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COP31 quer posicionar IA como parte da solução contra crise climática

NESTA EDIÇÃO. Turquia lança compromisso voluntário para IA e quer transformar problema em solução.

Iniciativa mira divulgação de impactos e busca por construção de infraestrutura sustentável.

EDIÇÃO APRESENTADA POR:

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A Turquia, anfitriã da COP31, lançou um compromisso afirmando que a inteligência artificial pode ajudar a combater o aquecimento global, mesmo com os centros de dados aumentando a demanda por energia — e combustíveis fósseis.
 
Publicado na quarta (28), o Compromisso de Inteligência Artificial de Antalya (.pdf) convida países e organizações a aderirem a uma iniciativa voluntária com objetivo de aproveitar o potencial da IA ​​para impulsionar a ação climática.
 
Como? Abordando os impactos ambientais de sua crescente demanda por energia e água.
 
Marcada para 9 a 20 de novembro de 2026, na cidade turca de Antalya, a cúpula climática das Nações Unidas colocou a fome energética e a sede de grandes centros de dados entre os grandes desafios que precisarão ser enfrentados nas negociações, ao lado de questões como financiamento e a transição para longe dos combustíveis fósseis.
 
“Precisamos discutir abertamente o crescente consumo de energia da IA, e é hora de os governos começarem a criar as condições necessárias”, disse o presidente da COP31 e ministro turco do Clima, Murat Kurum, em setembro, quando anunciou a intenção de dar destaque ao tema na conferência. 
 
A expectativa é incentivar o uso de energia limpa pelas big techs, ao mesmo tempo em que busca transparência sobre o consumo dos data centers.
 
O documento elenca quatro prioridades: alimentar e construir infraestruturas e equipamentos de IA de forma sustentável; projetar, gerenciar ou contratar soluções de forma responsável ao longo de todo o seu ciclo de vida; apoiar a avaliação e a divulgação dos impactos ambientais; e reforçar o apoio financeiro e a infraestrutura técnica para o uso da IA em ações climáticas.
 
Há também um anexo com outras iniciativas voluntárias que podem ser assinaladas pelos signatários.



A realização da COP31 ocorre em um momento delicado nos mercados de energia, mas também em meio a preocupações com segurança, disputas por recursos energéticos, minerais e hídricos, além de restrições que já se desenrolam pelo mundo.
 
A oposição popular aos empreendimentos de infraestrutura digital já impactou cerca de US$ 77 bilhões em investimentos nos EUA e US$ 42 bilhões na Europa, devido a atrasos e cancelamentos de contratos, segundo pesquisa da STL Partners. (CNBC)
 
Ainda assim, os investimentos em IA são os que mais crescem no mundo (US$ 341 bilhões em 2025), junto com projeções alarmantes de aumento de demanda de energia e água.
 
O próprio compromisso lançado esta semana pela COP31 reconhece que o consumo de eletricidade dos data centers voltados à IA aumentou 50% em 2025. 
 
Para os observadores das negociações climáticas, a discussão chega em um momento chave, mas o compromisso proposto ainda deixa lacunas a serem preenchidas, como a participação de comunidades afetadas e a responsabilização das big techs.
 
“É evidente que precisamos mudar a trajetória atual da IA, e isso fornece um ponto de partida para que países e empresas cooperem em uma questão urgente e de relevância global”, comenta Evan Tachovsky, diretor de Dados e IA do World Resources Institute (WRI).
 
“Na sua forma atual, o Compromisso define a direção correta, mas carece de mecanismos de responsabilização para orientar países e empresas de tecnologia rumo a um caminho melhor”, completa. 
 
Tachovsky também critica a ausência de salvaguardas para abordar preocupações de comunidades com a qualidade da água e do ar.

Em junho, o então secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, cobrou das grandes empresas de inteligência artificial a divulgação pública do “impacto ambiental completo” de seus data centers, incluindo as pegadas de carbono, água e solo.

“É hora de sermos transparentes“, cobrou.

Na ocasião, Guterres também lançou a Iniciativa de Transparência Ambiental em IA da ONU e pedindo que todas as empresas do setor se comprometam a abastecer seus centros de processamento de dados exclusivamente com energia renovável até 2030.

Segundo o secretário-geral, até lá, os data centers de IA poderão demandar mais energia do que quase todos os países, e utilizar água suficiente para atender às necessidades básicas de todos os 1,3 bilhão de habitantes da África Subsaariana durante um ano inteiro.


Soja, terras raras e combustíveis. Com Lula permanecendo no comando, o grande fluxo de soja brasileira para a China provavelmente continuará, enquanto o acesso às reservas brasileiras de terras raras pelos EUA enfrentará obstáculos, apontam analistas. (Reuters)

  • Energias limpas, como os biocombustíveis, podem receber um impulso, enquanto as regulamentações ambientais e as políticas climáticas seriam reforçadas. 

US$ 3 bi para o clima. O Conselho do Fundo Verde para o Clima (GCF, em inglês) aprovou nesta quinta (29) US$ 1,97 bilhão em novos financiamentos climáticos para mais de 20 projetos. Em 2026, as aprovações do GCF totalizam US$ 3,3 bilhões, um recorde anual. As novas aprovações elevam o portfólio do fundo para 379 projetos.
 
Renováveis nos sistemas isolados. O Ministério de Minas e Energia abriu consulta pública sobre o Leilão para Suprimento aos Sistemas Isolados de 2027, com previsão de oito lotes em 31 localidades do Amazonas, do Pará, de Roraima, de Rondônia e do Acre. A principal exigência é que cada solução de suprimento gere ao menos 30% da energia a partir de fontes renováveis.
 
Baterias na Índia. A francesa Engie considera a Índia um local de investimento fundamental para energias renováveis ​​e armazenamento de baterias, após as reformas de mercado implementadas no país, afirmou um gerente da empresa nesta quinta. O grupo acaba de concluir o desenvolvimento de 450 MW de capacidade solar na Índia. (Reuters)
 
COP17. Cinco ecorregiões de recifes de corais brasileiras foram classificadas como criticamente em perigo pela Lista Vermelha de Ecossistemas, lançada na 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica, em Yerevan, na Armênia. O Brasil teve oito ecorregiões de recifes de corais analisadas. (Agência Brasil)

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