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Data centers e nuclear no Paraguai; etanol no Porto de Santos

NESTA EDIÇÃO. EUA anunciam investimentos em data centers e urânio no Paraguai, e início de negociações para um acordo de uso pacífico da energia nuclear.

No Brasil, Porto de Santos inicia operações regulares de abastecimento de navios com etanol, de olho na descarbonização no transporte marítimo.

EDIÇÃO APRESENTADA POR:

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A empresa norte-americana Crusoe e a paraguaia Araico fecharam esta semana uma parceria para construir infraestrutura de computação para inteligência artificial ligada diretamente à hidrelétrica binacional de Itaipu.
 
O anúncio, feito pelo Departamento de Estado dos EUA (DoS), foi um dos resultados da visita do vice-secretário Christopher Landau a Assunção. 
 
De acordo com o comunicado oficial dos EUA, a primeira instalação deve operar em meados de 2027, para clientes de nuvem dos EUA e da América Latina. Sócio da usina, o Brasil não é citado. Nem a potência contratada ou os valores envolvidos.
 
A energia sairá da parcela paraguaia de Itaipu. Em 2025, o Paraguai usou pouco mais de 70% da sua metade, e a sobra, cedida ao Brasil, somou cerca de 10,7 mil GWh. 
 
A Araico defende converter esse excedente em computação no próprio país e prevê, no Iguazú AI City, no Alto Paraná, 6 MW em dezembro e duas etapas de cerca de 130 MW em 2028 e 2029. (Asunción Journal, ABC Color e Última Hora).
 
Alejandro Zuccolillo, diretor da Araico, fala em pagar US$ 45/MWh, mas a estatal paraguaia ANDE diz que não há tarifa para esse tipo de carga, o que dependeria do novo Anexo C do tratado, ainda não assinado. O contrato de fornecimento também não foi fechado.
 
Já os EUA, que enfrentam dentro de casa o aumento da resistência popular em relação aos data centers, estão de olho na infraestrutura energética de outros países para atender sua demanda por processamento de dados.
 
“A instalação utilizará diretamente uma das maiores fontes de energia hidrelétrica 100% renovável do mundo e atenderá clientes de nuvem nos Estados Unidos e na América Latina. Este é potencialmente um dos maiores investimentos privados da história do Paraguai”, diz o comunicado.
 
O impacto da oposição pública a essas infraestruturas já é calculado em US$ 77 bilhões nos Estados Unidos, devido a atrasos e cancelamentos de contratos, segundo pesquisa da STL Partners. (CNBC)
 
Aumento nos custos de eletricidade, disputa por recursos hídricos e até aumento da temperatura local são alguns dos principais fatores por trás dessa resistência.



A visita de Landau a Assunção teve como foco “aumento do investimento dos EUA e na abertura de oportunidades para empresas americanas nas áreas de tecnologia, minerais críticos, infraestrutura fluvial e logística”, além de cooperação contra o narcotráfico, com escritório antidrogas em Assunção, e um assessor de contraterrorismo.
 
O setor nuclear também rendeu acordos.
 
Os EUA anunciaram investimento de US$ 12 milhões da Uranium Energy Corp em urânio no Paraguai. A intenção é desenvolver uma de suas concessões do mineral, em resposta ao “financiamento predatório de concorrentes estratégicos”, diz o DoS.
 
A União Europeia é um dos mercados que mais investe em energia e mineração no Paraguai, por meio da estratégia Global Gateway, focada em transição energética. E o recém assinado acordo Mercosul-UE mira os recursos minerais dos quatro membros fundadores (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) com a promessa de ganha-ganha para as indústrias de ambos os blocos.
 
Completa a lista de anúncios o início das negociações para um Acordo de Cooperação para o Uso Pacífico da Energia Nuclear (Acordo 123), nos termos da Lei de Energia Atômica dos EUA. 
 
“Uma vez em vigor, o Acordo 123 estabelecerá a estrutura legal necessária para que empresas americanas exportem equipamentos e materiais nucleares civis significativos para o Paraguai, sob os mais altos padrões de segurança nuclear, proteção e não proliferação”, afirma o comunicado.

