Google search engine
InícioPlantão InformativoTaesa inaugura nova era da transmissão subterrânea com cabo de 525 kV...

Taesa inaugura nova era da transmissão subterrânea com cabo de 525 kV no Brasil

A infraestrutura de transmissão de energia elétrica brasileira ganha uma nova alternativa tecnológica com a utilização de cabos isolados de 525 kV na subestação de Assis, no interior de São Paulo. O projeto da Taesa, desenvolvido com a Prysmian, representa a primeira aplicação dessa tecnologia nessa classe de tensão no Brasil e abre novas perspectivas para a expansão da rede elétrica de transmissão, sobretudo em locais onde a instalação de linhas aéreas enfrenta limitações de espaço, restrições ambientais ou obstáculos urbanísticos.

Mais do que a introdução de um novo equipamento, a solução trazida pela Taesa para o Brasil, demonstra como a evolução tecnológica pode ampliar as possibilidades de engenharia no sistema de transmissão. A utilização de cabos subterrâneos em extra-alta tensão permite considerar alternativas para interligações e ampliações de subestações em cenários nos quais a construção de estruturas aéreas seria complexa ou economicamente inviável.

Embora a tecnologia já seja empregada em outros mercados internacionais, sua chegada ao Brasil representa um avanço importante para o setor elétrico nacional. A solução amplia o repertório técnico disponível para as transmissoras e cria novas possibilidades para projetos estratégicos que exigem elevada capacidade de transmissão associada a uma ocupação mais restrita do território. 

“Na subestação de Assis/SP, surgiu uma necessidade de ampliar a potência de instalação para atender a região de São Paulo. No entanto, passamos a enfrentar uma dificuldade de espaço interno dentro da subestação. Daí iniciamos os estudos e buscamos esta alternativa, que é inédita no Brasil, que é o cabo isolado de 525 kV. Se fossemos fazer da forma tradicional, com rede área, teríamos que cruzar diversas linhas que já estão existentes, o que dificultaria muito a construção e também colocaria em xeque a confiabilidade do sistema”, destaca Luis Alves, Diretor Técnico da Taesa. 

No dia 03 de setembro, acompanhamos uma Press Trip organizada pela Taesa para apresentação da tecnologia já instalada, na subestação da empresa em Assis/SP. Acompanhe aqui o vídeo da visita. 

Press trip organizada pela Taesa em Assis/SP.

Engenharia e inovação para viabilizar o projeto

A concretização da iniciativa foi resultado de uma evolução na capacidade técnica e operacional da Prysmian. Segundo Daniel Azevedo e Guilherme Lopez, representantes da companhia nas áreas de negócios Power Grid (Alta Tensão) e Gerente de Obras e Gestão de Projetos, respectivamente, a empresa já havia recebido consultas sobre a viabilidade de instalações de 525 kV no Brasil, mas enfrentava dificuldades relacionadas à capacidade fabril, à disponibilidade de profissionais especializados e à infraestrutura necessária para o comissionamento.

“A aplicação de cabos isolados em 525 kV no projeto de Assis/SP representa um marco para o setor de transmissão de energia no Brasil, sendo a primeira utilização dessa tecnologia nesse nível de tensão no país. Embora soluções semelhantes já tenham sido empregadas em outros mercados internacionais, sua adoção no Brasil demonstra a maturidade tecnológica alcançada pelo segmento e amplia significativamente as alternativas para a expansão da rede elétrica nacional. Do ponto de vista da inovação, essa tecnologia abre novas possibilidades para projetos de interligação em subestações, especialmente em cenários onde ampliações são necessárias, mas há limitações de espaço ou restrições ambientais e urbanísticas que dificultam a construção de novas linhas aéreas”, explicam os executivos.

Em muitos casos, segundo a empresa, os cabos isolados podem viabilizar conexões que seriam extremamente complexas ou até inviáveis por meios convencionais. “A utilização de circuitos subterrâneos em 525 kV cria oportunidades para o desenvolvimento de projetos em regiões densamente povoadas, áreas ambientalmente sensíveis e corredores onde a instalação de estruturas aéreas enfrenta restrições técnicas, regulatórias ou sociais. Sob o ponto de vista técnico, a tecnologia já se encontra consolidada e pode, sim, ser utilizada em maior escala em projetos de transmissão subterrânea. Entretanto, sua aplicação deve ser analisada caso a caso, considerando aspectos como distância do circuito, condições de instalação, requisitos operacionais e viabilidade econômica. Atualmente, trata-se de uma solução perfeitamente viável para empreendimentos específicos e estratégicos, especialmente quando os benefícios técnicos, ambientais e de ocupação do território compensam o investimento adicional em relação às soluções convencionais”, complementam os executivos da Prysmian. 

