Paula Bertolino Sanvezzo comenta da patente que utiliza material diferente de produtos convencionais e pode ajudar a evitar complicações pós-operatórias


Diversos procedimentos cirúrgicos atuais utilizam telas cirúrgicas, produto que auxilia a reforçar músculos ou tecidos enfraquecidos e dar suporte extra nesses processos. Quando um músculo rasga ou fica enfraquecido, gerando uma hérnia, a tela pode ser utilizada para sustentação extra e impedir que o problema volte.
Grande parte desses dispositivos é fabricada utilizando o polipropileno, material resistente e rígido, que contribui para distribuir a tensão dos tecidos. Ao mesmo tempo, justamente pela rigidez, a tela pode causar complicações de saúde, como dores, inflamação e infecções. Por essa razão, pesquisadores da Escola de Engenharia da USP de São Carlos desenvolveram um novo material que utiliza um composto mais flexível, produzido por impressão 3D.
Sobre a tela

A inovação utiliza o poliuretano termoplástico (TPU), material resistente, porém, mais maleável quando comparado ao polipropileno. Paula Bertolino Sanvezzo, doutora em Engenharia e Ciências dos Materiais na Escola de Engenharia da USP de São Carlos, comenta que as telas têm maior capacidade de acompanhar o movimento dos tecidos e órgãos.
Outro fator de destaque da descoberta é que o produto pode ser fabricado por impressoras 3D. “Com a manufatura aditiva a gente consegue projetar digitalmente a arquitetura e a geometria dessas telas. As telas cirúrgicas convencionais são fabricadas por tecelagem, tem necessidade de maquinários muito pesados e caros”, afirma a pesquisadora.
Quando comparado aos equipamentos de costura, impressoras 3D ocupam um espaço reduzido e permitem um controle maior das propriedades da tela. De acordo com Paula, a tecnologia é mais acessível, do ponto de vista logístico, e é mais versátil em comparação aos processos de produção tradicionais.
Fase de desenvolvimento do projeto
A patente faz parte da pesquisa de doutorado de Paula. Mas o projeto e estudos a respeito de novas telas cirúrgicas começaram antes. “Quando eu comecei meu doutorado, a gente partiu justamente dessa problemática, da necessidade de um material e de um produto mais flexível para ser aplicado nessas regiões. A gente seguiu uma abordagem totalmente diferente. A ideia foi investigar se seria possível produzir essas telas com o material mais flexível e, ao mesmo tempo, com o processo de fabricação diferente dos métodos tradicionais”, detalha Paula.
A tecnologia ainda está em desenvolvimento, mas já conseguiu produzir telas com tamanhos compatíveis aos produtos presentes no mercado. Segundo a pesquisadora, são necessárias etapas mais avançadas para concretizar o projeto, além de possíveis parcerias, como de fabricantes de dispositivos médicos, e investimentos.
*Sob supervisão dos jornalistas Cinderela Caldeira e Paulo Capuzzo






