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Resíduos de madeira viram material que armazena carbono

A empresa finlandesa de tecnologia de materiais Elementic apresentou o MO6, um revestimento de paredes produzido a partir de resíduos da indústria florestal. Em placas espessas e leves, com textura áspera e cor preta acinzentada, o produto é apresentado como o material de construção mais carbono-negativo do mundo. As moléculas de carbono representam 90% de sua composição química. 

A matéria-prima utilizada é a lignina, uma substância presente na estrutura das plantas que ajuda a dar rigidez à madeira. Subproduto de madeireiras, ela é considerada de difícil aproveitamento e geralmente acaba sendo queimada para gerar energia. Para transformá-la em um novo material, a Elementic desenvolveu um processo patenteado e mantido em segredo, que remove impurezas como o oxigênio em um biorreator. O resultado é um composto altamente durável e resistente ao fogo. “É um material bastante desafiador, mas adoramos a lignina porque é uma matéria-prima muito rica em carbono”, disse Johanna Normiala, gerente geral da MO6, ao portal Dezeen.

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Foto: Divulgação | MO6

“Em nosso processo, o conhecimento técnico consiste em saber como transformá-la em algo útil”, continuou ela. “Criamos com ela uma espécie de massa que assamos como um bolo e, no final, obtemos algo duro, resistente e durável, mas leve.” A MO6, que se descreve como uma “marca de design de interiores premium”, já fornece produtos para projetos como um spa em construção em Paris. “Estamos muito interessados ​​em ajudar ou apoiar nossos clientes, seja qual for a área de aplicação, mas eu diria que o interesse principal está na área de hoteis e restaurantes, acho que é aí que este material se encaixa muito bem”, disse Normiala. 

Por enquanto, as placas são comercializadas apenas para espaços internos secos, mas a Elementic pretende ampliar suas possibilidades de uso e já desenvolve tijolos. “Existe um enorme potencial nisso, não apenas na parte de interiores, que é atualmente nosso principal negócio, mas também, no futuro, em uma escala muito maior na construção civil”, disse Normiala. As telhas MO6 Eternal podem ter acabamento mais áspero ou mais liso e também receber revestimento. Segundo a gerente da marca, suas propriedades térmicas e acústicas são comparáveis às da madeira, embora a empresa espere aprimorá-las com ajustes no processo de fabricação. 

Foto: Divulgação | MO6

A chamada negatividade de carbono ocorre quando algo remove da atmosfera mais dióxido de carbono equivalente do que emite. No caso dos materiais de construção, as emissões estão geralmente associadas à fabricação e ao fim da vida útil. A capacidade de armazenar carbono tem atraído a atenção dos arquitetos nos últimos anos, diante das grandes emissões relacionadas à construção de edifícios. Nesse contexto, a madeira voltou a despertar interesse, justamente pelo carbono que as árvores retiram da atmosfera e armazenam durante seu crescimento. 

Segundo a MO6, cada quilograma do produto armazena aproximadamente 2,4 quilogramas de dióxido de carbono atmosférico, cerca do dobro da quantidade armazenada pela madeira. A empresa afirma ainda que o carbono pode permanecer retido por potencialmente milhares de anos, já que o material não se decompõe e é fácil de reciclar.

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