A Anfavea elevou sua projeção de vendas em 2026 para 3,1 milhões de unidades, alta de 15,2% sobre 2025. Se confirmado, será o melhor resultado desde 2014, e muito acima da previsão de apenas 2,7% feita no início do ano. Mas, apesar da recuperação, a indústria nacional enfrenta o avanço das importações, sobretudo de modelos chineses, e a queda acentuada das exportações.
Em setembro, foram vendidos 281,4 mil veículos, maior volume mensal desde dezembro de 2014. Enquanto isso, os eletrificados já representam 20,1% dos emplacamentos de veículos leves novos.

A produção também deve crescer 6,7%, superando 2,8 milhões de unidades. Parte desse avanço, porém, está associada à montagem de veículos CKD e SKD, com menor utilização de componentes e mão de obra nacionais.
O maior sinal de alerta, entretanto, está no comércio exterior. Isso porque as exportações acumulam queda de 23% até setembro, com 334 mil unidades embarcadas. Em contrapartida, as importações cresceram 30,4%, alcançando 463,9 mil veículos. Os modelos chineses já respondem por 55% das importações e 11,3% do mercado brasileiro.
O resultado é um cenário paradoxal: o consumidor brasileiro voltou a comprar, as fábricas produzem mais, mas a indústria nacional perde espaço no exterior, e vê os importados avançarem dentro de casa. Dessa forma, para a Anfavea o desempenho do mercado interno é motivo de comemoração, mas a deterioração da balança comercial exige atenção imediata.
Fonte: Anfavea






