NESTA EDIÇÃO. Proposta de Trump de interromper exportações de combustíveis ameaça preço do diesel no Brasil.
Frente do biodiesel tenta emplacar venda direta em nova MP do Diesel.
ANP aplica mais de R$ 200 milhões em multas por elevação abusiva do preço dos combustíveis.
Amapá quer se posicionar como hub do petróleo na região das Guianas.
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O Brasil está preparado para ficar sem o diesel dos EUA?
O Brasil tem diesel importado suficiente para o abastecimento em outubro, mas pode enfrentar uma nova pressão sobre o preço do combustível caso se concretize a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de interromper as exportações de combustíveis para reduzir os preços nos postos estadunidenses.
- A ameaça dos EUA pode secar a principal fonte de diesel importado no momento: segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) 68% das importações brasileiras de julho e agosto vieram dos EUA.
- Para outubro, as encomendas externas vêm 80% dos EUA, segundo informações do mercado.
- Veja mais detalhes: Brasil entra no mês de pico do diesel com 80% da importação sob ameaça de Trump.
Após a chegada de novas cargas de diesel importado esta semana, a atual visão do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) é de que não há risco de falta de combustíveis para próximo mês, segundo o secretário nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Renato Dutra.
A situação se acalmou com a programação de novas cargas nas últimas duas semanas.
- Apenas a Petrobras importou 650 mil m³ de diesel para atender a demanda no próximo mês. É o suficiente para o consumo em outubro, segundo a diretora Executiva de Logística, Comercialização e Mercados da companhia, Angélica Laureano.
- Com outros importadores, os embarques programados são da ordem de 1 milhão de m³.
Mas e depois de outubro? Mesmo com o aumento da utilização das refinarias nacionais, o Brasil ainda depende de diesel importado para atender a demanda e tem poucas alternativas além dos EUA para buscar outras fontes no exterior, depois que a Rússia também interrompeu as exportações.
E não é só o Brasil… O impacto de um eventual veto às exportações das refinarias dos EUA seria uma nova disrupção num mercado global já sob intenso estresse devido às guerras no Oriente Médio e na Rússia, que estão impedindo as exportações ou operações de boa parte do refino global.
- A América do Sul seria a região mais prejudicada.
- Hoje os EUA exportam 1,5 milhão de barris/dia de diesel, sendo que cerca de 800 mil barris/dia vão para a América do Sul e 400 mil barris/dia para a Europa. Recentemente, com a crise no Oriente Médio, a África também passou a ser um destino importante, segundo dados da Rystad Energy.
- Vale lembrar: Inflação dos combustíveis na América Latina triplicou entre maio e junho.
Mas isso vai acontecer mesmo? O preço do diesel está em níveis recordes nos EUA, a US$ 6,53 o galão, mas analistas são céticos quanto à efetividade do veto às exportações em baixar os preços e alertam que o efeito seria catastrófico para as refinarias.
- Apenas os ativos na costa do Golfo do México precisariam cortar a produção em 1,4 milhão de barris/dia, diz a Rystad Energy.
- O próprio secretário de Energia do governo estadunidense, Chris Wright, já admitiu que o veto “não funcionaria” (Reuters)
Ainda que a interrupção das vendas dos EUA ao exterior não se concretize, são esperadas outras medidas do governo Trump para baixar os preços que também podem afetar o mercado internacional, sobretudo com a proximidade das eleições legislativas marcadas para novembro.
O preço do petróleo bruto já está reagindo a essa expectativa: depois de alguns dias de alívio, o Brent retornou à casa dos três dígitos e era negociado a US$ 105,29 às 6h30 de quinta-feira (24/9) no horário de Brasília.
Venda direta de biodiesel. Em meio às incertezas no abastecimento, o presidente da FPBio, deputado Alceu Moreira (MDB/RS) tenta emplacar na Medida Provisória 1391/2026, de subvenção ao diesel, a venda direta de biodiesel a TRRs, empresas e revendedores varejistas de combustíveis.
- A emenda também propõe que revendedores possam instalar bombas destinadas à comercialização de biodiesel puro (B100).
