Entrada de produtos estrangeiros avança em setembro, enquanto exportações recuam. Instituto Aço Brasil alerta para a migração das importações após medidas antidumping contra produtos chineses.
As importações brasileiras de aço voltaram a crescer em setembro de 2026, alcançando 600 mil toneladas, alta de 51,7% em relação a agosto. No mesmo período, as exportações recuaram 37,6%, para 598 mil toneladas, praticamente igualando o volume importado. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pelo Instituto Aço Brasil.
A produção brasileira de aço bruto somou 2,8 milhões de toneladas em setembro, avanço de 3,6% sobre agosto. Já as vendas internas atingiram 1,8 milhão de toneladas, queda de 0,7% na comparação mensal, enquanto o consumo aparente de produtos de aço chegou a 2,3 milhões de toneladas, com crescimento de 2,2%.

Na comparação com setembro de 2025, porém, a produção de aço bruto apresentou queda de 0,8%. A produção de laminados alcançou 2 milhões de toneladas, alta de 1,8%, enquanto a de semiacabados para vendas recuou 18,8%, para 633 mil toneladas.
As vendas internas também tiveram desempenho negativo na comparação anual, com retração de 2,3%. O consumo aparente, por sua vez, cresceu 0,9%, indicando uma pequena expansão em relação ao mesmo mês do ano passado.
Balanço do ano mostra queda na produção
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, a produção brasileira de aço bruto totalizou 24,6 milhões de toneladas, queda de 1,7% em relação ao mesmo período de 2025. As importações somaram 4,3 milhões de toneladas, recuo de 15,4%, enquanto as exportações alcançaram 7,9 milhões de toneladas, crescimento de 1,1%.
Apesar da retração das importações no acumulado do ano, o forte avanço registrado em setembro chama a atenção do setor, especialmente diante das preocupações com a concorrência de produtos estrangeiros e seus efeitos sobre a indústria nacional.
Importações migram para outros países asiáticos
Um dos pontos de preocupação do Instituto Aço Brasil é a mudança na origem de parte das importações. Com a conclusão de alguns processos antidumping relacionados à entrada de produtos chineses, o setor observa uma migração dos fluxos comerciais para outros países asiáticos, entre eles Vietnã, Coreia do Sul e Taiwan.
Segundo a avaliação do Instituto, determinados produtos chegaram ao mercado brasileiro com preços aviltados, em alguns casos inferiores ao custo da própria matéria-prima. A entidade entende que, sem a definição de medidas de proteção capazes de enfrentar essas práticas e seus efeitos sobre a concorrência, a indústria siderúrgica brasileira continuará exposta a riscos.
Entre as consequências apontadas estão a perda de investimentos e o fechamento de milhares de postos de trabalho no país. O tema esteve entre os assuntos debatidos no Congresso Aço Brasil 2026, realizado recentemente, cuja cobertura e síntese estão disponíveis nesta edição de Siderurgia Brasil.
Confiança da indústria apresenta recuperação
O Indicador de Confiança da Indústria do Aço (ICIA) registrou alta de 1,9 ponto em outubro, atingindo 44 pontos. O resultado interrompeu uma sequência de quatro meses consecutivos de queda, mas permaneceu abaixo da marca de 50 pontos, limite que separa a confiança da falta de confiança.
Todos os componentes do indicador apresentaram melhora em relação ao mês anterior, tanto na avaliação da situação atual quanto nas expectativas para os seis meses seguintes. Ainda assim, os resultados abaixo de 50 pontos indicam que a recuperação da confiança dos executivos do setor permanece limitada.
O cenário reúne, portanto, sinais distintos: enquanto o consumo aparente e alguns indicadores de produção apresentam avanços pontuais, a indústria siderúrgica continua enfrentando desafios relacionados à concorrência externa, ao desempenho das vendas e à confiança empresarial.
Fonte: Instituto Aço Brasil, com dados do MDIC.