Enquanto isso, no Brasil, o Porto de Santos (SP) passará a ter operações regulares de abastecimento de navios com etanol, uma iniciativa que busca posicionar o terminal como um centro de fornecimento de combustíveis renováveis para o transporte marítimo.
 
O início dessas operações foi anunciado nesta sexta (23/10) pela parceria entre o grupo de transporte marítimo CMA CGM, Copersucar (açúcar e etanol), Bunker One (comercialização de combustíveis marítimos) e Autoridade Portuária de Santos (APS).
 
O porta-contêineres CMA CGM IRON deu a largada no projeto ao ser abastecido com o biocombustível produzido pela Copersucar. A embarcação de 13.000 TEU é equipada com o primeiro motor tricombustível do mundo certificado para operar com etanol.
 
Novas operações estão previstas até o final do ano.
 
O primeiro teste ocorreu em julho e é um movimento que busca escalar o biocombustível brasileiro como uma alternativa de descarbonização dos navios.
 
Em dezembro, está prevista a retomada das negociações na Organização Marítima Internacional (IMO, em inglês) de um mecanismo para precificar emissões e incentivar o uso de soluções de baixo carbono nas embarcações.
 
Governo e empresas brasileiras estão ativos nessas negociações, tentando costurar um acordo que abra um novo mercado para a bioenergia nacional. Uma oportunidade de bilhões.


Operação 2º turno. O ONS adotará uma operação especial para reforçar a segurança do fornecimento de energia durante o segundo turno das eleições, no domingo (25/10). O plano prevê restrições a manutenções e intervenções programadas com potencial de impacto sobre o SIN, além do monitoramento intensificado da rede elétrica e das condições meteorológicas.
 
Produção de Defesa. O presidente dos EUA, Donald Trump, invocou a Lei de Produção de Defesa, de 1950, para ampliar produção e refino de petróleo. A determinação autoriza o governo a realizar compras e assumir compromissos para viabilizar melhorias ao setor.

  • Trump cita, no memorando, restrições de financiamento, longos prazos de entrega, gargalos de licenciamento e infraestrutura e limitações da cadeia de suprimentos como fatores que impedem a indústria nacional a suprir toda sua necessidade.

Mais um capítulo de Angra 3. O TCU deu 240 dias para o governo federal decidir sobre a continuidade das obras da usina nuclear em Angra dos Reis (RJ). Dentro desse prazo, estão 120 dias para o MME fornecer informações sobre o futuro das obras ao CNPE, que terá outros 120 dias para se manifestar de forma conclusiva sobre a construção.

Eletrificação em consulta. O Ministério de Minas e Energia abriu nesta sexta-feira (23/10) uma consulta pública sobre os desafios de expansão da infraestrutura de recarga de veículos elétricos no Brasil e a integração à rede elétrica nacional. A consulta toma como base uma nota técnica elaborada pelo Departamento de Eletromobilidade da pasta.

Energias da Floresta. O MME também abriu consulta pública sobre as metas de descarbonização do sandbox regulatório Energias da Floresta, voltado a projetos-pilotos de acesso à energia elétrica em regiões remotas da Amazônia Legal. As metas incluem a redução da emissão de GEE na geração de energia em 65,7% até 2030.

Custo climático. A perspectiva do mais forte ciclo de El Niño já registrado no mundo faz um número crescente de gestores correr para preparar suas carteiras para a disrupção que, segundo eles, está por vir. O fenômeno climático associado ao aquecimento no Oceano Pacífico equatorial intensifica secas e enchentes que danificam as lavouras. (Bloomberg)

Alerta laranja no Sul. O fim de semana começa nesta sexta-feira (23) com chuvas fortes e possibilidade de granizo no Paraná, sul e leste de Mato Grosso do Sul, em São Paulo e no centro-sul de Minas Gerais, informa o Inmet. (Agência Brasil)

O fenômeno das canetas emagrecedoras e o setor elétrico brasileiro País precisa de uma terapia sistêmica que uma revisão de encargos, gestão da demanda e enfrentamento ao curtailment para reduzir custos, avalia Fernanda Delgado
 
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