NESTA EDIÇÃO. Diesel para de subir nos postos, mas a defasagem já encosta no subsídio ao importado.
36 empresas disputam amanhã o primeiro leilão do gás da União.
Indústria critica o adiamento do gas release; Petrobras defende mais tempo para avaliar impactos.
Reino Unido aprova primeiro projeto de exploração e produção de gás natural desde 2024.
Aneel abre consultas sobre a reforma tributária no setor elétrico.
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Diesel para de subir nas bombas, mas a defasagem já encosta no subsídio
O diesel S10 parou de subir nos postos, mas a defasagem nas refinarias da Petrobras frente ao preço de importação já é de R$ 3,50 por litro, pela conta da Abicom com o Brent a US$ 111 no fechamento de segunda (19/10).
- É quase o valor da subvenção paga aos importadores, que está em R$ 3,52 por litro desde 13 de outubro.
Nas bombas, estável. O preço médio do diesel S10 ficou em R$ 7,34 por litro na semana de 11 a 17 de outubro, praticamente o mesmo da semana anterior (R$ 7,36), segundo o levantamento semanal da ANP.
- É a quarta semana seguida em torno desse preço, depois de uma alta de R$ 0,36 em duas semanas no mês passado. Desde a primeira semana de setembro, o S10 subiu 5,3%, de R$ 6,97 para R$ 7,34.
- Já o diesel S500 subiu 6,9%, para R$ 7,00.
- A gasolina comum segue em R$ 6,53, praticamente parada desde setembro. O etanol caiu R$ 0,03, para R$ 4,11, e vale 63% do preço da gasolina.
- Nos estados, o S10 subiu em 11 e caiu em 13. O mais caro está no Acre (R$ 8,21); o mais barato, no Espírito Santo (R$ 6,84). Em Pernambuco, o S500 chegou a R$ 7,94, alta de 13,6% desde setembro.
Fique ligado. A parcela extra de R$ 1,40 por litro para o alívio do diesel, somada aos R$ 2,12 da subvenção, vale até 12 de novembro e pode ser prorrogada por igual período.
Sem impacto no consumo. Apesar desse cenário, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que a demanda por diesel e pelos combustíveis do ciclo otto (gasolina C e etanol hidratado) vai seguir avançando em 2026 e 2027, favorecidos pela safra recorde, assim como pelas subvenções e pelos índices de atividade econômica.
- Para 2026, a EPE calcula um consumo de 72,4 bilhões de litros de diesel, alta de 2,4% na comparação anual. A estimativa é que no próximo ano o total chegue a 74,2 bilhões de litros, aponta o relatório bimestral da entidade divulgado esta semana.
Peso no frete. Junto com a safra de soja, o preço do diesel está pressionando o frete rodoviário, que subiu 13,1% no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025, de acordo com o Índice Frete.com de Preços, o IFP. (Valor Econômico)
Não é só por aqui… Nos EUA, a gasolina já está chegando à marca histórica de US$ 10 por galão em postos na Califórnia (NY Times).
- Por lá, a maior preocupação também é o diesel: o presidente Donald Trump prometeu US$ 8 bilhões aos agricultores para compensar o diesel caro na colheita.
Preço do barril. O Brent era negociado em alta na manhã de quarta-feira (21/10), a US$ 110,47 às 6h no horário de Brasília. As negociações fecharam a terça (20/10) em queda de 0,69%, a US$ 108,79, com a possibilidade de acordo no Oriente Médio.
Exportações para a China. O Brasil ultrapassou a Arábia Saudita e se tornou o segundo maior fornecedor de petróleo bruto para a China nos primeiros nove meses de 2026, de acordo com dados alfandegários chineses divulgados na terça-feira (20), compilados pela Reuters (UOL).
Fim da 6×1 na Petrobras. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) cobrou pressa da Petrobras na mudança para a escala 5×2. A estatal criou um grupo de trabalho para definir o modelo.
Habilitadas para disputar o gás da União. A Pré-Sal Petróleo (PPSA) habilitou 36 empresas para o primeiro leilão do gás da União, nesta quinta (22/10), a partir das 9h.
- São 1,1 milhão de m³/dia para cinco setores da indústria, a partir de 115% do Henry Hub mais prêmio mínimo de US$ 1,82/MMBtu.
Adiamento do gas release. Mais de 70 associações industriais criticaram a decisão da Agência Nacional do Petróleo (ANP) de levar a audiência do gas release para 19 de novembro. A Petrobras apoiou o adiamento e defende mais tempo para avaliar os impactos.
Gás no Mar do Norte. O governo do Reino Unido aprovou o primeiro projeto de exploração e produção de gás natural no Mar do Norte desde a moratória para novas perfurações estabelecida em 2024. O campo de Jackdaw, na costa da Escócia, vai iniciar a produção este mês.
- Em paralelo, o governo britânico também anunciou um novo fundo para novas fontes de energia, no valor de 2 bilhões de libras. (The Guardian)
Reforma tributária na conta de luz. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abriu duas consultas públicas, até 30/10, sobre os efeitos da reforma nos créditos de PIS/Cofins e nos contratos regulados.
CDE após o teto. A área técnica da Aneel calculou em R$ 55,1 bilhões as despesas brutas da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) em 2027, no primeiro ano de vigência do “teto” sancionado pelo governo federal no ano passado.
- Desse total, o valor custeado pelos consumidores nas tarifas será de R$ 47,842 bilhões. Os valores acima do teto serão pagos pelos beneficiários dos subsídios, aqueles responsáveis pela ultrapassagem do limitador.
Estresse na GD compartilhada. Atraso nas conexões e demora para captar clientes deixaram a geração distribuída compartilhada em aperto financeiro.
Solar firme. Com baterias, o Brasil pode virar o segundo mercado mais competitivo do mundo em solar firme, atrás da China, a cerca de US$ 41 por MWh em 2035, segundo estudo da Irena.
Leilão de baterias. A EPE publicou a nota técnica com a metodologia de definição das premissas e dos parâmetros do custo marginal de referência dos leilões de baterias marcados para dezembro.
Resposta da demanda. A Axia Energia realizou suas primeiras ofertas agregadas no programa estrutural de resposta da demanda, reunindo cargas de consumidores do mercado livre que, individualmente, não conseguem atingir o volume mínimo exigido pelo programa.
- Ao todo, foram ofertados 15 MW, com valores que chegaram a R$ 991/MWh, acima dos preços praticados no mercado de energia. (MegaWhat)
Opinião: Brasil precisa de uma terapia sistêmica que una revisão de encargos, gestão da demanda e enfrentamento ao curtailment para reduzir custos, escreve a CEO da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (Abihv), Fernanda Delgado.
Certificados de biometano. A Bioo assinou seu primeiro contrato de compra e venda de Certificados de Garantia de Origem de Biometano (CGOBs) com um grande player europeu.
- O CGOB é um instrumento de rastreabilidade relacionado ao volume de biometano produzido e comercializado.
Taxonomia em consulta. O Ministério da Fazenda abriu consulta, até 20/11, sobre a segunda edição da Taxonomia Sustentável Brasileira, que define o que conta como financiamento verde.
Opinião: A demanda contínua de centenas de megawatts dos data centers exige avaliar flexibilidade, expansão da transmissão e adicionalidade renovável, para que a nova carga não imponha infraestrutura fóssil e custos aos demais consumidores, escreve Clauber Leite, diretor de Energia Sustentável e Bioeconomia do Instituto E+ Transição Energética.







