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Onde estão as maiores reservas de água doce do planeta?

O Brasil está entre os países com maior disponibilidade de água doce, mas a distribuição desigual e a infraestrutura ainda precária em muitas partes do nosso território mostram que a oferta hídrica não propicia, necessariamente, o acesso ao recurso.

Crédito: Divulgação

Quando se fala em água doce, o Brasil aparece entre os países com maior disponibilidade do recurso, com cerca de 12% da água doce superficial disponível nos rios e lagos do planeta, além de abrigar importantes aquíferos, e grande parte da maior bacia hidrográfica do mundo, a Bacia Amazônica, que em território brasileiro concentra cerca de 80% das águas que escoam pelo país. Entretanto, em muitos países a população não tem acesso fácil a ela, devido à distribuição geográfica desigual desse recurso. Por isso, além de saber onde estão os maiores volumes, é importante entender como esse recurso é distribuído, utilizado e protegido.

Quais países têm mais água doce?

O Brasil lidera a lista de países com maior disponibilidade de água doce, seguido de Rússia, Estados Unidos, Canadá, China, Colômbia, Indonésia e Peru. 

Entre os fatores que ajudam a explicar a grande disponibilidade de água estão, principalmente, o tamanho do território, a quantidade de chuvas, e a ocorrência de grandes bacias hidrográficas, lagos e geleiras. 

Por que o Brasil tem tanta água?

No território brasileiro, as principais contribuições para as águas superficiais correspondem às chuvas e às vazões procedentes de outros países na Bacia Amazônica, maior bacia hidrográfica do mundo. 

O território brasileiro também possui importantes aquíferos, que são formações geológicas capazes de armazenar água subterrânea. Entre eles está o Sistema Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios de água subterrânea transfronteiriços do planeta, compartilhado pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Essa grande disponibilidade coloca o Brasil em uma posição importante quando o assunto é segurança hídrica. Segundo a ANA – Agência Nacional de Águas e Saneamento, “devido às dimensões territoriais do país e à diversidade das condições hídricas regionais, de forma geral, as soluções para segurança hídrica no Brasil passam pela implantação de projetos de infraestrutura de grande porte, com investimentos significativos em um conjunto de intervenções estratégicas para a minimização dos riscos associados à escassez de água e ao controle de cheias. 

Ter muita água significa não ter risco de escassez?

Um país, uma região, uma cidade, e as próprias bacias hidrográficas podem ter grandes ofertas de água e, ainda assim, enfrentar períodos de escassez. Isso acontece, por exemplo, quando a quantidade disponível não é suficiente para atender à demanda da população, ou quando a água existente não apresenta qualidade adequada para o consumo.

No território brasileiro, a abundância de água não está distribuída de forma homogênea. As regiões com maior demanda por água nem sempre coincidem com aquelas de maior oferta, e a infraestrutura de captação, armazenamento e distribuição, muitas vezes precárias, não atendem satisfatoriamente à população, o que afeta as atividades econômicas, o sistema produtivo e o desenvolvimento das cidades.

O que é estresse hídrico?

A ANA define o indicador de estresse hídrico como aquele que “expressa a pressão exercida pelas retiradas de água sobre os recursos hídricos renováveis disponíveis, considerada a parcela necessária à manutenção dos ecossistemas”, de acordo com a fórmula abaixo, e adotando o conceito do indicador ODS 6.4.2 da ONU, que mede a pressão das retiradas de água sobre os recursos hídricos renováveis.

De outra forma, a ANA utiliza o conceito de escassez hídrica, definido em documento oficial como a “situação presente ou potencial na qual não há recursos hídricos suficientes para todos os usos, em determinado sistema hídrico e período de tempo, seja por deficiência quantitativa ou qualitativa nos mananciais”.

Muitos fatores contribuem para a quantificação da disponibilidade hídrica, na interação entre oferta e demanda, como população, atividade econômica e qualidade dos recursos hídricos, além da necessidade de boa infraestrutura de abastecimento e de gestão responsável e efetiva.

Quais países também enfrentam pressão sobre os recursos hídricos?

Países com grandes populações, como China e Índia, enfrentam desafios relacionados ao aumento da demanda por água. O crescimento urbano, a agricultura irrigada, a indústria e a poluição aumentam a pressão sobre as águas superficiais e subterrâneas.

Em algumas regiões do mundo, o problema está relacionado principalmente ao clima. Áreas sujeitas a longos períodos de seca ou com pouca chuva podem ter disponibilidade limitada de água, mesmo quando possuem infraestrutura avançada.

As mudanças climáticas também aumentam a preocupação, pois podem alterar o regime de chuvas, intensificar secas e modificar a disponibilidade de água em diferentes regiões.

Como proteger a água doce?

Garantir água para o futuro depende não apenas da quantidade disponível, mas também da conservação dos ambientes que ajudam a armazenar e manter esse recurso.

Entre as medidas importantes estão a proteção de nascentes a preservação de florestas, a recuperação de áreas verdes, o uso racional e eficiente da água, notadamente na agricultura e na indústria, o tratamento de efluentes e o combate à poluição.

O reuso da água também pode reduzir a pressão sobre os recursos naturais. Em algumas atividades, a água utilizada em um processo pode ser tratada e reaproveitada em outras etapas.

Por que a água é um recurso estratégico?

De forma inegável, a água é insumo para todas as atividades econômicas, e muitas vezes também é matéria-prima nos processos produtivos, além de ser responsável pela sustentação dos ecossistemas e respectivas biodiversidades.

Um dos grandes desafios na gestão compartilhada e participativa das águas, envolvendo o setor público, os usuários de água e a sociedade civil organizada, é a aplicação de um dos objetivos da Política Nacional dos Recursos Hídricos, de acordo com o Art. 2º da Lei 9.433 de 1997, conhecida como a “Lei das Águas”: “assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos”.

Fonte: https://conjuntura-2025.webflow.io/seguranca-hidrica, https://www.gov.br/ana/pt-br/todos-os-documentos-do-portal/documentos-sre/alocacao-de-agua/oficina-escassez-hidrica/relatorio-consolidado

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