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FIRJAN DEFENDE QUE RIO DE JANEIRO PRECISA REVERTER INVESTIMENTOS EM NOVOS BLOCOS LEILOADOS PELA ANP EM DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL

Luiz Césio Caetano

Os resultados dos leilões realizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no início de outubro reforçam a posição de destaque do Rio de Janeiro no setor energético brasileiro. A avaliação consta na nota técnica da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), intitulada “O mercado de petróleo fortalecido: resultado dos leilões da ANP de 2027 impulsiona o futuro da indústria fluminense”. O documento destaca que o próximo desafio é transformar a liderança estadual na produção de petróleo em protagonismo industrial, inovação e desenvolvimento econômico.

As nove áreas relacionadas ao território fluminense somam aproximadamente R$ 633 milhões em bônus de assinatura e R$ 806 milhões em investimentos exploratórios mínimos. Entre as empresas que arremataram blocos, individualmente ou em consórcios, estão Petrobras, Equinor, PRIO, Galp, Sinopec e CNOOC.

Na avaliação da federação, a relevância dessas aquisições ultrapassa os valores desembolsados inicialmente. A exploração é fundamental para a reposição de reservas, a manutenção da produção nos próximos anos e a sustentabilidade econômica da indústria de petróleo e gás no Rio de Janeiro e no Brasil.

“A Firjan apresenta em seu estudo Rio de Futuro: Vocações e Potencialidades Econômicas do Rio de Janeiro oportunidades estratégicas em áreas como transição energética, economia do mar, complexo portuário-logístico e indústria metalmecânica. Nesse contexto, aproveitar o ciclo de investimentos em petróleo e gás significa não apenas fortalecer as vocações econômicas já consolidadas, mas também ampliar os encadeamentos produtivos, estimular a inovação e impulsionar a diversificação e o desenvolvimento industrial do estado”, afirma o presidente da Firjan, Luiz Cesio Caetano.

A entidade ressalta que os segmentos de petróleo e gás constituem um amplo mercado consumidor, com potencial para movimentar diversas outras atividades industriais. Os efeitos alcançam diretamente a indústria de transformação e o setor de serviços, desde os investimentos de capital (CAPEX) até as etapas de operação (OPEX) e descomissionamento (ABEX).

Segundo a nota técnica, o Rio de Janeiro reúne 23 dos 49 estaleiros brasileiros e mais de 1,2 mil empresas fornecedoras de bens e serviços. O painel dinâmico de projetos de Energia da Firjan também identifica uma carteira superior a US$ 180 bilhões em projetos previstos para o estado entre 2027 e 2030 ou depois desse período. Desse total, US$ 98 bilhões correspondem exclusivamente a iniciativas de petróleo e gás.

A cadeia produtiva também apresenta ampla abrangência sobre o setor industrial fluminense. Dos 99 sindicatos patronais ligados à federação, 24 são diretamente impactados e outros 35 sofrem efeitos indiretos de mercados como construção naval, metalmecânico, eletroeletrônico, químico e de plásticos. A entidade destaca ainda o efeito multiplicador dessas atividades sobre outros 40 setores.

Entre os desafios apontados está a necessidade de transformar os investimentos previstos em encomendas efetivas para fornecedores brasileiros e fluminenses. Para isso, a Firjan defende o fortalecimento da competitividade, o aperfeiçoamento das cláusulas de Conteúdo Local, maior previsibilidade das demandas das operadoras e o incentivo à realização, no país, de etapas estratégicas, como a integração de módulos e o comissionamento de plataformas FPSOs.

“Nosso dever, enquanto sociedade, é ver os investimentos previstos transformados em contratos para fornecedores, novas capacidades tecnológicas, empregos qualificados e maior geração de valor no território fluminense”, afirma a gerente geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso.

A executiva acrescenta que um ambiente regulatório integrado, que articule Conteúdo Local, investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) e preferência a fornecedores nacionais, pode contribuir para consolidar o Rio de Janeiro como referência não apenas na produção de petróleo e gás, mas também na inovação, na diversificação econômica e no desenvolvimento industrial sustentável.

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