Entenda as diferenças entre tubos com e sem costura, conheça algumas de suas principais aplicações e saiba da atual situação deste mercado.
HENRIQUE PÁTRIA / MARCUS FREDIANI
O aço é um material versátil, reciclável e presente em praticamente todos os momentos de nossas vidas. Está nos veículos que utilizamos, nos equipamentos médicos, nos eletrodomésticos, na construção civil e nos implementos agrícolas. E entre os produtos feitos de aço, os tubos ocupam lugar de destaque, com aplicações que vão de estruturas metálicas, condução de fluidos até a componentes de alta precisão.
Mas você sabe por que são classificados como tubos com costura ou sem costura?
A partir no processo de fabricação, os tubos apresentam diversas características de formato, dimensões, espessuras, resistências mecânicas e acabamentos, conforme a finalidade de sua aplicação. E eles também podem ser produzidos com diferentes tipos de aço, incluindo laminados, galvanizados, inoxidáveis ou aços com ligas especiais.
O QUE SÃO TUBOS COM COSTURA?
Os tubos com costura são fabricados a partir de chapas ou bobinas de aço que, após passarem por processos de limpeza e preparação, serão cortadas em tiras com dimensões controladas.
Essas tiras são conformadas em equipamentos próprios até adquirir o formato cilíndrico. Quando suas bordas se encontram, são unidas por um cordão de solda longitudinal ou helicoidal, formando a chamada “costura”, dando origem ao tubo.
Depois dessa etapa, o produto pode passar por operações complementares, tais como remoção de rebarbas, limpeza interna e externa, chanframento, dobramento, trefilação e cortes especiais para ajustar o tubo às exigências de sua finalidade de uso.
Atualmente, tais operações são realizadas por equipamentos automatizados e robotizados, sistemas de corte a laser e controles digitais.



E OS TUBOS SEM COSTURA?
Como o próprio nome indica, os tubos sem costura não apresentam uma junta soldada em sua formação. Sua fabricação começa com um tarugo cilíndrico maciço de aço, que é aquecido e perfurado para formar uma peça oca. Em seguida, o material passa por processos de laminação e conformação até atingir as dimensões e propriedades desejadas.
Os tubos sem costura são utilizados em aplicações que exigem características específicas de resistência e desempenho, quase sempre em condições severas de pressão e temperatura.
ALGUNS USOS DOS TUBOS DE AÇO
Indústria Automobilística – Estão presentes nas estruturas, amortecedores, componentes de motores e transmissões, condução de combustíveis e gases e elementos de acabamento. São tubos de alta resistência e outros com grande precisão dimensional.
Construção Civil – Em estruturas metálicas, construção de galpões industriais, estádios, viadutos, coberturas, escadas, mezzaninos e fachadas, e ainda em sistemas de condução de líquidos, gases e vapor.
Agronegócio – Nos implementos agrícolas como tratores, máquinas, ou equipamentos de processamento de grãos. Nas usinas de açúcar e etanol, tubos de aço inoxidável ou galvanizado são os escolhidos. E os sistemas de irrigação não existiriam se não houvesse os tubos de aço.
Petróleo e Gás – São indispensáveis na exploração, extração, condução, refino e armazenamento. Neste caso são imprescindíveis os tubos sem costura.
Eletrodomésticos – Na fabricação de geladeiras, máquinas de lavar, fornos e outros produtos com diferentes sistemas e estruturas.
Saúde – Tubos de dimensões capilares e de alta precisão são utilizados em equipamentos médicos, aplicações odontológicas e próteses, aplicações nas quais a confiabilidade e precisão são fundamentais.
A lista poderia indo mais além, uma vez que os tubos de aço também aparecem em móveis, equipamentos industriais e equipamentos de fitness, entre outras inúmeras necessidades do cotidiano. Enfim são essenciais para a vida moderna.
SITUAÇÃO ATUAL MERCADO
O mercado brasileiro de tubos de aço vive um momento de aquecimento na demanda, impulsionado principalmente por grandes obras de infraestrutura e pela indústria. Segundo o Relatório de Gestão do 2º Trimestre da Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Meta (ABITAM), o período foi marcado por importantes avanços nas negociações comerciais, intensificação dos debates legislativos e movimentos estratégicos voltados à defesa e ao fortalecimento dos interesses dos fabricantes nacionais.
