de renda média-baixa ficaram com 8,7%.
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Investimentos associados à descarbonização e transição energética na indústria tiraram do papel cerca de 26 mil projetos entre 2023 e junho de 2026, de acordo com mapeamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O volume, no entanto, ainda responde por uma parcela dos R$ 755,2 bilhões em crédito para o financiamento de 610 mil projetos industriais no período, mostra a 7ª edição do Radar da Indústria.
Projetos enquadrados no Plano Mais Produção (P+P), relacionados à Missão 5 da Nova Indústria Brasil (NIB), por exemplo, mobilizaram R$ 73,8 bilhões até junho de 2026.
Já o Fundo Clima respondeu por R$ 11,7 bilhões em crédito para a indústria entre 2023 e setembro de 2026, sendo a maior parcela destinada à transição energética (R$ 8,1 bilhões), seguida de projetos industriais ligados à sustentabilidade – indústria verde (R$ 2,6 bilhões) e o FINAME Verde, para máquinas e equipamentos sustentáveis (R$ 443 milhões).
A Missão 5 da NIB é focada em bioeconomia, descarbonização, transição e segurança energética, com meta de reduzir, até 2033, 30% da emissão de CO2 por valor adicionado da indústria, além de ampliar em 50% a participação dos biocombustíveis na matriz de transportes.
E dialoga com o Plano de Transformação Ecológica, do Ministério da Fazenda, que busca escalar programas de financiamento verde, como o Fundo Clima.
O levantamento calcula que esses projetos adicionaram 1.025 MW de capacidade solar e eólica, ampliaram a produção de biometano e etanol e, na chamada indústria verde, permitiram substituir 32 mil toneladas equivalentes de combustíveis fósseis.
Já a digitalização mobilizou R$ 119,8 bilhões do P+P em 57 mil projetos vinculados à Missão 4 da NIB. Segundo o relatório, o volume anual de recursos mais do que dobrou entre 2023 e 2025.
A CNI destaca, no entanto, que apesar da ampliação dos instrumentos de desenvolvimento produtivo, a indústria de transformação perdeu dinamismo nos últimos trimestres.
“Após crescimento de 3,9% em 2024, o setor registrou retração de 0,2% em 2025 e, segundo projeções da CNI, deve manter o fraco desempenho em 2026. Esse resultado ocorre em um ambiente econômico que limita os efeitos dos instrumentos de política industrial”, comenta em nota.
“A essas dificuldades domésticas soma-se um ambiente externo adverso, marcado por tensões geopolíticas, pelo aumento das barreiras comerciais nos Estados Unidos e pelas pressões sobre os custos de energia e insumos associadas a conflitos no Oriente Médio”, completa.
Capital concentrado
No mundo, cinco setores estratégicos estão atraindo uma parcela crescente dos investimentos globais: infraestrutura para inteligência artificial, semicondutores, transição energética, minerais críticos e tecnologias avançadas e sensíveis.
Relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) sobre as tendências de investimentos para 2026 mostra que os investimentos greenfield (novas instalações) anunciados nesses setores saltaram de US$ 109 bilhões, em 2020, para US$ 576 bilhões, em 2025.
Infraestrutura de IA foi a maior categoria em volume de aportes em 2025, somando US$ 341 bilhões, incluindo construção de data centers e projetos de computação em nuvem e cibersegurança.
Em seguida veio o setor de semicondutores, com o crescimento mais acelerado, saltando de US$ 17 bilhões em 2020, para US$ 148 bilhões em 2025.
Baterias, veículos elétricos, hidrogênio e captura de carbono, entre outras tecnologias de transição energética mobilizaram US$ 52 bilhões, enquanto minerais críticos, como cobre, lítio e elementos de terras raras, atraíram US$ 22 bilhões.
Já as chamadas tecnologias avançadas e sensíveis, incluindo biotecnologia, robótica, tecnologias quânticas e sistemas espaciais, responderam por US$ 14 bilhões.
Mas o boom dos investimentos está concentrado nas duas pontas: nas economias que fornecem o capital e naquelas que recebem os investimentos.
E as políticas governamentais estão reforçando essa divisão.
