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Margem Equatorial: como o Pará pode transformar o seu potencial geológico em desenvolvimento sustentável

A Margem Equatorial brasileira abre uma nova perspectiva para o desenvolvimento do Pará, no seu sentido mais amplo. Mais do que uma oportunidade para a indústria de petróleo e gás, representa a possibilidade de atrair investimentos, fortalecer a indústria, gerar empregos qualificados e diversificar a economia estadual. Para transformar esse potencial em resultados concretos, entretanto, é preciso começar a agir desde já.

O avanço das atividades exploratórias, condicionado às exigências ambientais e regulatórias, exige planejamento e visão de longo prazo.

A experiência de outras regiões produtoras, no Brasil e em outros países, demonstra que os benefícios de uma nova fronteira petrolífera dependem não apenas da existência de recursos naturais, mas também da capacidade de desenvolver infraestrutura, fornecedores, mão de obra qualificada e atividades industriais associadas.

Belém pode assumir um papel estratégico nessa transformação. Sua localização e sua conexão privilegiada com o litoral da Amazônia Oriental oferecem condições para ampliar sua participação como uma das principais bases logísticas de apoio às operações offshore da Margem Equatorial.

A presença hoje de empresas concessionárias de blocos exploratórios nas bacias da Foz do Amazonas e Pará-Maranhão, como Petrobras, ExxonMobil, Chevron, CNPC, Brava e Prio, reforçam a importância de preparar o ambiente econômico regional para as oportunidades que poderão surgir.

Blocos exploratórios da Margem Equatorial e representação indicativa da área potencial de influência logística de Belém. A representação logística deverá ser identificada como indicativa, sem pressupor rotas operacionais ou áreas de atendimento já estabelecidas (Fonte ANP, com elaboração cartográfica própria)

Essa preparação envolve infraestrutura portuária, transporte, armazenagem, manutenção, serviços especializados, formação profissional e uma cadeia de fornecedores capaz de atender às exigências da indústria. O objetivo é criar condições para que as empresas paraenses participem efetivamente dos investimentos, ampliando o conteúdo local e os benefícios econômicos sociais para o estado.

Nesse esforço, o Sistema S tem papel estratégico nesse processo. Com atuação em diferentes segmentos da economia, como indústria, comércio, serviços, agropecuária, transporte e cooperativismo, essa rede pode contribuir para ampliar os benefícios da Margem Equatorial para a sociedade. 

O Sistema FIEPA já está se preparando para atender às novas demandas. O Senai, com sua capacidade de formação técnica, qualificação profissional e inovação industrial, tem papel fundamental na preparação da mão de obra e no desenvolvimento de soluções tecnológicas para a cadeia de petróleo e gás.

O Sesi contribui com soluções em saúde, segurança e qualidade de vida dos trabalhadores, fundamentais para atividades de elevada complexidade. Essa atuação se complementa com o IEL (Instituto Euvaldo Lodi), na formação de talentos e no aperfeiçoamento da gestão empresarial, e com a REDES FIEPA, no fortalecimento e na integração de fornecedores locais às grandes cadeias produtivas. 

Mas a ambição do Pará deve ir além do apoio logístico às operações marítimas. 

O aproveitamento do gás natural precisa entrar desde já na agenda de planejamento. Caso as atividades exploratórias confirmem volumes economicamente recuperáveis, será necessário avaliar as alternativas de escoamento, processamento, transporte e monetização do gás, considerando custos, infraestrutura, mercado consumidor e viabilidade ambiental.

Nesse contexto, Barcarena merece atenção especial. Sua infraestrutura industrial e logística oferece uma base para estudar alternativas de recebimento e processamento de gás natural e o desenvolvimento de novas atividades industriais.

Os projetos em operação ou em fase final de construção nesse município paraense, na Grande Belém, garantem um expressivo consumo de 15 milhões de metros cúbicos diárias de gás natural, hoje abastecido com gás natural liquefeito (GNL) importado.

Um eventual polo gasoquímico e outros empreendimentos intensivos em gás poderão integrar essa estratégia, desde que sustentados por estudos de viabilidade e condições competitivas de fornecimento.

A oportunidade é transformar recursos naturais em investimentos produtivos, empregos, arrecadação e maior valor agregado dentro do próprio Pará. Isso exige antecipação, articulação institucional e decisões fundamentadas em cenários realistas.

É com essa visão que a FIEPA está liderando a criação do Fórum Paraense de Petróleo, Gás e Energia, reunindo empresas, governos, instituições de ensino e pesquisa e entidades representativas.

O Fórum vai funcionar como espaço permanente de articulação para identificar oportunidades, mobilizar competências locais e organizar uma agenda de preparação do estado para os investimentos associados à Margem Equatorial.

A iniciativa será acompanhada por uma programação de atividades ao longo do ano, com culminância no Amazon Energy 2027, que poderá consolidar essa mobilização e projetar nacionalmente o Pará como protagonista do desenvolvimento energético e industrial da região.

A Margem Equatorial ainda depende de resultados exploratórios e de condições técnicas, econômicas, ambientais e regulatórias. Preparar o estado não significa antecipar descobertas ou garantir resultados, mas reconhecer que infraestrutura, qualificação profissional, fornecedores e planejamento industrial não se constroem de uma hora para outra.

O Pará tem a oportunidade de participar dessa nova etapa não apenas como base de apoio à produção offshore, mas como um dos protagonistas de uma transformação econômica mais ampla. Para isso, precisa integrar logística, aproveitamento do gás natural, desenvolvimento de fornecedores e articulação institucional em uma estratégia consistente.

O desafio não é apenas encontrar petróleo e gás. É preparar o Pará, em harmonia com os vizinhos Amapá e Maranhão, para transformar essa oportunidade em desenvolvimento, competitividade.


Alex Dias Carvalho é presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa).

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