Os setores puxadores do movimento vem sendo a construção civil e o setor automotivo – notadamente este último, a partir da recente revisão para cima da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que estima uma produção de 2,82 milhões de veículos em 2026 –, liderando o consumo de tubos de condução, estruturas metálicas e aços avançados de alta resistência. E o mesmo vem acontecendo com o segmento de óleo, gás, refino e petroquímica, que também vem mantendo alta procura por tubos de aço carbono, incluindo normas como NACE.
Tal percepção otimista, entretanto, encontra revés em dois fatores principais. O primeiro, derivado dos conhecidos reflexos da entrada de aço estrangeiro – com forte presença da China –, o que força as usinas siderúrgica locais a operarem com margens apertadas e cautela nos reajustes. E o segundo, atrelado a esta última questão, ocasionado principalmente pelas altas de preço do aço estrutural, que registrou elevação de 5% a 8% no decorrer de 2026, impulsionado pelo encarecimento do minério de ferro, pelo custos de energia e ainda pelos gargalos logísticos, embora, para os compradores, o diferencial competitivo do mercado atual não está apenas no preço unitário, mas na disponibilidade de pronta-entrega e na rastreabilidade com certificações exigidas pelas normas da ABNT e do Inmetro.
Seja como for, o cenário é promissor. Segundo o IMARC Group – empresa global de consultoria de gestão e pesquisa de mercado, com sede em Nova York, o tamanho do mercado brasileiro de tubos de aço atingiu US$ 1,5 bilhão em 2025. E a estimativa do avanço dela é bastante animadora: o mercado local deve alcançar US$ 1,8 bilhão até 2034, apresentando uma taxa de crescimento (CAGR) de 2,41% no período de 2026 até lá 2034.
“O mercado está passando por uma transformação dinâmica, impulsionada pela evolução das demandas em todos os tipos e aplicações, desde infraestrutura até energia e construção industrial. Avanços nas técnicas de fabricação e inovações em materiais estão moldando a diversificação e a resiliência do setor. Fortes investimentos em capacidades de produção doméstica, juntamente com o alinhamento à dinâmica global de oferta, estão reforçando a competitividade na oferta de tubos de aço. Esses desenvolvimentos estão promovendo uma integração mais profunda nas cadeias de valor, fortalecendo a capacidade de fabricação nacional e sinalizando perspectivas promissoras para a participação de mercado dos tubos de aço no Brasil”, avalia a pesquisa do IMARC Group.
EXPECTATIVAS E DESAFIOS
Porém, cautela nunca é demais. Para Jose Antonio Pauleschi, CEO Grupo Dagan – referência consolidada no mercado brasileiro de distribuição de tubos de aço e fabricação de peças tubulares customizadas, atuando nele desde 1990 – o grande divisor de águas deverá ser o resultado das eleições majoritárias de 2026. “Em caso da vitória da oposição, vejo para os próximo quatro anos, uma queda acentuada das taxas de juros, hoje o maior gargalo das empresas. e a retomada da demanda com possível realinhamento dos preços do aço. Mas em caso de permanência do atual governo, prevejo um desastre ainda maior na nossa combalida economia, e um possível colapso econômico sem uma previsão de solução nos curto e médio prazos”, afirma, ressaltando ainda o efeito benéfico da Reforma Tributária para o segmento, principalmente para as empresas que trabalham dentro da lei e pagando seus impostos em dia, como diz ser o caso da Dagan.
Também com expectativas positivas com a Reforma Tributária, por sua vez, Marcelo Milochi, diretor-geral da Aços VIC, diz que o mercado brasileiro de tubos de aço trefilados de precisão atravessa um momento de inflexão e de grandes desafios estruturais, entre os quais a substituição tecnológica. que demanda soluções mais leves, eficientes e geometrias customizadas. “Quanto à economia, entendemos que o ritmo dela dependerá diretamente do comportamento da taxa básica de juros, e do crédito para bens de capital e financiamentos em geral. E outro ponto de atenção será o enfrentamento da concorrência, que continua preocupantemente acirrada, dos produtos importados, especialmente aqueles vindos da Ásia, com vantagem agressiva de custo nominal de aquisição. E isso reforça ainda mais necessidade de mantermos a elevada qualidade técnica dos produtos que produzimos aqui no Brasil”, afirma, com convicção.