Segurança militar na conta do mercado. O custo de um projeto de energia já não depende apenas da construção, da operação e do transporte, após o início das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio — que têm como um dos focos a destruição de instalações energéticas — , e a intervenção dos EUA na Venezuela — com o objetivo de comandar as operações de petróleo e gás do país.
- Especialistas apontam que, neste atual cenário, empresas e governos também precisam calcular quanto custará proteger instalações e manter o abastecimento se portos, rotas marítimas ou redes forem atacados. Leia na matéria de Gabriel Chiappini.
Preços abusivos. A ANP começou, na quarta-feira (23), a aplicar multas contra distribuidoras acusadas de elevar abusivamente os preços dos combustíveis. Somados, os valores das penalidades passam de R$ 200 milhões.
- Entre as condenadas estão a Raízen, multada em R$ 4,2 milhões, e a Vibra, em R$ 1,2 milhão.
- A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) iniciou também na quarta a operação nacional para apurar possíveis aumentos abusivos nas margens de lucro de postos de combustíveis.
Ofertas de áreas. Os leilões de petróleo no Brasil precisam ser desenhados de forma compatível com a capacidade econômica das empresas que já atuam no entorno das áreas ofertadas, avalia o diretor de Operações da Brava Energia, Carlos Travassos.
Malásia de olho no Brasil. A Petronas avalia novos ativos de óleo e gás e estuda oportunidades para comercializar gás natural e GNL, segundo Suhana Sidik, presidente da companhia no país.
- “Estamos continuamente buscando crescer no Brasil, não apenas por meio de leilões, mas também avaliando outras parcerias com empresas. Isso pode ocorrer de diversas formas”, afirmou Sidik, em entrevista à agência eixos.
E Brasil de olho em Moçambique. A Petrobras assinou um memorando de entendimento com a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), estatal de Moçambique, para estabelecer cooperação estratégica no setor de petróleo e gás. O acordo tem validade de dois anos.
Hub no Norte. O Amapá quer ter um porto-ilha para ser hub de petróleo na região das Guianas, disse o secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, Vandenberg Pitaluga.
- “Eu estive há 10 dias no Suriname para uma reunião com o ministro de óleo, gás e meio ambiente. Nós estamos fazendo essa aproximação para buscar antecipar os efeitos dessa indústria para o Amapá”, disse Pitaluga.
- Por falar nisso, a ExxonMobil deve solicitar licença ambiental as atividades exploratórias nos blocos em que tem participação na Margem Equatorial (Agência Infra)
Eleições 2026. O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, sinalizou que, se eleito, pretende alterar a legislação para acabar com o regime de partilha. A promessa foi feita durante transmissão semanal nas redes sociais. (Valor Econômico)
Estoques de petróleo. O Departamento de Energia dos EUA informou que os estoques de petróleo no país tiveram alta de 2,969 milhões de barris na semana, contrariando a expectativa de queda de 500 mil barris dos analistas.
Gas release. A proposta de gas release em elaboração pela ANP é “bastante moderada” e tem como objetivo desconcentrar o mercado de gás natural, afirmou a diretora da agência, Symone Araújo.
- “Esperamos desconcentrar o mercado. Não precisa concordar, só conversar”, afirmou, citando uma frase que costuma usar. Segundo ela, a ANP tem usado a escuta ativa e espera receber sugestões para aprimorar a regulação.
Gás argentino. O leilão estruturante de gás natural previsto para 2027, para atender a demanda futura, vai ser importante para ajudar a estruturar as oportunidades de importação da Argentina para o Brasil, disse o secretário de Gás Natural do Ministério de Minas e Energia (MME) Marcello Weydt.
Hidrelétricas. O Ministério de Minas e Energia abriu consulta pública sobre as diretrizes para a licitação e prorrogação das outorgas de hidrelétricas, alteradas pela Lei nº 15.269/2025. O objetivo é que as contribuições subsidiem um ato que estabelecerá um mecanismo padronizado e previsível para o tratamento desses ativos.
Abandono aos combustíveis fósseis. O governo da Alemanha anunciou o roteiro que o país pretende seguir para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis da matriz. O mapa do caminho foi apresentado em Nova York (EUA), onde ocorre a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas.







