NESTA EDIÇÃO. Segurança no suprimento e alta nos preços podem levar Europa a adiar regras para emissões de metano no petróleo e gás importados.
Petrobras decidiu “dar um passo atrás” na licitação do gasoduto do projeto Sergipe Águas Profundas, diz Renata Baruzzi.
Decisão sobre gás no Redata abre espaço para novas tecnologias de redução das emissões.
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União Europeia avalia adiar regras para controle de metano na importação de petróleo e gás
A crise global no mercado de petróleo pode fazer a União Europeia adiar a implementação de medidas para controlar as emissões de metano no óleo e gás importados pelo bloco. As novas regras estão previstas para entrar em vigor em janeiro de 2027, mas podem ser postergadas por um ano.
- O comissário europeu de Energia, Dan Jørgensen, confirmou que sua equipe está conduzindo estudos técnicos sobre o adiamento. (Bloomberg)
- A ideia é dar mais tempo para os operadores adotarem as regras, sem comprometer o abastecimento de energia ou gerar novos aumentos de preços.
- Entre os motivos, Jørgensen citou as incertezas sobre as exportações por meio do Estreito de Ormuz e a alta nos preços dos combustíveis, além de mencionar a possibilidade de um “inverno muito difícil”.
- Com o início do outono há uma semana, a região está entrando no período de maior consumo de gás natural, devido à demanda por aquecimento.
Dados divulgados pelo bloco na semana passada indicam que o preço dos combustíveis e lubrificantes para transporte pagos pelos europeus subiu 23,8% em agosto na comparação anual, depois de uma alta de 16,9% em julho e um aumento de 13,7% em junho.
- Ao todo, 26 dos 27 países do bloco registraram aumentos nos preços no mês passado.
A mudança nas regras para o petróleo e gás importados pode ter impactos sobre as exportações de petróleo do Brasil, que vem adotando medidas para reduzir as emissões de metano na produção de petróleo e gás.
- Em 2024, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) estabeleceu diretrizes para a redução de emissões de metano na exploração e produção, em linha com o Compromisso Global do Metano, do qual o Brasil é signatário desde 2021.
- O bloco europeu foi responsável por 28% das exportações de petróleo bruto brasileiras em agosto, com vendas para Dinamarca, Espanha, França, Itália, Países Baixos, Polônia e Portugal.
A Europa não é a única que está relaxando regras de combate às mudanças climáticas em meio à crise global nos preços do petróleo. Esta semana, os Estados Unidos também anunciaram uma liberalização nas regras de eficiência para consumo de combustíveis no país.
Preço do barril. O Brent era negociado a US$ 97,48 por volta das 6h40 de terça-feira (29/9) no horário de Brasília.
- A cotação segue próxima do preço de fechamento da sessão de segunda-feira (28/9), quando encerrou em alta de 0,4%, a US$ 97,83 o barril. A sessão foi marcada por volatilidade, após relatos de que a Arábia Saudita elevou o fluxo no oleoduto Leste-Oeste depois de concluir reparos.
Gas release. Em meio à escalada da pressão política da Petrobras contra o programa de desconcentração do mercado de gás natural, a diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da estatal, Renata Baruzzi, afirmou que a Petrobras decidiu “dar um passo atrás” na licitação do gasoduto do projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), devido às discussões sobre a criação do gas release.
- A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) encerrou na segunda-feira (28) a consulta pública sobre a minuta de resolução do programa e, nesta terça (29), realiza, no Rio de Janeiro, o 2º Workshop com agentes do mercado sobre o gas release.
- Baruzzi comentou, ainda, que o plano de negócios 2027-2031 da Petrobras não deve ter muitas mudanças na carteira de novos projetos de produção de óleo e gás. Ela citou o extenso pipeline ainda por ser licitado, como a revitalização de Barracuda-Caratinga e Marlim Sul-Marlim Leste (Bacia de Campos) e de Tupi (Bacia de Santos); além dos projetos Mero Extensão e Entorno Forno. Confira na íntegra
Fracking em pauta. É uma ironia o Brasil discutir a importação de gás natural liquefeito (GNL) das reservas de shale nos EUA e Argentina, quando o país também tem muitas reservas de gás não convencional, na visão do VP da PetroReconcavo, João Vitor Moreira.
Raia segue. O FPSO do projeto operado pela Equinor no pré-sal da Bacia de Campos deve sair da Ásia em direção ao Brasil no primeiro semestre de 2027, segundo o diretor de Operações da companhia no Brasil, Paulo Van Der Ven. O primeiro óleo está previsto para 2028.
Data Centers pressionam o offshore. O superaquecimento na cadeia de fornecedores pressiona as decisões finais de investimentos (FIDs, na sigla em inglês) de novos sistemas de produção de óleo e gás, destacou o consultor Carlos Mastrangelo, em entrevista ao estúdio eixos.
- Ainda em relação à cadeia de fornecimento, o presidente da Abespetro, Telmo Ghiorzi, afirmou que a atual lógica do conteúdo local no Brasil é punitiva e acaba transformando a política em uma “gestão de multas”. A entidade defende a adoção de medidas de bonificação para contratação nacional.
E por falar em data centers… A possibilidade de incluir o gás natural entre as fontes de baixa emissão que os data centers terão que contratar para receber incentivos no Brasil segue indefinida, enquanto o mercado aguarda a regulamentação do Redata. Havia uma expectativa de que o decreto fosse assinado nesta segunda (28/9).
Opinião III: O próximo data center pode não precisar de uma nova usina. Pode precisar de uma VPP. Enquanto o Brasil debate como suprir as grandes cargas que se avizinham, a experiência internacional mostra que parte substancial da resposta já está instalada nos telhados, nas garagens e nos próprios servidores dos data centers, escreve Flávia Silveira
Opinião I: Há uma diferença entre contratar energia suficiente para corresponder ao consumo de um data center e garantir potência para atendê-lo em cada momento, escreve Laércio Oliveira.
Opinião II: O gás natural não rivaliza com as renováveis; pelo contrário, ele provê a segurança operacional necessária para que novas cargas se instalem no país, expandindo, inclusive, o mercado consumidor para toda a matriz, escreve o CEO da Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas (Abraget), Xisto Vieira Filho.







