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Escala ajuda a identificar dificuldades e potencialidades de pós-graduandos na formação científica

Instrumento desenvolvido na USP pode ser utilizado por docentes, orientadores e programas de pós-graduação para avaliar a confiança dos estudantes em diferentes etapas da pesquisa

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Homem branco de costas com jaleco branco olhando e segurando uma folha com um gráfico e à frente um notebook
Escala mede o grau de confiança que pós-graduandos têm na capacidade de realizar e concluir tarefas e superar dificuldades relacionadas à pesquisa – Foto: Freepik

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Docentes, orientadores e coordenações de programas de pós-graduação podem utilizar uma escala desenvolvida na USP para identificar em quais atividades da pesquisa científica estudantes de mestrado e doutorado se sentem mais ou menos confiantes. O instrumento avalia tarefas que vão da elaboração do projeto à análise de dados, escrita de artigos, apresentação dos resultados e defesa da dissertação ou tese.

Chamada de Escala de Autoeficácia para Pesquisa Científica, a ferramenta foi desenvolvida Rafael Lima Dalle Mulle durante o doutorado no Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP. O trabalho, orientado pela professora Fabiana Maris Versuti, também teve a supervisão da professora Diana Aguiar Vieira e colaboração de José Egídio Oliveira, pesquisadores de Portugal.

A escala é respondida pelos próprios pós-graduandos e mede o grau de confiança que eles têm na capacidade de realizar e concluir tarefas e superar dificuldades relacionadas à pesquisa. Com os resultados, docentes, orientadores e programas de pós-graduação podem identificar as atividades nas quais os estudantes apresentam maior ou menor segurança e planejar ações de formação voltadas a essas necessidades. “Isso permite, inclusive, o planejamento, a médio e longo prazo, de intervenções direcionadas que busquem o desenvolvimento e a manutenção da percepção que os estudantes têm acerca de suas próprias capacidades diante das tarefas que devem aprender e executar em suas respectivas investigações científicas, desde o preparo de um projeto até a sua defesa”, afirma Rafael.

O instrumento também pode ser empregado por pesquisadores interessados em estudar a autoeficácia no ambiente acadêmico e acompanhar mudanças na percepção dos estudantes ao longo da formação. Os resultados podem ainda servir como ponto de partida para a reflexão dos próprios pós-graduandos sobre as habilidades que já desenvolveram e aquelas nas quais encontram maior dificuldade. “Espera-se que o instrumento possa auxiliar com o mapeamento e acompanhamento da evolução da capacidade percebida de pesquisadores e pesquisadoras, que também são estudantes de pós-graduação”, diz Rafael. Segundo ele, a escala também pode estimular a reflexão de programas, orientadores e estudantes “sobre o que é fazer pesquisa no cenário brasileiro”.

Confiança para realizar tarefas científicas

Rafael Lima Dalle Mulle, pesquisador da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto – Foto: Arquivo pessoal

O conceito de autoeficácia corresponde à percepção que uma pessoa tem sobre a própria capacidade de realizar determinada atividade. A escala desenvolvida na USP não mede uma confiança genérica, mas a percepção dos pós-graduandos diante de tarefas específicas da investigação científica.

Em cada um dos 25 itens da versão final, o estudante atribui uma nota de um a sete, que varia de confiança nenhuma a confiança completa. São avaliadas atividades como formular uma pergunta de pesquisa, definir objetivos, elaborar hipóteses, fazer revisão da literatura, analisar dados, identificar limitações do estudo, escrever artigos, apresentar resultados em eventos e defender uma dissertação ou tese. “Até o momento da realização do estudo e publicação do artigo, nós, autores, não identificamos nenhum outro instrumento de medida validado no Brasil focado especificamente em avaliar a autoeficácia direcionada à pesquisa científica, ainda mais no contexto de pós-graduação stricto sensu”, afirma Rafael.

Segundo o pesquisador, outras ferramentas disponíveis no país medem a confiança do estudante de maneira geral ou abordam experiências mais amplas do ensino superior, sem se concentrar nas atividades que integram a rotina da pesquisa nos cursos de mestrado e doutorado.

Da elaboração do projeto à defesa

O desenvolvimento da escala começou com um estudo-piloto sobre a percepção dos pós-graduandos a respeito das próprias habilidades em atividades de pesquisa. A equipe também realizou uma revisão da literatura para identificar as competências envolvidas no trabalho científico.

A primeira versão reunia 52 questões. Após a avaliação de três especialistas, o instrumento foi reduzido para 45 itens. Testes de compreensão realizados com estudantes levaram a uma versão de 42 questões, utilizada no início da etapa de validação estatística. Ao final das análises, permaneceram 25 itens distribuídos em cinco fatores.

Os fatores abrangem a divulgação e a defesa da pesquisa, a elaboração do projeto, o pensamento crítico e a conciliação de atividades, a análise e o tratamento dos dados e a revisão da literatura. “As evidências de validade estatística e psicométrica estão sendo publicadas no presente artigo”, explica Rafael. Segundo ele, a fase anterior, dedicada à elaboração da escala e à validação de seu conteúdo com especialistas e estudantes, foi descrita em outro manuscrito.

Instrumento foi testado com 444 estudantes

Participaram do estudo 444 estudantes, com média de idade de 31,4 anos. Desse total, 218 cursavam doutorado, 203 estavam no mestrado acadêmico e 23 faziam mestrado profissional. A maior parte dos participantes, 306 estudantes, estava matriculada no Estado de São Paulo.

Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de 222 pessoas. O primeiro foi utilizado para investigar como as questões da escala se organizavam. O segundo permitiu verificar se a estrutura encontrada se mantinha em outra parte da amostra.

As análises resultaram no modelo com cinco fatores e 25 itens. Os pesquisadores também compararam os resultados com os obtidos por meio de uma escala já validada no Brasil para medir a autoeficácia geral. A relação positiva entre os dois instrumentos forneceu uma evidência adicional de que a nova escala mede o conceito ao qual se destina.

O estudo, intitulado Indicadores de Validade da Escala de Autoeficácia para Pesquisa Científica, foi publicado na revista científica Paidéia. De acordo com o artigo, a escala apresentou resultados que a caracterizam como um instrumento confiável e adequado para medir a autoeficácia para a pesquisa científica entre estudantes brasileiros de pós-graduação.

A validação apresentada está restrita, neste momento, a estudantes matriculados em programas brasileiros de mestrado e doutorado. Os autores indicam que novos estudos poderão examinar sua aplicação em outros contextos acadêmicos e profissionais.

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*Estagiária sob supervisão de Rose Talamone.

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