A Unctad observa que China, União Europeia e Estados Unidos responderam por metade das medidas de política industrial registradas na última década. São pacotes que combinam subsídios, regras para compras públicas, exigências de conteúdo local e restrições ao comércio e aos investimentos.
Ainda segundo o relatório, na transição energética, por exemplo, países de baixa renda receberam 0,1% dos investimentos, e países de renda média-baixa, 8,7%.
Entre os setores estratégicos analisados, os minerais críticos e os materiais estratégicos representam a maior participação dos investimentos destinados a países de baixa renda e de renda média-baixa, com 5% e 9,6% dos investimentos globais, respectivamente.
Cobrimos por aqui
Curtas
Lula 4. O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta terça (27/10) que o partido está disposto a conversar com o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre governabilidade e composição do quarto mandato, mas condicionou uma eventual participação à independência da legenda.
Recorde de concentração de GEE. Relatório publicado nesta terça (27/10) pela Organização Meteorológica Mundial mostra que 2025 atingiu níveis de concentração “sem precedentes” de gases do efeito estufa na atmosfera. A concentração de CO2 está 53% mais alta do que em níveis pré-industriais e a de metano 167% maior.
Leilão de transmissão. O Ministério de Minas e Energia publicou o cronograma dos leilões de transmissão de energia elétrica para o período de 2027 a 2029. Há previsão de sete certames: sessões públicas em abril e outubro de cada ano e uma sessão adicional em dezembro de 2027.
Inflação da energia. A inflação anual da energia na América Latina e no Caribe chegou a 8,33% em agosto, a maior em 12 meses, contra 4,43% da inflação geral, segundo a Olacde. Pela primeira vez, o preço médio do diesel na região igualou o da gasolina, a US$ 1,41 por litro.
Diesel com subsídio. O Ministério do Planejamento e Orçamento anunciou nesta terça-feira (27/10) que o governo irá renovar a subvenção de R$ 2,12 por litro do diesel por um mês. De acordo com a pasta, o impacto fiscal continuará sendo coberto pelas receitas extraordinárias com a exploração de petróleo.
EUA terão gigante de gás. Uma fusão entre duas produtoras de xisto vai criar a maior produtora de gás natural verticalmente integrada dos Estados Unidos, com valor de mercado de mais de US$ 50 bilhões. A EQT anunciou na segunda (26/10) a compra da Range Resources, por meio de uma troca de ações.
Custo da guerra. Os países importadores de GNL gastarão US$ 39 bilhões a mais no mercado spot em 2026 do que o estimado antes da guerra no Oriente Médio, aponta a Rystad Energy. E tudo isso para comprar 60,7 milhões de toneladas a menos. Na América do Sul, onde o Brasil figura como um dos principais importadores, a conta ficará 46,3% mais cara.
Autorregulação das comercializadoras. A Abraceel apresentou nesta terça (26/10) seu programa de autorregulação para a comercialização de energia. A participação é obrigatória para as empresas associadas. Outras companhias também podem aderir voluntariamente.
- A iniciativa passa a estabelecer, monitorar e fiscalizar condutas das instituições de forma a estabelecer padrões de governança, ética, prudência operacional e conformidade regulatória, de forma complementar à legislação e à regulação.
Impulso no fundo para florestas. Os Países Baixos anunciaram, na segunda (26), durante a COP17, em Yerevan (Armênia), que vão investir US$ 500 milhões no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), elevando o total de investimentos já anunciados no fundo a US$ 7.8 bilhões.
- Um dia após o resultado das eleições presidenciais no Brasil, o governo da Holanda apresentou ao parlamento do país a intenção de injetar US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) no fundo lançado pelo Brasil no ano passado. (Folha de São Paulo)
Preservação no Panamá. A Constellation assinou acordo com a Fundación Marea Verde para apoiar o projeto Siete Cuencas, desenvolvido em parceria com The Ocean Cleanup. A iniciativa intercepta resíduos sólidos nos rios da Cidade do Panamá antes de alcançarem o mar, evitando a poluição de um ecossistema protegido e de alta biodiversidade.







