Importações avançam em setembro, enquanto compras e vendas de aços planos recuam na comparação anual. Para Carlos Loureiro, o aço contido em produtos importados representa uma ameaça crescente à indústria nacional.
O mercado brasileiro de distribuição de aços planos continua enfrentando dificuldades. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), as compras das empresas associadas somaram 333,7 mil toneladas em setembro de 2026, uma queda de 1,9% em relação a agosto e de 7,3% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

As vendas, por sua vez, alcançaram 335,8 mil toneladas, com ligeira alta de 0,5% sobre agosto. Entretanto, na comparação anual, houve retração de 7,2%, refletindo as dificuldades para recuperar o ritmo de negócios no setor.
Para o presidente executivo do Inda, Carlos Loureiro, as perspectivas indicam que o segmento deverá encerrar 2026 com uma queda de aproximadamente 2%.
Importações ampliam a preocupação
Além do desempenho do mercado, Loureiro chama a atenção para uma ameaça que considera ainda mais preocupante para a indústria brasileira: a entrada do chamado aço contido nas importações.
O conceito abrange o aço incorporado a produtos acabados ou industrializados provenientes do exterior, como máquinas, equipamentos, implementos agrícolas e eletrodomésticos, entre outros.
Esse movimento amplia a concorrência enfrentada pelos fabricantes nacionais, pois os produtos importados disputam mercado não apenas com os bens produzidos no Brasil, mas também com as empresas locais que fornecem aço e outros componentes para a indústria.
Na avaliação do executivo, o avanço dessas importações compromete a atividade industrial e o emprego nacional. A preocupação é agravada pela entrada de produtos com preços que, em determinadas situações, ficam abaixo do próprio custo da matéria-prima utilizada pelos fabricantes brasileiros.
O resultado, segundo a preocupação manifestada pelo setor, é a perda de competitividade, a redução da demanda por aço produzido e distribuído no mercado interno e o fechamento de empresas que não conseguem enfrentar essa concorrência.
Estoques estáveis e importações em alta
Em setembro, os estoques das distribuidoras registraram pequena redução de 0,2%, passando de 1,182 milhão para 1,180 milhão de toneladas. O giro permaneceu em 3,5 meses o que é muito elevado para o setor que deveria girar em torno de 2.8 meses .
Já as importações dos produtos abrangidos pelo levantamento do Inda totalizaram 266 mil toneladas, alta de 34,3% em relação a agosto, quando atingiram 198,1 mil toneladas. Na comparação com setembro de 2025, o avanço foi de 10,2%.
Para outubro, a expectativa da rede associada é de que compras e vendas apresentem desempenho semelhante ao registrado em setembro, sinalizando a continuidade de um mercado ainda sem recuperação consistente.
Fonte: Inda