Taesa: “A aplicação de cabos isolados em 525 kV no projeto de Assis/SP representa um marco para o setor de transmissão de energia no Brasil”.

Por se tratar da primeira aplicação dessa tecnologia nessa classe de tensão no Brasil, foi necessário um acompanhamento extremamente rigoroso de todas as etapas do fornecimento, desde a fabricação dos cabos e acessórios até a realização dos ensaios de rotina e de tipo em fábrica, garantindo total conformidade com os requisitos técnicos do empreendimento. “Os desafios do projeto começaram ainda na fase de engenharia, com o dimensionamento da solução para atender simultaneamente aos requisitos elétricos, mecânicos e de instalação de um sistema em 525 kV”, detalham Daniel Azevedo e Guilherme Lopez.

Na fase de instalação, um dos principais desafios, segundo os executivos, foi a qualificação e homologação da equipe responsável pelas emendas e terminações. “Trabalhos em sistemas de 525 kV demandam profissionais com experiência comprovada em sistemas de 345kV. Além do conhecimento técnico, são necessárias práticas rigorosas de controle de qualidade em campo, pois pequenos desvios de montagem podem comprometer o sistema. Além da qualificação da mão-de-obra para montagem de acessórios, também foi necessária a qualificação para montagem dos equipamentos utilizados para o comissionamento, para que o reator ressonante atingisse a tensão de 435 kV fase terra. Este projeto e a experiência adquirida, credenciou a equipe da Prysmian no Brasil como uma das poucas no mundo para sistemas em 525kV”, destacam.

Desafio industrial ainda está na fabricação nacional

Apesar do avanço tecnológico, os cabos utilizados no projeto de Assis ainda não são produzidos no Brasil. A fabricação ocorreu na unidade chinesa da Prysmian, uma das plantas do grupo capacitadas para produzir cabos de 525 kV, ao lado de unidades localizadas na Itália e na França. “Não se trata de uma tecnologia nacional. Atualmente, a Prysmian conta com plantas capacitadas para a produção de cabos de 525 kV em países como Itália, França e China, onde desta última originou-se os cabos produzidos para aplicação do projeto da Taesa no Brasil. A fabricação desse tipo de cabo exige uma linha de catenária vertical, equipamento altamente especializado e disponível em poucas plantas no mundo — e em nenhuma unidade do Grupo localizada no Hemisfério Sul. Além disso, a produção depende de matérias-primas fornecidas por um número restrito de fornecedores especializados”, explica a empresa.

Uma das principais contribuições da solução está na possibilidade de ampliar a flexibilidade dos projetos de transmissão. Em regiões densamente povoadas, áreas ambientalmente sensíveis ou corredores com restrições à instalação de torres e linhas aéreas, os cabos isolados podem oferecer alternativas para viabilizar conexões e reforçar a infraestrutura elétrica.

A tecnologia também pode ser considerada em ampliações de subestações existentes, especialmente quando a disponibilidade de espaço é limitada e a construção de novos corredores de transmissão apresenta dificuldades. A solução não substitui indiscriminadamente as linhas aéreas convencionais. Seu potencial está justamente em oferecer uma alternativa de elevada capacidade para situações nas quais os benefícios técnicos, ambientais e territoriais possam justificar o investimento adicional.

Condutores avançados ampliam as perspectivas de inovação

A estratégia da Prysmian para o mercado brasileiro inclui outras tecnologias voltadas à modernização das redes elétricas. Entre elas estão os cabos nus com tecnologias ACCC e ACSS, além da solução patenteada E3X, que integram o portfólio de condutores avançados da companhia. 

“Além de avançar em soluções para sistemas subterrâneos, a Prysmian vem introduzindo novas tecnologias no mercado brasileiro, incluindo a fabricação local de cabos nus ACCC e ACSS, bem como a tecnologia patenteada E3X. Essas soluções fazem parte do grupo de produtos reconhecidos pelo mercado como condutores avançados. Atualmente, diversos projetos estão sendo desenvolvidos com essas tecnologias, que têm potencial para transformar o perfil das linhas de transmissão no país, hoje caracterizadas pela ampla utilização de cabos de alumínio-liga 1120 (AAAC)”, complementam os executivos da Prysmian .

ARTIGOS RELACIONADOS
Publicidadespot_img
Publicidadespot_img

Mais populares

Publicidadespot_img