A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) disse que dois petroleiros pararam ao sul do Estreito de Ormuz após ignorarem avisos de rádio do Irã. A Marinha iraniana informou nesta sexta-feira (30) que os dois petroleiros se envolveram em um incidente e pararam em águas ao sul de Ormuz. Os navios teriam deligado os seus sistemas de navegação e se envolveram em um incidente após ignorarem avisos por rádio e tentarem usar o que descreveu como uma rota não autorizada através da via navegável estratégica. O Irã também afirmou na sexta-feira ter destruído uma embarcação não tripulada dos EUA no Estreito de Ormuz, na costa leste do país. Não houve confirmação imediata por parte das forças armadas americanas. Em um incidente separado, uma pequena embarcação fixou duas minas magnéticas ao casco de um navio-tanque no Estreito de Ormuz, causando um incêndio na casa de máquinas e incapacitando temporariamente a embarcação. Este foi o primeiro uso bem-sucedido desse tipo de explosivo na hidrovia desde o início da guerra entre os EUA e o Irã, em fevereiro, disseram fontes marítimas na manhã de hoje ( horário local). A tripulação estava em segurança, não houve impacto ambiental e o incêndio foi extinto, informou a agência naval britânica United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) em um comunicado, acrescentando que a embarcação, cujo nome não foi divulgado, estava seguindo para seu próximo porto de escala. Toda esta tensão está se refletindo nos preços do barril do Brent. Esta manhã, em alta, está sendo cotado a US$ 117,33 o barril.
O incidente ocorreu ontem a 25 milhas náuticas (46 km) a nordeste de Khasab, em Omã, informou a UKMTO. “Na manhã de hoje, uma embarcação inimiga que operava dentro da zona operacional a leste do Estreito de
Ormuz foi atingida e destruída pelos bravos membros da Marinha do Exército“, disse um porta-voz da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica em um comunicado. “Além disso, dois petroleiros inimigos – que violaram os regulamentos ao desativarem seus sistemas de rastreamento e navegarem por águas proibidas e inseguras a leste do Estreito de Ormuz, apesar de terem recebido avisos – sofreram danos e pegaram fogo após atingirem minas navais.” Os proprietários dos navios-tanque serão totalmente responsáveis por todas as consequências resultantes desse trânsito não autorizado e do desrespeito às normas de segurança e aos avisos marítimos. “Advertimos o inimigo de que qualquer movimento, infiltração ou ação provocativa em áreas sob vigilância das Forças Armadas da República Islâmica do Irã será respondida de forma decisiva e proporcional.”
O incidente ocorre em meio a repetidos ataques a navios comerciais dentro e ao redor do Estreito de Ormuz, uma das rotas de exportação de petróleo mais importantes do mundo, desde o início do conflito entre os EUA e o Irã em fevereiro. O Irã atingiu embarcações que, segundo o país, violaram suas restrições de passagem pela via navegável estratégica, em uma tentativa de afirmar o controle sobre o estreito e exercer pressão sobre Washington. O petroleiro – o Louise 1, com bandeira do Panamá – foi alvo de minas magnéticas, de acordo com avaliações de três fontes de segurança marítima. Este é o primeiro ataque bem-sucedido conhecido com minas magnéticas na área desde o início da guerra entre os EUA e o Irã, e ocorreu após uma tentativa separada em setembro, também com dispositivos semelhantes, que não detonou, disseram duas das fontes. “A aparente capacidade de uma pequena embarcação se aproximar de um petroleiro em trânsito, lançar dispositivos explosivos e se retirar representa uma preocupação significativa de segurança, particularmente nas rotas de navegação congestionadas do Estreito“, afirmou o grupo de gestão de
riscos marítimos Marisks, com sede na Grécia, em nota divulgada na sexta-feira.
O Marisks afirmou que as minas de fixação magnética foram implantadas pela primeira vez na região em 2017 e usadas contra petroleiros nos anos subsequentes, acrescentando que “as minas de fixação magnética são baratas e facilmente disponíveis. A metodologia de uma pequena embarcação fixar essas minas nos cascos de navios em trânsito é barata, de baixa tecnologia e muito eficiente.” Em julho, as forças ucranianas também atingiram o navio Louise 1 com drones navais no Mar Negro, devido ao que o serviço de segurança ucraniano SBU classificou como seu papel no transporte de petróleo russo e por fazer parte da chamada frota paralela de petroleiros utilizada por Moscou para manter o fluxo das exportações de petróleo. A empresa operadora da embarcação, sediada no Panamá e registrada nos bancos de dados de transporte marítimo como Aquarius Maritime Ventures, não pôde ser contatada imediatamente para comentar o assunto.






