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Seminário discute soberania e cuidado na produção de registros digitais indígenas

Evento gratuito, nos dias 5 e 6 de novembro, no Museu da Língua Portuguesa, é atividade do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas Antônio Kanajó, iniciativa que conta com o Museu de Arqueologia e Etnologia da USP

Dois homens indígenas com seus trajes típicos em meio a outros fotografados diante de um prédio em Brasilia - DF
O seminário é uma atividade do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas Antônio Kanajó – Foto: José Cruz/Agência Brasil

Quais os desafios éticos, técnicos, curatoriais e jurídicos surgidos a partir da produção de registros digitais que envolvem conhecimentos culturais e linguísticos dos povos indígenas? A pergunta norteará os debates do Seminário Internacional Futuros Digitais Indígenas: Soberania, Cuidado e Curadoria Compartilhada, nos dias 5 e 6 de novembro, no Auditório do Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz, em São Paulo.

O seminário é uma atividade do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas Antônio Kanajó, iniciativa do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Conta com a parceria do British Council, no âmbito do Ano Cultural Brasil-Reino Unido 2025-2026, e integra a Temporada 2026 do Museu da Língua Portuguesa, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo.

Propriedade intelectual e retorno digital

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Tendo como elemento central as especificidades indígenas, as discussões abordarão propriedade intelectual, governança e circulação de dados, documentação de conhecimentos intangíveis, curadorias colaborativas e retorno digital de coleções. Também serão destacadas iniciativas de repositórios digitais construídos em colaboração com os povos originários.

Entre elas estão o Programa de Conhecimentos Materiais em Perigo (EMKP, na sigla em inglês), coordenado pelo Museu Britânico e voltado à documentação e salvaguarda de conhecimentos materiais ameaçados em diferentes partes do mundo, e as iniciativas do Programa de Documentação de Culturas Indígenas (Prodocult), do Museu Nacional dos Povos Indígenas, resultado da cooperação entre a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Participantes

Entre os convidados internacionais estão o pesquisador maori Maui Hudson (Universidade de Waikato), especialista em propriedade intelectual indígena e governança de dados; a antropóloga Haidy Geismar (University College London), especializada em propriedade cultural e intelectual, sistemas de conhecimento indígena, museologia crítica e antropologia digital; o antropólogo Joshua Bell (Museu Nacional de História Natural da Smithsonian Institution), que participa de forma remota e trabalha na interface entre museus, arquivos e comunidades indígenas; e a professora de Direito Jessica Lai (Universidade Victoria de Wellington), especialista em propriedade intelectual, com foco em direito de patente e proteção do Mātauranga Māori.

Também integram o seminário Gerry Lawson (Museu de Antropologia da Universidade da Colúmbia Britânica), Susan Kung (Arquivo de Línguas Indígenas da América Latina, da Universidade do Texas em Austin), Paula Granados García (Programa de Conhecimento Material em Perigo, do Museu Britânico) e Rosanna Dent (Universidade de Cambridge), que compartilharão experiências sobre repositórios on-line voltados aos conhecimentos e línguas indígenas ao redor do mundo.

Do Brasil, participam a antropóloga Francy Baniwa (MAE) e o pensador e liderança Ailton Krenak, além de Paulo Cipassé Xavante, pesquisador e gestor do repositório digital Rowasu’u; Felipe de Lucena, chefe do Serviço de Estudos e Pesquisas do Museu Nacional dos Povos Indígenas (Funai); e Thiago Lopes da Costa Oliveira, antropólogo, documentarista e curador especializado em arte, coleções e sistemas de conhecimentos indígenas.

Cartaz de divulgação do Seminário Internacional “Futuros Digitais Indígenas: Soberania, Cuidado e Curadoria Compartilhada”, promovido pelo Ministério da Cultura e pelo Governo do Estado de São Paulo. O evento acontece nos dias 5 e 6 de novembro, no Museu da Língua Portuguesa. A arte tem fundo vermelho-coral, círculos azuis organizados em três colunas à esquerda e ilustrações de animais em azul na parte inferior direita.
Banner de divulgação – Foto: Divulgação

Programação

No dia 5, após a abertura, Haidy Geismar e Francy Baniwa conversam sobre as interseções entre propriedade cultural e intelectual, regimes de conhecimento indígena e acervos digitais. Em seguida, o painel Governança de dados, curadorias colaborativas e retorno digital discute a governança indígena dos dados, a curadoria compartilhada e novas formas de retorno de coleções, com Bell, Lucena, Dent, Cipassé Xavante e Lai.

No dia 6, o painel Repositórios digitais e coleções indígenas reúne Lawson, Kung, Granados García e Oliveira. À tarde, Hudson e Krenak dialogam em Futuros possíveis em diálogo, sobre os futuros digitais que se deseja construir e a relação entre conhecimento, tecnologia e soberania. O encerramento terá performance da atriz e pesquisadora Lilly Baniwa, mestre de cerimônias nos dois dias, na Praça da Língua do museu.

Serviço

Seminário Internacional Futuros Digitais Indígenas: Soberania, Cuidado e Curadoria Compartilhada
Datas: 5 (quinta-feira) e 6 de novembro (sexta-feira), das 9h às 18h
Local: Auditório do Museu da Língua Portuguesa
Inscrição: gratuita, pelo Sympla, sujeita à lotação do auditório
Acessibilidade: tradução em Libras e em português-inglês-português
Haverá emissão de certificado de participação

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